terça-feira, 10 de março de 2015

Amanhã vai ser maior!

Declaração Final do 1º Acampamento Revolucionário

15 a 18 de Janeiro de 2015, na fábrica ocupada Flaskô (Sumaré-SP)


Durante 4 dias, a campanha nacional “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!”, nascida das Jornadas de junho de 2013, reuniu 200 jovens de todo o Brasil num Acampamento Revolucionário na Fábrica Ocupada Flaskô, de maneira independente e autofinanciada.




Nosso acampamento ocorre logo após termos visto centenas de milhares de jovens saírem às ruas contra a violência policial nos EUA que matou Michael Brown e Eric Garner. Também foi a violência do Estado mexicano que levou à morte de 6 estudantes e ao desaparecimento de outros 43 de Ayotzinapa, o que levou às ruas de todo o México milhões de pessoas clamando por justiça e pela derrubada do Governo Peña Nieto. E desde a faísca da autoimolação de Mohamed Bouazizi no final de 2010 na Tunísia, que incendiou os países árabes, levando à queda de Ben Ali na Tunísia e Mubarak no Egito, passando pela resistência da juventude trabalhadora nos países europeus mais atingidos pela crise, como Espanha e Grécia, passando pelo movimento “Occupy” nos EUA, até chegar na explosão da juventude de países que eram considerados “economicamente estáveis” como a Turquia e o Brasil, o que estamos vendo é uma onda mundial de mobilizações, que começa com a juventude, que tem em comum a necessidade de gritar “BASTA” para o sistema que nos oprime cada vez mais e leva toda a humanidade rumo à barbárie.



Recebemos 5 convidados internacionais em nosso acampamento, vindos da Inglaterra, Itália, México, Argentina e Colômbia. Enriqueceram muito toda esta discussão internacional, onde tratamos também das revoluções cubana e venezuelana, para podermos compreender melhor o contexto em que se dá a atual situação no Brasil.

Na abertura do nosso acampamento, recebemos convidados de vários movimentos sociais, organizações políticas e entidades da classe trabalhadora, que nos deram um panorama da ofensiva de criminalização das lutas populares no Brasil.

Constatamos que o manifesto e o abaixo-assinado que lançamos em 2013 seguem atuais. Nenhuma das nossas reivindicações foi atendida. A dívida pública interna e externa, a dívida “eterna” que chamamos de “verdadeira e maior corrupção” segue sendo paga religiosamente às custas do povo. Em 2013 foram R$ 900 bilhões desviados para os bolsos dos capitalistas! Em 2014 o montante atingiu R$ 1 trilhão! E para 2015 já se calcula mais de R$ 1,380 trilhões do dinheiro que deveria servir para resolver os problemas sociais no Brasil, do dinheiro que deveria servir para prover transporte, saúde e educação, públicos, gratuitos e para todos!

Dilma foi reeleita presidente numa eleição dividida, saindo derrotada nos principais centros políticos do país. O PT perde apoio popular justamente onde há maior concentração da classe trabalhadora organizada. Isso acontece porque o partido que um dia foi instrumento da classe trabalhadora brasileira para travar os maiores combates de classe da nossa história, hoje aplica uma política de conciliação, colaboração e submissão aos interesses de nossos inimigos históricos: a burguesia brasileira e o imperialismo internacional.

A vitória apertada de Dilma lhe dava um claro mandato de mudança, de ruptura com o capital. Mas, logo após ser eleita, Dilma faz todo o oposto do que dizia na campanha eleitoral, nomeando um ministério digno de seus opositores da direita, promovendo cortes de bilhões nas áreas sociais, continuando as privatizações e a entrega das riquezas do Brasil aos capitalistas e especuladores. Dilma também mantém o Estado brasileiro massacrando o povo no Haiti e reprimindo o povo no Brasil.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV), concluiu seu relatório após 2 anos de investigações, pedindo a punição de mais de 300 que torturaram, mataram e colaboraram com o regime militar de 1964-1985. Mas Dilma responde que a Lei de Anistia deve ser respeitada. Ela que foi presa e torturada pelo regime, parece que o perdoou. Nós não! Não esqueceremos e continuaremos a luta pela punição de todos os assassinos, torturadores e mandantes dos crimes da ditadura militar!

E a ditadura acabou há 30 anos, mas a repressão continua. Tivemos uma sessão especial para discutir a questão da violência policial, do encarceramento, do racismo e das tentativas de reduzir a maioridade penal. Tudo o que escrevemos no manifesto de 2013 sobre a repressão segue atual e de lá pra cá só têm aumentado as mortes, prisões, condenações e processos que buscam criminalizar os de baixo, os que lutam. Por isso estamos convictos em combater com todas as nossas forças pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 7951/2014, que concede anistia, anula e revoga condenações, ações penais e inquéritos policiais contra ativistas e lideranças dos movimentos sociais, sindicais e estudantis que participaram de greves, ocupações de fábricas, ocupações de terras, ocupações de instituições de ensino, manifestações e atividades públicas, além de propor o fim das Polícias Militares, a revogação da velha legislação repressora da época da ditadura, como a Lei de Segurança Nacional (LSN – 7.170/1983) e também a revogação da nova legislação repressora, como a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que permite colocar as forças armadas nas ruas para reprimir manifestações.

Enquanto escrevemos estas linhas aqui no acampamento, milhares de jovens em diversas cidades pelo Brasil voltam às ruas para protestar contra o aumento das tarifas do transporte público. Desde o final do ano passado, os diversos Comitês de Luta da nossa campanha têm se engajado nesta nova velha luta. Como já esperávamos, a repressão aumenta na mesma proporção em que aumenta nossa indignação. Mas temos muito mais armas em nosso arsenal de luta do que os armamentos bélicos que o Estado possa utilizar! E os batalhões pesados da classe operária começam a se mover. As greves no ABC contra as demissões enchem de esperança corações e mentes da juventude por todo o Brasil. É neste sentido que fazemos coro com a juventude que sai às ruas cantando: “Amanhã vai ser maior!”.

Mas, como vimos em 2013, sabemos que não adianta apenas ter volume. É preciso ter organização! Além de ser maior, nossa força amanhã precisa ser melhor organizada, precisa ter clareza do que fazer e saber a onde ir. Por isso decidimos nos engajar nas discussões que nos foram apresentadas aqui no acampamento por militantes da Esquerda Marxista e do PCB (Partido Comunista Brasileiro) da proposta de constituição de uma Frente de Esquerda.

Também por isso, decidimos convocar o 2º Acampamento Revolucionário para 2016, para reunir muito mais gente e criar uma nova organização de juventude, baseada e fundamentada nos alicerces lançados pelo manifesto da nossa campanha e as experiências que estamos vivendo desde junho de 2013! Venceremos!

Sumaré, 18 de janeiro de 2015

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