terça-feira, 11 de agosto de 2015

UNE 78 anos! Por menos governismo e mais luta



Daison Colzani

No dia do estudante a União Nacional dos Estudantes - UNE, completa aniversário da sua fundação. Desde 1937 a UNE é a principal entidade estudantil no Brasil e uma das mais importantes da América latina e tem um importante papel a cumprir no movimento estudantil. Porém hoje é preciso refletir o momento vivido pelos estudantes no Brasil e o papel que cumpre a UNE.

O Governo Federal sob a justificativa de ajuste fiscal aplica cortes em diversas áreas sociais, inclusive na educação. Em conseqüência dessa política o que vemos é Universidades Federais com calendários suspensos ou funcionando parcialmente seja em virtude da greve ou da falta de recursos para continuar as atividades. Várias Universidades dependem de um complemento no orçamento para garantir o seu funcionamento até o fim do ano.

Na contramão do que acontece no ensino público a iniciativa privada vai muito bem, o grupo Kroton/Anhanguera registra novos recordes de lucro com lastro na política de financiamento estudantil através do FIES que corresponde a mais de 60% dos alunos do grupo. Mesmo em um cenário de crise o grupo Kroton prevê um lucro líquido de 1,4 bilhões para o segundo semestre, cerca de 38% maior que em 2014.

Há alguma coisa de muito errada, enquanto a educação pública caminha para o buraco os tubarões do ensino seguem engordando suas contas vendendo “educação”. Não podemos nos omitir diante de um cenário como esse, a UNE não pode se omitir. Não basta palavras é preciso colocar a entidade a serviço dos estudantes, é fundamental questionar a lógica privatista do ensino superior no Brasil e a incapacidade de aplicar políticas educacionais efetivas. 

As políticas afirmativas tão fervorosamente defendidas pela direção majoritária da UNE são insuficientes e fazem apenas dividir as migalhas de educação pública ou mesmo colocar dinheiro público na iniciativa privada com medidas como o PROUNI. Alguns justificam que hoje o filho do trabalhador também pode ser doutor, o fato é que alguns filhos de trabalhadores se tornam doutores enquanto a imensa maioria continua enfrentando a dura realidade do ensino superior no Brasil que é um grande funil.

Lutar para que todos os filhos dos trabalhadores tenham a oportunidade de se tornarem o que quiser, garantir que todos que quiserem possam estudar, que tenham acesso a ensino público e gratuito. A UNE deve lutar pelo fim de vestibular, pela estatização de todas as universidades privadas, por vagas para todos.

Em seu aniversário de 78 anos é preciso que a UNE relembre suas carta de princípios adotada no congresso de reconstrução da entidade em 79 em que dizia que “...a UNE deve lutar por ensino voltado para a maioria da população brasileira, pelo ensino público e gratuito, estendido a todos.” É relembrando o seu passado de luta que a atual direção da UNE tem essa responsabilidade, mas para isso é preciso romper a lógica de apoio incondicional ao governo federal e suas políticas de ataque a educação. Somente assim a UNE fará jus a sua história de luta e defesa incondicional dos estudantes e de educação pública, gratuita e para todos.

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