segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Greves estudantis varrem as universidades brasileiras


Bianca Fujimori


O país passa por um cenário conturbado e marcado por diversos protestos, paralisações de diversas categorias e um imenso descontentamento da população com o governo e a economia. Enquanto passamos um período de grande turbulência econômica, o governo opta por sangrar cada vez mais a educação para sustentar a burguesia. A “pátria educadora” continua a priorizar o pagamento da dívida pública, a qual já foi paga diversas vezes, enquanto as universidades estão fechando suas portas.

Em diversas universidades faltam professores, técnicos, laboratórios, além de estruturas mínimas de permanência como Restaurante Universitário, Casa do Estudante, bolsas de auxílio estudantil, projetos de pesquisa e extensão. Com o ajuste fiscal e o corte de verbas na educação, a situação piorou. Chegamos ao ponto de haver universidade com o serviço de limpeza suspenso, como é o caso da UFRJ. Na UFSC, as contas estão sendo pagas em regime rotativo, uma hora pagam as contas de luz, em outra a água, na outra a limpeza terceirizada.A UFJF teve que cancelar o início do segundo semestre de 2015. No RU da Universidade Federal do Paraná, que atende cerca de 6 mil alunos, faltam alimentos. Sem falar nas poucas bolsas de auxílio que estão atrasadas pela falta de dinheiro. Contudo, o governo aumentou o número de vagas nas universidades federais por meio do REUNI sem aumentar na mesma proporção a estrutura. Em consequência disso, há uma queda gritante na qualidade do ensino público.

Nesse contexto, em alguns lugares, começa a explodir o fenômeno da greve estudantil.Para Alan Woods, um marxista britânico, a juventude funciona como um barômetro social. Para ele, quando as condições de vida da população decaem, aumentam as pressões sociais. Cabendo à juventude o papel de impulsionar e construir em conjunto com a classe trabalhadora atos de resistência. É exatamente essa situação que se expressa em várias universidades do país. A insatisfação dos estudantes está chegando ao seu ápice e isso ameaça provocar uma onda de greves estudantis e ocupações de reitoria, que já acontecem isoladamente. 

Na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), os estudantes de Educação Física declaram greve em apoio aos técnicos e professores para não serem prejudicados pelos fura-greves. Enquanto para os alunos de Engenharia Florestal a greve é por mais estrutura no curso, para os de Geologia, é por mais professores e pela criação de um instituto próprio. Na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) os estudantes do curso de Odontologia entraram em greve estudantil, pois o curso não reúne as condições mínimas para funcionar. Tanto as aulas teóricas como práticas estão paralisadas desde o dia 27 de Agosto. Vale lembrar que no dia 25 do mesmo mês os docentes da UFPE decidiram que não entrariam em greve, reforçando ainda mais a disposição de luta dos estudantes de procurar alternativas contra a precarização das condições de ensino, pesquisa e extensão. Esses não são casos isolados, na UFPR(Universidade Federal do Paraná) e UFC(Universidade Federal do Ceará), foi deflagrada greve estudantil com mais de mil jovens presentes nas assembleias. Há estudantes em greve, também, na Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual da Bahia (UBA), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal da Grande Durados (UFGD) e Universidade Federal de Goiás (UFG).

As causas são diversas, mas todas estão diretamente relacionadas com a falta de verbas para as universidades. Brasil afora, estudantes pedem um ensino público de qualidade, mais professores, mais técnicos e mais assistência estudantil. A Campanha Público, Gratuito e Para Todos apoia as greves estudantis, dos professores e servidores. Esse é o momento em que a UNE deveria fazer o mesmo, emitindo um chamado nacional de greve e ocupação para barrar o ajuste fiscal. Entretanto, ela faz exatamente o contrário, a UNE protege e mascara o governo de maneira vergonhosa para os estudantes. 

Somente a unidade poderá garantir a vitória. Muitas lutas estão por vir no próximo período e devemos estar preparados para a batalha. Dado isso, a Campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde e Educação. Abaixo a repressão!”, convoca todos para o Acampamento Revolucionário 2016, na Fábrica Ocupada Flaskô, no qual se discutirá, além de outros pontos, como ajudar os jovens a organizar as lutas, ocupações e greves.

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