sexta-feira, 25 de julho de 2014

Sobre métodos no movimento estudantil: resposta ao texto “Oportunismo ou ingenuidade” dos companheiros do movimento de ocupação da UNESP de Araraquara.

Juventude Marxista - São Paulo - SP

O movimento de ocupação da direção da UNESP de Araraquara publicou texto após apresentarem desacordo com publicação do camarada Rafael Carneiro estudante desta mesma unidade e militante da Esquerda Marxista. De ambos os lados existe a vontade de construir o movimento estudantil da melhor forma possível, contudo, discordamos profundamente nos métodos para a efetivação disso. Assim, discorremos abaixo sobre nossas questões sobre o texto dos companheiros e saudamos a atitude honesta dos mesmos que, desde o início, tiveram acordo com um debate mais organizado.
          A réplica dos companheiros da ocupação de Araraquara pode ser lida a seguir, e logo depois, está a tréplica dos militantes da Juventude Marxista:



Oportunismo ou ingenuidade? – Resposta ao texto da Juventude Marxista sobre a ocupação da Unesp/Araraquara
link do texto da juventude marxista:http://www.juventudemarxista.com/2014/07/a-ocupacao-estudantil-em-araraquara-e.html
Por Luiz Matias (Pasta) e Heitor Quimello – Militantes do Movimento Estudantil da UNESP de Araraquara

O texto de Rafael Carneiro “A ocupação estudantil em Araraquara e a necessidade de uma militância organizada” coloca uma importante defesa do movimento e dos militantes de Araraquara com relação aos desmandos da direção desta universidade, bem como a eminente repressão que está por vir para o movimento.
Primeiramente, cabe considerar o histórico deste movimento, que desde 2013 busca consolidar um espaço amplo e democrático de construção do movimento estudantil em geral. Porém tornou-se prática de grupos da universidade, ligados diretamente ao PT e PSOL, esvaziar estes espaços de debate, estigmatizar os estudantes em luta e realizar a crítica por fora destes espaços, contribuindo para o retrocesso geral do movimento.
Nunca os companheiros da Esquerda Marxista, ou de outros grupos que fazem este embate “por fora”, vieram realizar uma disputa clara e sincera acerca de seu programa para o movimento estudantil e, agora, neste momento de extrema fragilidade do movimento, em que há eminencia de forte repressão, surgem críticas contundentes. Por isto, a crítica feita pelo companheiro se demonstra oportunista, visto que se utiliza do vácuo criado por problemas na organização dos estudantes para fomentar seu próprio grupo político, ao invés de fomentá-lo por dentro do movimento.
Em sua crítica, Rafael comete erros crassos, teóricos e práticos, e que neste momento demonstram sua potencialidade nociva ao movimento em seu conjunto.
Primeiramente, podemos colocar o problema teórico da “classe estudantil” a qual cita Rafael em diversos momentos do texto. Em seus trabalhos teóricos nunca Marx, Engels e sequer Lenin teorizaram sobre uma “classe estudantil”. A luta de classes fundamental é a da burguesia com o proletariado. Portanto, é necessário entender a composição do setor estudantil na luta entre estas duas classes, pois só assim poderemos analisar a situação concreta da luta dos estudantes.
Para isto, seguindo a linha do próprio Rafael, Lenin diz em “As Tarefas da Juventude Revolucionária” de 1903:
"É verdade que do ponto de vista corrente do «revolucionarismo» vulgar a unidade ideológica dos estudantes não exige uma concepção do mundo integral, antes a exclui, a unidade ideológica significa uma atitude «tolerante» para com diferentes tipos de ideias revolucionárias, significa a renúncia a reconhecer decididamente um qualquer círculo determinado de ideias, numa palavra, unidade ideológica, do ponto de vista destes sábios da politiquice, pressupõe uma certa ausência de princípios ideológicos (é claro, oculta mais ou menos habilidosamente pelas fórmulas gastas da largueza de opiniões, da importância da unidade a todo o custo e imediatamente, etc., etc.). Um argumento bastante plausível e, à primeira vista, muito convincente que é sempre apresentado a favor deste modo de colocar a questão é apontar para o facto do conhecimento geral e indiscutível de que entre os estudantes há e não pode deixar de haver grupos completamente diferentes quanto às suas opiniões político-sociais, e por isso a exigência de um carácter integral e definido das concepções do mundo afastará inevitavelmente alguns destes grupos; consequentemente, estorvará a unidade, consequentemente, provocará dissensões em vez de um trabalho concertado, consequentemente, enfraquecerá a força do avanço político comum, e assim sucessivamente, sem fim."

