terça-feira, 18 de agosto de 2015

Univille acumula aumentos nas mensalidades acima da inflação


Bruna dos Reis

A Univille, importante alternativa para estudantes do ensino superior na região de Joinville, SC, aumenta anualmente suas mensalidades a taxas acima da inflação. Segundo estudo encomendado ao Dieese, de 1994 a 2002, as mensalidades sofreram um reajuste médio de 241%. A inflação nesse mesmo período foi de 124%. Ou seja, enquanto os salários são reajustados, com muito esforço, numa taxa próxima da inflação, as mensalidades vão pras nuvens e aumentam cada vez mais o comprometimento da renda dos alunos.

Trata-se de uma universidade “comunitária”, pois não tem dono. O conselho que a administra, embora tenha representantes da sociedade civil e estudantes (por meio do DCE), é majoritariamente formado por chefes de departamento, que têm vínculo empregatício com a instituição.

Em 2006, esse conselho criou uma regra que, além da inflação, repassa aos alunos o custo de triênios e demais reajustes salariais dos professores. Ou seja, o aumento virou regra e a conta mais uma vez recai sobre os alunos, quando é dever do Estado garantir educação pública, gratuita e para todos.

O movimento estudantil deve debater esse e outros problemas da universidade. Sua tarefa é pressionar a reitoria e o governo contra os ataques e pelos direitos. As ações do DCE, representantes eleitos pelos alunos, não podem se resumir ao voto contra o reajuste no conselho. Assim os aumentos continuarão a passar. 

No início de 2015, o Governo Federal, nas suas medidas de austeridade, aplicou vários cortes em verbas para a educação. Implantou um critério que proibia o acesso ao FIES para alunos de universidades que tivessem aumentado as mensalidades a uma taxa acima da inflação. 

Na ocasião, o DCE se uniu à reitoria para pressionar o governo a liberar a verba do FIES para a Univille. Temos de ser contrários a todos os cortes de verbas para a educação, mas a tarefa principal do DCE era mobilizar os alunos contra o aumento. Hoje, novos estudantes da Univille não têm acesso nem ao FIES, esse programa que utiliza dinheiro público para financiar instituições que cobram mensalidades e endivida os alunos.

Somente com organização e mobilização os estudantes pressionarão o conselho a extinguir a regra de reajuste, não mais aumentar as mensalidades e reluzi-las, até que a Univille seja pública de fato, dando um importante passo na garantia de educação gratuita para todos, nas universidades públicas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários anônimos serão excluídos, identifique-se. Se preferir entre em contato pelo e-mail: juventudemarxista@gmail.com