quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Maior grupo de educação privada do mundo é formado no Brasil



Clítia Daniel

Os acionistas dos dois maiores grupos de educação privada do país, Kroton e Anhanguera, anunciaram em julho permissão para a fusão de ambas. O acordo formado em abril do ano passado recebeu aprovação governamental em maio de 2014 por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por assegurar a desejada livre competição de mercado. A fusão resulta no maior grupo de educação do mundo, com valor de mercado de R$ 12 bilhões, na frente do grupo chinês New Oriental, com valor de US$ 3 bilhões em 2013 (1).

Somente o anúncio de intenção de fusão já movimentou o mercado especulativo, expressão do capitalismo financeiro. Desde o anúncio, as ações da Kroton cresceram em 26%, da Anhanguera em 40%, e a Ibovespa também obteve crescimento (2). O novo grupo abrange com preponderância o Ensino Superior, assegurada uma porcentagem para o Ensino a Distância (EAD), somente 4% é destinado à Educação Básica. As estimativas variam de 1,1 milhão (3) a mais de 1,5 milhão de estudantes (4).

Nos veículos tradicionais de comunicação, controlados pelos empresários e capitalistas, encontram-se notícias sobre o que aqui foi dito: números de mercado, rendimentos, especulações. Por outro lado, o assunto que deveria ser o centro da discussão quase não é considerado: a educação. O novo grupo aspira ao crescimento econômico e se ocupa desse assunto. Publicamente não há indícios de preocupação com relação ao projeto pedagógico, a formas de desenvolver o ensino, de estender pesquisa e extensão às unidades, à transformação de novas universidades. De qualquer forma, o desenvolvimento da educação valorizando formação crítica, consciente e transformadora não costuma ser o objetivo nas instituições de ensino superior privada, que geralmente focam mais a capacitação de mão de obra barata para o mercado.

Por mais que o Cade tenha aprovado a fusão com restrições (negocia vendas de unidades de ensino dos grupos), é notável como é contraditória sua “missão” de zelar pela livre competição, ao permitir uma fusão digna dos monopólios que surgem como tendência do mundo globalizado. Lenin, em “Imperialismo, fase superior do capitalismo” (1917), explica que no imperialismo, atual estágio do capitalismo, vê-se "a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida econômica". O que vemos é o mercado se remodelar quando o capitalismo vai acumulando suas contradições, dificultado de cumprir até mesmo seus fundamentos básicos neoliberais de livre concorrência, mais idealizados que reais.

A criação desse grupo no Brasil expressa a tendência do crescimento da educação superior privada, em detrimento da educação superior pública. Evidencia uma expansão numérica de valores de mercado, alheia à democratização e universalização de tal direito. É a tendência de serviços básicos sociais cada vez mais privatizados, já que o atendimento ao interesse público de forma realmente acessível a todos não gera objetivamente mais poder à classe dominante, e não fomenta o monopólio de mercado.

Diante da crescente concentração do capital e do esgotamento da produção, impedimentos para a expansão originados do próprio funcionamento do sistema, a educação também está sujeita às “adaptações”, tornando-se cada vez mais mercadoria. A classe trabalhadora e sua juventude está sempre sujeita a “sacrifícios” para maior “expansão posterior”, o que, na prática, traduz-se na constante falta de acesso a uma educação pública de qualidade e à exploração da classe para sustentação material da dominação da classe burguesa, a qual detém os meios privados de produção.

É preciso lutar por educação pública, gratuita e para todos! A classe dos trabalhadores e a juventude devem lutar por Vagas para Todos na universidade pública! Pelo não pagamento da dívida pública e pelo investimento do que for necessário na educação pública, da creche à universidade.



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