Mediante tal afirmação, Lenin irá separar, na sequência de sua reflexão, os grupos de estudantes existentes em sua época em seis tipos: “reaccionários, indiferentes, academistas, liberais, socialistas-revolucionários e sociais-democratas”.
No nosso caso, podemos dizer que existem ainda esta divisão político-ideológica citada por Lenin acima, porém cabe avançar ainda ao ponto em que existe uma assoladora elitização do corpo estudantil da universidade, que se cria pelo filtro do vestibular e a incessante política de governos e reitorias em atacar a Permanência Estudantil, como se mostrou a tentativa de expulsar 38 estudantes da moradia estudantil.
A partir da análise concreta do setor estudantil como policlassista, podemos apontar mais um erro teórico quando Rafael afirma que o foco da luta seria “sob uma agitação bem fundamentada e coesa, traduzir todos os sentimentos dos estudantes para que floresça seu pensamento de classe e a sua condição revolucionária”. Ora, o florescimento do pensamento de classe dos estudantes, que em sua maioria são pequeno-burgueses, não garante o florescimento de uma condição revolucionária, pois a condição revolucionária da luta estudantil é a própria existência da classe trabalhadora na universidade.
Em nossa atuação, o movimento estudantil da Unesp/Araraquara se colocou sempre como um movimento classista, fazendo uma análise sincera de como o espaço da universidade é elitizado e de que a tarefa do movimento estudantil é defender os interesses da classe trabalhadora em conjunto. A concepção abstrata da “classe estudantil” implica, na prática, em reduzir as pautas para agregar o maior conjunto dos estudantes, consequentemente implicando em abandonar o caráter classista do movimento.
Este conceito errôneo de “classe estudantil” evidencia claramente a linha política deste grupo, principalmente quando o companheiro deslegitima a ocupação da direção da UNESP com o argumento de que somente 15 estudantes foram detidos no momento da reintegração de posse. E isto fica ainda mais claro quando ele apresenta a sua compreensão do motivo para este fato, dizendo que isso se deve à “forma como foram incluídos os 21 pontos de pautas que se tornaram palavras de ordem” e que “acabaram por não ecoar dentre a massa da classe estudantil”..
Cabe lembrar, contudo, que no início da ocupação os estudantes ficaram durante mais de uma semana dormindo sob a ameaça constante da chegada da Tropa de Choque, o que se evidencia pelos comunicados transmitidos pelo coletivo de ocupação em sua página. Neste momento, mais de 50 estudantes estavam na ocupação e não recuaram um centímetro, mesmo com as ameaças de reintegração de posse. Isto, obviamente, causa desgaste físico e emocional, tendo em vista que muitos eram estudantes de primeiro ano e que nunca se encontraram diante de tal situação. Porém, os companheiros não citaram a suja estratégia da burguesia em colocar seu efetivo policial no primeiro dia de um feriado prolongado, na tentativa de isolar o coletivo de ocupação de maneira física, depois de trancarem os portões, impedindo que qualquer estudante pudesse adentrar na ocupação, enviando o efetivo policial às 4 e 20 da manhã, de forma ilegal e inesperada. Estes 15 estudantes que permaneceram em ocupação, foram levados ao 4º DP de Araraquara defendendo a deliberação de sua assembleia.
Os 21 pontos de pauta não ecoaram na “massa da classe estudantil” devido aos próprios interesses dessa massa, tendo em vista que houve uma greve de professores declarada anteriormente, que fez com que essa mesma “massa” retornasse às suas casas como em situação de férias. Vale pontuar que houve a tentativa do coletivo de ocupação em chamar novas assembleias e plenárias para debater, porém o que se viu foi a expressão máxima dos indiferentes, visto que estas assembleias e plenárias contavam somente com representantes da ocupação e dos centros acadêmicos. A crítica apresentada pelos companheiros poderia ter sido colocada em uma destas várias situações, porém isto não ocorreu.
A própria citação de Lenin utilizada pelo companheiro Rafael mostra uma contradição em seu argumento, tendo em vista que Lenin fala dos trabalhadores e fala também que é necessário estar praticamente envolvido com as lutas sociais que se travam contra os capitalistas.
