terça-feira, 14 de julho de 2015

A UNIVERSIDADE RELIGIOSA, O ESTADO E A EDUCAÇÃO LAICA E O CAPITALISMO



Lucy Dias

Não existem dados claros, atualmente, nos censos da educação superior do MEC, por exemplo, sobre a educação superior religiosa no país. O que é um problema, pois muitos calouros entram numa universidade religiosa sem ter a dimensão do que isso significa. 

Para isso é importante resgatar a relação entre as universidades religiosas e a educação laica e o atual sistema de produção, o capitalismo.


A educação pública religiosa surge a partir da Reforma Protestante, nos séculos XVI e XVII devido a necessidade de educar os fiéis sob a base da nova religião em sua língua nativa. É preciso ir além e entender que a religião protestante surge das novas bases sociais marcadas pela ascensão de uma burguesia mercantil, na queda do sistema de produção feudal. Por tanto, trazia consigo novos interesses, interesses da classe que viria a ser dominante a partir da revolução industrial, a burguesia. É evidente que seus interesses não eram tornar a educação acessível à todos para desenvolver o conjunto da sociedade, mas sim, educar os fiéis em novas concepções como as do juro e do trabalho, afinal o que segue daí é a Primeira Revolução Industrial, a criação do capital industrial e posteriormente sua fusão com o capital bancário.

Depois da Revolução Francesa, a educação passa a ser tratada de forma pública e nacional, com o objetivo de formar o cidadão, com um caráter popular e primário. Mas é só na Comuna de Paris que a humanidade conhece o verdadeiro significado de educação universal, pública e democrática. A conquista da educação laica e pública não pode ser tratada de outra forma, se não, revolucionária e precisa ser defendida diante do capital e da privatização. 

Hoje, vivemos num Estado laico, divorciado constitucionalmente de uma religião especifica, mas tolerante à todas elas. Isso no papel. Em todo o caso, a educação pública e laica, conquista dos trabalhadores, está constantemente disputando espaço com os tubarões da educação superior privada. 

É fácil perceber como o ensino superior privado se engendra com o ensino superior religioso nas Pontifícias e nas Universidades Católicas, por exemplo, onde o aluno, pagante e bolsista, têm em sua grade curricular o ensino teológico obrigatório. 

Mas e o capitalismo? O que tem a ver com tudo isso?

Não podemos analisar a nossa realidade sem analisar as condições materiais que balizam toda a atividade humana. O modo de produção em que vivemos é movido pela busca incessante de capital e pela sua reprodução. 

Em sua grande contribuição à Economia, O Capital, Marx escreve um capítulo inteiro apenas para falar das mercadorias e da forma como estas são fetichizadas pelo capitalismo. A educação, em sua essência, tem um valor de uso enorme para a humanidade, pois é através dela que todo o acúmulo produzido pelo conjunto desta e das sociedades passadas é transmitido, mas o sob o capitalismo o valor de uso da educação está totalmente subjugado pelo valor de troca e cada vez mais a educação é privatizada, ainda mais em períodos de crise, como o que estamos vivendo agora. 

É preciso defender a educação pública, gratuita e para todos diante dos cortes na educação e ajustes fiscais! É preciso defender a educação laica, conquistada em sangue pela classe trabalhadora! Mas para além disso, é preciso lutar contra o sistema capitalista que usurpa os serviços públicos em nome do lucro e coloca toda a maioria da sociedade à sua maneira. 

É preciso se organizar contra esse sistema!

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