segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Seminário de Gestão da UNE: Homologação da defesa do Governo acima de tudo



Daison Colzani

Nos dias 01 e 02 de agosto de 2015 em São Paulo/SP, aconteceu o seminário de gestão do biênio 2015/17. O que deveria ser a reunião da Diretoria da UNE para planejar suas ações para o próximo período, foi a continuidade do discurso da Posse dessa Gestão: Defender o Governo.

A Juventude Marxista dentro do Campo da Oposição de Esquerda participou do seminário e nas oportunidades que teve apresentou seu ponto de vista de que a UNE deve ser instrumento dos estudantes para sua organização, e que para isso é preciso romper com a lógica de ser extensão do governo federal e corroborar suas políticas. Acreditamos que no cenário de cortes na educação, o lucro das universidades privadas é cada vez maior e a UNE precisa retomar a luta pela Educação Pública, Gratuita e para Todos.


Como foi o seminário

No sábado pela manhã estava marcado para as 9h o início das atividades, às 12h aproximadamente iniciou de fato o seminário com a mesa da conjuntura, mesa que foi limitada na sua composição onde cada campo¹ que compõe a Direção indicou um nome e as intervenções foram limitadas a 3 por campo (muito disso por conta do imenso atraso). Em nome do Campo Majoritário a ex-presidente da UNE, Virginia Barros, fez a defesa do governo apontando o ministro da fazenda como o culpado pelos ajustes fiscais, mas que o que está na ordem do dia é defender o governo contra os golpistas. O militante Thiago Aguiar, pela Oposição de Esquerda, falou sobre a necessidade da juventude se unir contra o ajuste fiscal e as medidas de austeridade que nos estão sendo impostas. E pelo Campo Popular o militante Josué, do MTST, falou sobre as lutas por moradia e a necessidade de se organizar contra a repressão e os cortes. As falas foram limitadas e o debate não pode ser muito desenvolvido.

Na parte da tarde, na discussão foi sobre os desafios da UNE para o próximo período, o golpismo passa a ser o centro das intervenções não só do Campo Majoritário, mas também do Campo Popular, os dois campos discursam sobre unidade contra os cortes e contra o golpismo, um discurso bonito, trata-se na verdade de uma unidade em defesa do governo. Para nós a unidade do movimento estudantil só é possível sob um programa que defenda a educação pública, gratuita e para todos, um programa que represente avanços para a educação em que nenhum jovem fique fora do ensino superior e isso não passa por defender políticas afirmativas que se limitam a partilhar as miseras vagas que hoje existem no ensino superior.

O domingo foi dedicado ao planejamento das pastas, muitos diretores não estavam presentes, pois as passagens foram garantidas apenas aos diretores da executiva que são 17, os outros 68 tiveram que procurar meios de financiar suas passagens e custos para participar do planejamento, nós da Juventude Marxista financiamos nossa ida com a contribuição de sindicatos e militantes simpáticos a nossa tese. O planejamento foi uma extensão das políticas defendidas no dia anterior, na pasta de Políticas Públicas de Juventude a qual ocupamos uma das diretorias nós tínhamos o único Diretor presente o que limitou a discussão. No fim do dia a votação do texto da reunião foi marcado pela polarização entre Oposição de Esquerda e os outros campos, onde a Oposição coloca suas posições por acreditar que é preciso avançar nas reivindicações, que não podemos mais continuar aceitando cortes da educação enquanto o pagamento da dívida externa continua sangrar os brasileiros, mantemos nossas divergências como forma de construir uma posição alternativa ao conformismo e a aceitação dos freqüentes ataques a educação.


A Juventude Marxista continuará seu combate dentro da UNE. Temos uma grande tarefa pela frente, mas acreditamos que o movimento estudantil se constrói nas universidades, nas ruas e nas mobilizações. Seguimos defendendo que todo jovem deve estar dentro da Universidade, que é preciso dar fim ao vestibular e ao ensino privado. E para construirmos isso é preciso que nos organizemos na luta por uma educação pública, gratuita e para todos. Junte-se a nós!

¹A Direção da UNE contém três campos: O Majoritário (UJS/DS), Campo Popular (Levante Popular, CNB , Mudança, etc...) e Oposição de Esquerda (Juntos, PCR, RUA, CST, Jsol, Juventude Marxista, etc...)

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