Na crítica aos comunicados da ocupação, Rafael coloca que estes estavam voltados aos professores. Bom, não faria sentido algum fazer comunicados públicos se estes estivessem voltados somente para os professores e não para os diversos lutadores que existem em nossa universidade. Os estudantes, mediante diversos ataques da direção, que se utilizava de uma ferramenta privilegiada de comunicação, tinham como dever esclarecer a todos os que apoiavam a ocupação e desmentir as calúnias que vinham diretamente de nossos opressores. A tentativa não foi a de satirizar qualquer professor, mas sim tentar traduzir publicamente o sentimento que existia dentre aqueles que efetivamente levaram a ocupação.
Rafael atenta-se na acusação de que os estudantes teriam sido homofóbicos em um papel encontrado pela direção na ocupação e muito bem utilizado na tentativa de deslegitimar os estudantes. Como o mesmo não esteve em ocupação, este não viu as diversas agitações e propagandas de fato usadas pelos estudantes e que, é claro, a direção não as iria divulgar, tendo em vista o caráter combativo das mesmas. A frase citada coloca a contradição da universidade em enviar seus altos membros para o exterior ao mesmo tempo em que afirma não haver dinheiro para a permanência de estudantes pobres na universidade. Repetimos, contudo, que esta não foi uma ação organizada de propaganda e sim puro oportunismo da direção para deslegitimar o movimento, a qual o companheiro Rafael fez coro em seu texto divulgado pela Juventude Marxista.
O companheiro faz a crítica que os militantes deveriam “Evitar seriamente o consumo de álcool e drogas durante a ação”, porém o mesmo não se propôs estar em ocupação, praticando e defendendo o abstencionismo que o mesmo julga necessário para um movimento organizado.
Em meio a estas críticas moralistas envolvendo bebidas e drogas, Rafael coloca que “práticas infantis como colocar fezes na caneca do diretor da faculdade, o que só veio a prejudicar os camaradas presentes na ocupação por radicalizar as ações da diretoria ao nível mais alto possível, o de expulsão.”. Tal afirmação seria cômica se não fosse trágica, tendo em vista que não há radicalidade alguma em tal ação e que este é o principal argumento da direção para desviar o foco da pauta dos estudantes e criminalizá-los. Novamente o companheiro comete o erro de fazer coro com a crítica da direção da unidade, legitimando que uma expulsão é consequência direta das ações do movimento e não uma tentativa da direção de acabar com a mobilização na universidade, punindo de maneira exemplar os estudantes que se propuseram à luta.
O proclamado centralismo democrático é algo impossível para o movimento estudantil, tendo em vista as diversas concepções de mundo que permeiam os militantes envolvidos com o mesmo e que é, justamente, na disputa dessas diversas concepções que estes militantes sinceros com a luta tentam fazer frente aos diversos ataques que recebem, tanto pela direita quanto pela “esquerda”.
Por fim, não foi o fato de ser um grupo “autonomista”, ou seja, não foi o fato de não se ter consigo a necessidade da organização que trouxe alguns erros para os estudantes. Foi a própria configuração do setor estudantil, os ataques da direção e a política de esvaziamento dos espaços realizados pelos grupos que agora aparecem com críticas contundentes ao movimento. Um balanço sincero é sim necessário para avançarmos nas lutas, porém o texto dos companheiros da juventude marxista se demonstra oportunista em face do cenário eminente de repressão.
O autor do texto diz apoiar os estudantes em luta! Mas esse apoio, que não transpassa a barreira do discurso, em nada ajuda a transformar concretamente a capacidade organizativa do movimento estudantil. É aí que se encontra o maior erro do companheiro: suas críticas não são construtivas. Pretende deslegitimar o movimento, sem fazer parte dele. Critica sua organização, mas não ajuda a organizá-lo. Critica suas ações, mas não age conosco. A principal dificuldade organizativa do movimento estudantil é a dificuldade de mobilizar forças para a luta. Portanto, seria um ganho enorme se as pessoas que dizem apoiar esta luta se colocassem ao lado dos que já estão lutando. Aí sim, todas as críticas seriam bem vindas, pois se tornariam críticas construtivas.
Realmente, esperamos e necessitamos de todo apoio e solidariedade no momento e também na luta contra a repressão que se coloca em nível nacional!

