quinta-feira, 24 de julho de 2014

Crise econômica na França e a atuação da Juventude Marxista

Pedro Bernardes Neto

Desde 2008, após a explosão da crise econômica mundial, a classe trabalhadora da França, assim como muitos países do mundo tem sofrido com as políticas de austeridade para salvar os capitalistas.
            O Presidente François Hollande, do Partido Socialista, desde 2012 após sua eleição não tem conseguido fazer nada a não ser defender os interesses da burguesia, assim como faz o Governo do PT no Brasil, ambos “prisioneiros voluntários” da burguesia, pela política de conciliação de classes que aplicam, como resume bem a seção Francesa da Corrente Marxista Internacional (CMI):

Hollande e seus ministros são prisioneiros voluntários do capitalismo, em uma época de declínio do sistema. É claro que os ricos estão ficando mais ricos. Não existe algo como uma crise para eles! Mas o sistema só pode permanecer na existência, em detrimento do resto da sociedade” (1)



            Em 2014 a França já alcançou o maior índice de desemprego desde 2008, 9,7%, sendo 22,7% entre jovens de 15-24 anos (2), que já se colocava com as 35 mil demissões em 2012 só no setor produtivo (1), o que é reflexo direto da crise econômica. Assim, as políticas de conciliação de classe do Partido Socialista só têm diminuído a confiança da classe trabalhadora francesa em Hollande, o que veio a aparecer de modo explícito nas eleições ao Parlamento Europeu, em que o partido de extrema-direita, a Frente Nacional, conquistou 25% dos votos contra somente 13% do Partido Socialista (3), sendo a terceira opção do povo francês. Isso é impacto direto da política de conciliação de classes com a burguesia e das concessões feitas a esta em função do sacrifício da classe trabalhadora.
            A função dos Marxistas na França e no mundo todo é intervir em todas as frentes, desde escolas e universidade até as grandes fábricas e explicar que a solução para a crise econômica é um sistema com economia planejada e democracia operária, o Socialismo, sem ceder um milímetro à burguesia, dialogando e chamando os estudantes e trabalhadores para a luta organizada. Essa é a saída que os trabalhadores esperam e é por isso que os Marxistas atuam no Partido Socialista na França para difundir uma alternativa real de vida melhor a todos dentro das organizações de massas.
            Assim, abaixo segue entrevista com Martin Carmine (28 anos e funcionário público) militante da juventude da Seção Francesa da CMI. Essa é mais uma da série que procura divulgar a atuação dos Jovens Marxistas no mundo todo, demonstrando as diversas formas em que atuamos e que sim, é possível construir uma organização internacional revolucionária para combater o Capitalismo mundialmente:

Juventude Marxista (J.M.): Como você conheceu o marxismo?

Martin Carmine (M.C.): Como estudante. Quando eu tinha 18 anos entrei para a União Nacional dos Estudantes da França (UNEF: http://unef.fr/) , o principal sindicato de estudantes na França. O sindicato foi dirigido por membros reformistas do Partido Socialista francês (PS), mas boa parte era formada de diferentes tipos de militantes de esquerda, que estavam ativos neste movimento. Eu conheci o meu primeiro membro da seção francesa da CMI neste sindicato dos estudantes, por volta de 2006.

J.M.: Como você decidiu entrar na organização?

M.C.: Depois de muitas vitórias e derrotas dentro do movimento estudantil, diferentes membros do sindicato, assim como eu, buscaram perspectivas. Estávamos lutando contra os governos de direita de Chirac e Sarkozy, mas não estávamos convencidos pelo programa vazio do PS. O que me convenceu a participar da organização foi o fato da CMI apontar perspectivas revolucionárias claras, pois tinham um programa radical, mas ao contrário de várias seitas que se reivindicavam marxistas, tentaram não dividir o movimento sindical através da participação em sindicatos e os partidos de massa, mesmo com suas debilidades teóricas.  

J.M.: Em quais lutas você esteve quando estava entrando na CMI?

M.C.: Como estudante lutei contra a "independência" das universidades (na verdade, sua apropriação pelos grandes capitalistas). Desde que iniciei meu trabalho como um servidor público, eu estive em muitas greves para defender as condições de trabalho e as pessoas ao acesso a serviços públicos de boa qualidade.

J.M.: Em quais evento marxistas de formação você esteve?

M.C.: Tenho participado em todas as reuniões nacionais desde a minha adesão em 2009 e para 4 reuniões internacionais.

J.M.: Como é o formato dele?

M.C.: O encontro nacional, congresso ou universidade, se 2 ou 3 dias. Há reuniões plenárias e separa reuniões temáticas.

J.M.: Você tem um jornal especialmente sobre a juventude?

M.C.:  Não, mas temos uma seção do nosso jornal Révolution: Journal Marxiste é dedicada às questões da juventude.

J.M.: Estão os jovens mais abertos ao debate sobre marxismo após o início da crise econômica?

M.C.: A crise econômica revelou fragilidades do sistema capitalista. Na França e no mundo inteiro, os jovens são particularmente afetados pelas agitações da economia. Há um desemprego em massa da juventude, a degradação do acesso ao ensino superior etc. A juventude está buscando soluções e os fracassos das políticas burguesas tornou-os mais abertos às idéias do marxismo.

J.M.: Vocês têm alguma campanha especialmente para jovens?

M.C.: Organizamos círculos marxistas nas universidades. O objetivo é discutir abertamente com os estudantes as idéias do marxismo, que muitas vezes sofrem deformações pela burguesia e os estalinistas, para oferecer-lhes uma perspectiva revolucionária contra os estragos do capitalismo.

J.M.: Onde você fazer essas reuniões?

M.C.: Principalmente nas universidades.

J.M.: Como você os divulga?

M.C.: Por meios convencionais: cartazes, folhetos ... mas também pela internet e redes sociais.

J.M.: Qual é a idade média dos jovens lá?

M.C.: Eu diria que eles são entre 18 e 25.

J.M.:  Eles estão principalmente no ensino médio ou universidade?

M.C.: A maioria deles é da universidade.

J.M.:  No que diz respeito aos jovens da Universidade, de que cursos eles são?

M.C.: É difícil dizer. Principalmente a partir de ciências sociais ou história, mas é bem misturado.

J.M.:  Qual a principal atividade da juventude em sua região  hoje em dia?

M.C.: Há lutas contra expulsões de estudantes estrangeiros (4) e em solidariedade com a Palestina.

J.M.: Como a nossa organização se conecta com essas manifestações?

M.C.: Participamos sempre. Em especial, por causa de nossa participação em sindicatos, partidos de massa e nomovimento estudantil, que são muitas vezes parte desses movimentos.

J.M.: Onde posso encontrar notícias sobre o movimento dos jovens em seu país e em Inglês?

M.C.: Na secção "França" do site IN DEFENCE OF MARXISM: www.marxist.com

FONTES:





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