segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Problemas no movimento estudantil do Ielusc ameaçam poder de pressão por reivindicações


Por Johannes Halter, estudante de Jornalismo da faculdade Ielusc
 
Quinta-feira passada (11/9), ocorreu uma assembleia no Ielusc que pretendia definir a pauta de reivindicações dos estudantes para este ano. Porém, o evento contou com menos de uma dúzia de participantes. Ficou acertado o adiamento da discussão para duas semanas à frente. O que motivou a decisão foi a falta de representatividade e poder de pressão de um documento aprovado naquelas circunstâncias.

A ideia da pauta de reivindicações assemelha-se às discussões de data-base de um sindicato. Trata-se de uma oportunidade de os acadêmicos elencarem os problemas que precisam de solução e agirem juntos para cobrar da faculdade. Essa iniciativa foi realizada em 2011 e 2012, trazendo resultados positivos.

Mas a situação que está instalada este ano é preocupante. O calendário já está no mês de setembro e nenhuma luta estudantil foi organizada. Quando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) convoca uma assembleia, a repercussão é baixíssima e o resultado é um encontro esvaziado. Os acadêmicos, chamados à participação na época da eleição, agora estão à margem dos debates. A direção da instituição avança seus objetivos sem contraponto.

A não participação na faculdade tem vários motivadores. Mas o primeiro a que devemos chamar a atenção é o papel da direção do movimento estudantil. Esse é um elemento do qual temos controle político, pois tem mandato e devem prestar contas. Porém, a atual gestão “Mobiliza”, eleita com a promessa de, como o nome diz, animar e envolver os acadêmicos, não estão correspondendo à propaganda.

A assembleia sobre a pauta de reivindicações havia sido convocada, inicialmente, para o dia 4 de setembro, mas foi adiada para a semana seguinte. O motivo, segundo a gestão, seria devido a não haver “muita adesão à campanha por parte dos estudantes”. Essa afirmação carrega, em si, uma pista do problema. A culpa seria de quem está nas salas de aula, que “não se interessam”, livrando a cara da direção do movimento estudantil.

Porém, analisar os fatos pode iluminar o que realmente ocorre. A discussão da pauta de reivindicações foi aberta em assembleias realizadas dias 12 e 13 de agosto, uma no Centro e outra no Saguaçu, sendo cancelada a com os acadêmicos de Enfermagem. Nas oportunidades, os diretores da entidade gastaram a maioria do tempo em discussões enfadonhas sobre burocracia estatutária. A luta estudantil foi o último ponto, com muita gente já tendo ido embora devido à chatice. Além disso, a direção do DCE se mostrou perdida no debate, cabendo aos membros da oposição darem a maioria das orientações sobre o que fazer.

Mesmo com um mês para mobilizar a assembleia seguinte, os membros do diretório fizeram uma divulgação fraca. Apenas criaram um “evento” no site Facebook e deram recados em algumas salas. Evidentemente, essa energia não seria capaz de empolgar os acadêmicos a colocarem-se em movimento. Para piorar, foi convocada apenas uma assembleia, no Centro, durante à noite. Dessa forma, ficaram impossibilitados de participar da discussão os acadêmicos de Enfermagem, Nutrição e Educação Física.

Mas a única tentativa de assembleia também revelou detalhes importantes. Mais da metade dos participantes era de membros da “Chapa 2 Liberdade e Luta”, que perdeu a eleição ocorrida em junho. Os demais eram diretores do DCE. Ou seja, menos da metade da diretoria eleita em junho se dispôs a participar da assembleia mais importante para luta dos estudantes. O diretório também avisou que tem vários projetos planejados, mas seus membros relataram que não conseguem ao menos organizar visitas de aviso nas salas de aula. Essa situação ameaça a capacidade de pressão do movimento estudantil, na medida em que nem ao menos os estudantes conseguem saber o que está ocorrendo e sendo discutido pelo diretório.

Porém, a falta de mobilização do DCE não representa um único motivo para a situação, e nem o determinante. Muitos outros estão envolvidos, com pesos diferenciados. Também jogam um papel importante o caráter privado da instituição, a necessidade de trabalhar dos acadêmicos, a ausência de um espírito comunitário, a traição do movimento estudantil nacional e as distrações do cotidiano. Nesse contexto, o público alvo acabam sendo as pessoas mais dispostas. Aquelas que, mesmo enfrentando as diversas pressões, conseguem desenvolver uma consciência política, que tem o potencial de atrair outras.

São a essas pessoas que este breve artigo se dirige, as quais muitas fazem parte dos 194 votos para a “Chapa 2 Liberdade e Luta”. A ideia é que elas compreendam a situação em que estão inseridas e tenham elementos para mudar sua realidade. O segundo público é a direção do DCE, para que oriente-se a exercer seu papel de forma eficaz. Da parte do coletivo de estudantes que fizeram parte da Chapa 2, há a disposição de construir a luta junto à direção do DCE. Mas com total independência de crítica, apontando os erros e possibilidades de avanços.

Para realizar a tarefa de direção do movimento estudantil, não basta a retórica. São nos métodos que as coisas se definem. Portanto, a atual gestão do DCE precisa sacrificar tempo e energia para organizar e empolgar as próximas assembleias. Hoje vários cursos não tem oportunidade de despertar para a vida de seu diretório. As três assembleias que a oposição propôs para a semana do dia 1º de outubro são oportunidades de reverter essa situação. O papel que cabe ao DCE é cumprir a promessa de mobilizar os estudantes para suas lutas.

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