E abaixo segue a tréplica dos militantes da Juventude Marxista:

MÉTODOS NO MOVIMENTO ESTUDANTIL

Juventude Marxista - São Paulo - SP

Sobre a forma de atuação da Esquerda Marxista

      Em primeiro lugar, o camarada Rafael Carneiro entrou na Esquerda Marxista já no fim do processo de ocupação da direção do campus da UNESP de Araraquara. Além disso, ele iniciou sua militância organizada após saída de seu emprego na EMBRAER, que limitava bastante sua atuação no Movimento Estudantil (ME) como um todo. Assim, não houve nem tempo hábil nem para organizar sua intervenção centralizada, nem para que ele próprio pudesse militar no movimento por si só. Assim, as diversas acusações que faz o movimento na carta, como o de oportunismo e do camarada ter esperado o momento de fragilidade da ocupação pra infringir um ataque desleal, são infundadas, pois não existiam condições concretas para que ele o fizesse anteriormente. 
        O texto do camarada teve como único objetivo adentrar o movimento de modo centralizado apresentando inclusive as táticas e métodos que construiremos para atuar no movimento. Vale ressaltar que os militantes da Esquerda Marxista nunca foram observadores e sim atuantes no Movimento Estudantil (ME). A prova disso é a tradição que temos na UNESP, em especial no Instituto de Artes, de 2000 a 2004 e 2013-2014. Em 2002, p. ex.,  nosso militante fez parte do DCE que expulsou a UJS e seus métodos burocratizados do movimento estudantil democratizando os nossos espaços. Por isso, foi juridicamente perseguido pela REItoria e pelos próprios militantes dessa corrente política que fizeram frente única com o opressor contra o ME.
        Nem é preciso citar nossa atuação no movimento das fábricas ocupadas, tendo a Flaskô como último exemplo de resistência. Vale ressaltar que temos quatro camaradas condenados por formação de quadrilha em segunda instância por esse mesmo movimento, pela ocupação das fábricas CIPLA e Interfibra. Assim, a unificação com a luta estudantil pela Campanha contra a criminalização dos movimentos sociais não é oportunismo da nossa parte, mas questão de sobrevivência e resistência, oferecendo uma possibilidade de luta em frente única, mas defendendo os métodos que consideramos mais efetivos na luta da classe operária.

A questão das drogas
           
            A Esquerda Marxista tem posição absolutamente contra as drogas, em especial, em momentos de acirramento da luta de classes, como em uma ocupação. Além de ser algo que facilita a criminalização do movimento, somos contra bandeiras como Legalização das drogas, por entendermos que são medidas dos países ricos, imperialistas, para melhor controlar a classe trabalhadora. Exemplos como a inserção da heroína nas comunidades negras dos EUA para combater o Partido dos Panteras Negras, ou a utilização do ópio na China para entorpecer a classe trabalhadora e inibir seu caráter revolucionário são apenas alguns exemplos de seu potencial destrutivo quanto à vontade e potencialidade de luta da classe operária. Contudo, condenamos todo tipo de criminalização de usuário de drogas, por entendermos que se trata de mais uma ferramenta da burguesia para reprimir a juventude pobre e trabalhadora. Assim, a acusação de tratarmos a questão das drogas de modo moralista é pura falácia, nosso ponto é lutar por pautas que, de fato, propiciem à classe trabalhadora sua emancipação.
Para saber mais sobre nossas posições quanto a isso ver: 


