segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre espaços democráticos, reivindicações e luta!





Lucy Dias

Na Escola Técnica Dr. Emílio Hernandez Aguilar desenvolve-se uma corrida contra o tempo para que a Diretoria eleita, a Democracia Estudantil, agora Gestão do Grêmio, conquiste apoio dos alunos da escola e consigam executar seus planos de trabalho, antes de terminar seu mandato em Março de 2015. Além disso, existem muitas pressões que influenciam nas ações e muitas vezes na organização da gestão, dificultando a tomada de decisões importantes e execução das propostas. Não é pra menos também, pois este é o primeiro grêmio que essa escola ouviu falar em oito anos de existência.
Dentre os aliados, muitos acabam influenciando de maneira negativa, tornando a gestão mais insegura, isso se torna uma pressão desnecessária, pois a orientação é parte do desenvolvimento das próprias experiências coletivas e individuais das pessoas e isso precisa ser pacientemente acompanhado e discutido.
Porém, o grêmio tem em suas mãos, todas as reivindicações dos alunos, e esta é a maior saída pra conseguir apoio. Precisam se organizar para conseguir executar todas as questões que os alunos já levantaram e que é conhecida pela gestão eleita.
Da parte da oposição do grêmio, é preciso separar o joio e o trigo de forma, a saber, usar todas as sugestões/críticas a seu favor.
Uma importante discussão precisa ser feita com os alunos sobre algumas questões pontuais que irão, em algum momento, precisar de uma posição clara e política. Uma delas é sobre as reformas que estão acontecendo na escola, que muitos enxergam como desnecessária e aprisionante. É importante entender o ponto de vista social que a reforma proporciona, pois que rampas, corrimãos, grades de proteção em locais específicos etc.. significam um avanço para que um cadeirante, por exemplo, que venha estudar na unidade, consiga se locomover sem dificuldade. É importante também entender e buscar quais são as deliberações no orçamento e qual é o propósito de sua inclusão nos planos orçamentários. Fazer a discussão dentro da gestão do grêmio e com os alunos, pode significar um avanço democrático sobre essas questões e pode, inclusive, proporcionar um debate sobre quais são as propostas dos alunos sobre as reformas.
Infelizmente, não é possível mudanças como as que clamam, no sentido de promover uma escola que seja menos opressiva, mais democrática, que possa ser um verdadeiro espaço de desenvolvimento das nossas faculdades pessoais, onde os professores possam ser difusores de um conhecimento imparcial, justo, sincero e que realmente seja buscado pelos alunos. Onde essa relação, entre aluno e professor, não seja repressiva e por fim, onde a escola seja uma casa de saber/aprender e não uma prisão de regras, tradições e submissão, e este novo lugar não pode ser assim atualmente, não por que os alunos não querem ou a gestão escolar é contra, mas sim, por que esta instituição não serviria, com esses preceitos, para o sistema em que vivemos. O sistema capitalista de produção, não proporciona espaços de lazer/ensino públicos, gratuitos, de qualidade e para todos por que isto não serviria às suas condições mais básicas de existência: o lucro, a submissão política e a venda da força de trabalho.
A submissão política nas instituições de ensino só existe por que nesses locais estamos tão sucumbidos pelo ensino opressor, pelo vestibular e por um local que não leva a discussão democrática para todas as questões levantadas, onde toda e qualquer movimentação para subversão, discussão é sucumbida. E cada uma dessas barreiras servem para o capitalismo, cada qual a sua maneira, fazendo com que os alunos cheguem ao mercado de trabalho, obedientes ao sistema de produção, amorfos nas regras e submissos à exploração.
Atualmente, as unidades de ensino, inclusive públicas, têm financiamento da iniciativa privada que investirá nesses locais para deles extraírem trabalhadores formados qualificadamente, que irão vender sua força de trabalho e sua competência técnica. E por falar em competência técnica, é tão difícil organizar um sindicato de estudantes numa escola técnica, justamente por que o sistema de ensino é alterado para formar não só bons alunos, mas bons profissionais usam da ética, da moral e da ciência para sucumbir o movimento estudantil e a menina dos olhos dos formandos é uma vaga numa universidade grande, um emprego melhor remunerado, não que seja errado, mas ilude e não acompanha as causas sociais, torna cada vez mais afastado das lutas cotidianas e forma pensadores apartados da realidade social da maioria da população.
É importante que esta discussão seja feita, é importante que a gestão de grêmio não fique iludida em suas inseguranças e consiga ultrapassá-las, que consiga democraticamente atender os alunos e suas reinvindicações. E é de extrema importância que não se apartem das questões sociais, que com certeza, lhes afetarão, futuramente.

Para isso, os militantes da JM estão disponíveis para debater e ajudar a construir uma sociedade com instituições que sirvam aos interesses da juventude e dos trabalhadores. Levaremos a campanha ''PÚBLICO, GRATUITO E PARA TODOS: TRANSPORTE, SAÚDE, EDUCAÇÃO! ABAIXO A REPRESSÃO!'' como resposta aos anseios de muitas questões levantadas e convidados a todos, os alunos e gestão eleita, para nos apoiar.

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