A categoria estudantil e o centralismo democrático

            O movimento de ocupação, em boa parte de sua resposta, foca-se em um erro terminológico, quando Rafael fala em “classe” estudantil, ao invés de categoria. Isso não determina a “linha política deste grupo”, como diz o movimento, mas somente uma imprecisão, visto que a reflexão dos companheiros sobre o assunto, muito bem vinda por sinal, nem sequer estava colocada por Rafael. Contudo, a discussão levantada pelo movimento de ocupação é importante, pois aflorou um problema quanto à concepção do movimento dentro da categoria dos estudantes e sua capacidade de organização, que é uma tendência ao sectarismo. Isso fica evidente ao classificar o movimento estudantil de elitista, de modo a isso significar um entrave a seu desenvolvimento político.
            Vejam, de acordo com o colocado pelo grupo:

 “o florescimento do pensamento de classe dos estudantes, que em sua maioria são pequeno-burgueses, não garante o florescimento de uma condição revolucionária, pois a condição revolucionária da luta estudantil é a própria existência da classe trabalhadora na universidade.”

        Companheiros, o florescimento do pensamento de classe dos estudantes não garante seu caráter revolucionário, mas também não garante o contrário. Uma análise materialista e dialética do papel histórico da pequeno-burguesia demonstrará que, mesmo não sendo protagonista, essa classe é, ainda sim, fundamental no combate contra a burguesia, é peso decisivo na balança para a vitória de um dos lados. Renegá-la por seu caráter de classe é um erro, como também o seria considerá-la capaz de liderar o movimento operário.
        Além disso, devemos então esperar que a universidade tenha maioria de proletários para conseguirmos avançar com o ME? Mas então por que não conseguimos isso facilmente nas fábricas, onde o proletariado está em peso? Assim, percebe-se uma tendência a negar a capacidade de unidade do ME, por conta da diversidade sociocultural que o adentra. Será mesmo que contextos mais “elitizados” e policlassistas apresentam tantas dificuldades para a criação de uma organização ampla e unificada?
            Na citação de Lenin no texto As Tarefas da Juventude Revolucionária quanto às diversas linhas ideológicas do ME para sustentar essa forma de pensamento, é necessário realizar uma precisão. Esquecem que, logo após essa citação, Lenin explica que essa divisão não é nada mais que um reflexo do que ocorre na sociedade:

E nem poderia haver outro agrupamento entre os nossos estudantes, porque eles são a parte da intelectualidade que mais sensivelmente reage, e a intelectualidade chama-se intelectualidade porque é a que mais conscientemente, mais decididamente e com mais precisão reflecte e exprime o desenvolvimento dos interesses de classe e dos agrupamentos políticos em toda a sociedade. Os estudantes não seriam o que são se o seu agrupamento político não correspondesse ao agrupamento político em toda a sociedade - «correspondesse» não no sentido da completa proporcionalidade dos grupos estudantis e sociais quanto à sua força e número de membros, mas no sentido da existência necessária e inevitável entre os estudantes dos grupos que existem na sociedade.” (As Tarefas da Juventude revolucionária).

      É importante ressaltar aqui que, em nossa opinião, o texto do movimento de ocupação tende a negar a capacidade de organização centralizada do ME, simplesmente por uma orientação teórica de seus componentes que nega a forma de organização mais eficaz na história do movimento operário, que é o Partido. Em resumo, esse instrumento tem a função de alocar a classe trabalhadora e mesmo pessoas de classes distintas desta sob as mesmas bandeiras, da luta pelo Socialismo. Essa ideia difere totalmente da concepção de partido hoje colocada às massas, como se o partido servisse pra ganhar eleição dentro do parlamentarismo, quando sua função é gerar um nível de organização capaz de destruí-lo e impor a democracia operária. Isso reflete um problema conceitual do grupo que, mesmo que não queiram, acaba no sectarismo. Contudo, temos consciência que, no geral, o interesse comum dessas diferentes classes só ficarão evidentes nos momentos de agudização da luta de classes, como é bem colocado no Manifesto do Partido Comunista:

Por fim, em tempos em que a luta de classes se aproxima da decisão, o processo de dissolução no seio da classe dominante, no seio da velha sociedade toda, assume um carácter tão vivo, tão veemente, que uma pequena parte da classe dominante se desliga desta e se junta à classe revolucionária, à classe que traz nas mãos o futuro. Assim, tal como anteriormente uma parte da nobreza se passou para a burguesia, também agora uma parte da burguesia se passa para o proletariado, e nomeadamente uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram elevar-se a um entendimento teórico do movimento histórico todo” (Manifesto do Partido Comunista)
           
            Assim, é necessário um instrumento que, desconsiderando a origem de classe de seus componentes, ou seja, da classe trabalhadora à classe dominante (nesse caso abandonando seus interesses de classe e se voltando totalmente aos interesses da classe trabalhadora, o que significa lutar pela extinção da propriedade privada dos meios de produção), poderá formar uma frente única para derrotar a burguesia. Foi assim na Rússia, na China, em Cuba etc. e sempre que o movimento operário se utilizou de seus instrumentos mais avançados de organização, como a criação do partido operário, foi mais efetivo na luta contra a burguesia e é essa a saída para organizarmos um forte movimento estudantil CLASSISTA.
            E é essa negação da organização operária mais tradicional, em partido, e pelo método do centralismo democrático que faz os companheiros caírem de vez na pura anarquia organizativa, mesmo que não seja essa intenção:

O proclamado centralismo democrático é algo impossível para o movimento estudantil, tendo em vista as diversas concepções de mundo que permeiam os militantes envolvidos com o mesmo e que é, justamente, na disputa dessas diversas concepções que estes militantes sinceros com a luta tentam fazer frente aos diversos ataques que recebem, tanto pela direita quanto pela ‘esquerda’.

       Como será que os bolcheviques na Rússia de 1917, com toda diversidade étnica, com todas as “diversas concepções de mundo”, conseguiu agrupar 200 mil militantes em Outubro para efetuar a revolução operária? Como o exército vermelho Chinês conseguiu centenas de milhares a apoiar a causa Socialista? Como o movimento operário brasileiro conseguiu se unificar, mesmo com todas as diferentes concepções de mundo (como se sabe os operárias são dividos em categorias pelo patronado, em especial pelo salário, para aumentar a ilusão de que são uns diferentes dos outros), para derrubar a ditadura militar? Simples, tendo como base o método do centralismo democrático: TOTAL LIBERDADE NA DISCUSSÃO, MAS TOTAL UNIDADE NA AÇÃO dentro de uma organização proletária e independente! Essa é a saída para vencer o sectarismo dentro do ME e construir um movimento forte para enfrentar a REItoria e o capitalismo!
       A falta de discussão do método gera o problema de setores diferentes, sejam partidários, apartidários ou não, ao verem suas propostas rejeitadas em assembléias simplesmente deixarem o movimento, ao invés de fazerem a experiência concreta e, em conjunto, tomar outras medidas para a melhor construção do movimento. Portanto, discordamos completamente desse posicionamento sectário quanto ao centralismo democrático, que nada mais é do que a desculpa para melhor exercer a linha “correta” de determinada organização política sem um debate democrático e sem a possibilidade de unidade no movimento estudantil como um todo.
            Assim, colocamos nosso compromisso em adentrar o movimento, mesmo que chegando após a reintegração de posse. Também colocamos a necessidade de frente única com os 15 criminalizados do movimento de ocupação é essencial para a própria defesa dos militantes da Esquerda Marxista, como é o caso dos camaradas do movimento das fábricas ocupadas. Mais do que isso, a campanha que propomos se estende a todos os movimentos sociais e demais organizações operárias, assim como aos milhares de criminalizados, processados e presos políticos que lutam por outra lógica de sociedade, pelo fim do capitalismo, pelo Socialismo!


Seguimos juntos na luta!

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