quinta-feira, 5 de junho de 2014

Qual atitude os estudantes revolucionários devem ter em relação à UNE (Grã-Betanha)? (Parte 2)


Autor: Daniel Morley. 
Tradução: Pedro Bernardes Neto. 
Como ganhar a UNE para um programa socialista?

Como militantes nós devemos habilidosamente usar cada oportunidade e passo tomado pela liderança da UNE, sabendo que eles somente dão passos a frente relutantemente. Nossa tarefa, como Marxistas, é ver em todos os fenômenos concretos uma oportunidade para explicar as idéias marxistas de uma forma positiva e não abstrata. Se a UNE organiza uma marcha, embora com rota inadequada, nós não podemos nos dar ao luxo de ficarmos “em cima do muro”. Nós devemos nos jogar dentro dela desde o início. Somente desta forma nosso criticismo pode, quanto à liderança da UNE, e uma alternativa a mesma, efetivamente alcançar as massas de estudantes amontoadas lá.
Nosso objetivo é colocar a frente um programa claramente socialista para a UNE pela intervenção em sua atividade como os melhores militantes e defensores dos estudantes e dessa entidade. Desta forma nós vamos ganhar credibilidade por corretamente demonstrar o caminho a frente. Com esta base os Marxistas podem, eventualmente, desafiar toda a liderança da união. Organizar suas próprias ações a parte é um pobre consolo pela falha na tarefa real de vencer a batalha política de idéias dentro da UNE.

Na tarefa de alcançar isso, é mais fácil falar do que fazer. Essa é uma questão concreta, não uma de simplesmente aderir a esses princípios em palavras. A maioria dos ativistas, à parte daqueles anarquistas vistos impulsionando campanhas como “Acabem com a UNE”, concordam que ganhar estudantes por tal alternativa, de um programa socialista para a UNE é uma boa ideia. Mas o que é realmente necessário para fazer isso acontecer?

O grande comício no início da mais recente marcha da UNE é um bom exemplo. Novamente, a maioria de todos os manifestantes (activists) concordaria que panfletagens em comícios como este, em suporte à manifestação seria uma boa ideia mas também com críticas à falta de um programa combativo da UNE. Mas fazer isso acontecer efetivamente é uma questão completamente diferente. Não é fácil panfletar para 10 mil estudantes (ou mais, naquela ocasião, 50 mil como em novembro de 2010) e causar impacto em sua consciência. É ainda mais difícil sustentar e manter o impacto em uma campanha para liderar a entidade.

Para fazer isso, o que é necessário é um grande número de difusores de panfletos, o que significa uma organização fortalecida de combativos estudantes a realizando de um modo organizado – em outras palavras, nós precisamos de camaradas vindos de cada sindicatoestudantil presente na marcha, viajando com o resto dos estudantes das suas universidades. Eles precisam trabalhar além da manifestação, para ajudar a organizar aquela viagem da união estudantil à manifestação difundindo (passing) resoluções em seu favor. Eles precisam ter conquistado a confiança da maioria dos estudantes avançado presentes. Nos coletivos marxistas os camaradas da “Socialist Appeal” são o começo deste trabalho.

Os panfletos devem não somente conter um bom material de agitação e reinvidicações, mas devem também estar conectados com uma organização nacional, com encontros organizados em cada universidade. Se, ao invés deste trabalho preparatório ser realizado, as dezenas de milhares de estudantes simplesmente chegarem e encontrarem uns poucos embasados ativistas Londrinos que eles nunca viram antes, entregando panfletos por uma organização com a qual eles não são familiarizados e com um programa de encontros longe de suas localidades, os panfletos terão pouco impacto. Eles seriam difundidos como abstratos e impraticáveis.

O papel dos estudantes marxistas

Escola Marxista Internacional 2014. Evento promovido pela Federação de Estudantes Marxistas na Grã-Bretanha. 

Para alcançar isso, os Marxistas devem se construir ano a ano em preparação para estes eventos. Nós temos que gastar cada período letivo se colocando nesses encontros, educando maiores e maiores camadas de quadros na teoria revolucionária. Esses quadros podem então difundir resoluções em suporte das manifestações da UNE (ou chamando por elas) em sua união estudantil, e tendo papel de liderança fazendo com que suas uniões estudantis as organizem por eles. Eles devem ressaltar em cada oportunidade a necessidade não somente pelas manifestações, mas por um claro programa socialista na UNE e em cada Universidade. Eles devem ter um papel de liderança em conectar o movimento estudantil ao movimento operário em geral e no campus. Isso demanda anos de trabalho paciente.

A falta de tal trabalho preparatório pelos militantes de esquerda foi evidente neste ponto do comício na manifestação de novembro de 2012, onde dezenas de milhares de estudantes foram encontrados por pequenas ou não organizadas forças de esquerda de dentro do movimento. Ninguém, além dos apoiadores da Socialist Appeal, parecia levantar a bandeira de que para alcançar educação gratuita nós precisamos de uma transformação socialista na sociedade. Esse problema ficou também evidente no grande movimento estudantil em 2010/11, quando os militantes de esquerda pareciam não ter nenhum outro programa além das infinitas chamadas para manifestações, uma menor que a outra.

Se uma poderosa organização nacional de estudantes Marxistas tivesse sido construída antecipadamente, ela poderia ter utilizado as grandes manifestações e ocupações em 2010 como plataforma de lançamento para uma coordenada campanha em cada sindicato estudantil, difundindo moções de desconfiança na liderança da UNE, e chamando os sindicatos estudantis e aquelas em ocupações a enviar delegações aos movimentos operários locais. Essas delegações teriam assim forjado fortes laços de solidariedade com trabalhadores, comprometendo-se em apoiar qualquer movimento de greve em defesa de melhores condições e contra os cortes na educação. Eles utilizariam o momento e mão de obra destas ocupações (com cada uma envolvendo centenas de estudantes) para panfletar nos locais de trabalho para as massas sobre encontros Anticortes em cada cidade, patrocinados pelo sindicato dos estudantes.

Nossos camaradas em Cambridge conseguiram fazer precisamente isso em 2010, porque eles tinham gasto anos construindo uma base local com uma semanal sociedade Marxista de encontros atraindo maiores e maiores audiências. Eles ajudaram a organizar e a liderar a construção de um encontro anti-cortes de massas durante a ocupação estudantil que juntou cerca de 300 pessoas da localidade, com centenas mais que tinham ido embora porque o local (room) era muito pequeno! Naqueles meses, o movimento estudantil combativo tinha o ouvido da classe trabalhadora. Foi capa das notícias.

Mas o resto da esquerda organizada não tem gasto seu tempo se preparando com encontros Marxistas de educação semanais. Ao contrário, eles têm gasto anos organizando “campanhas de frente” nas quais a explicação das ideias socialistas é colocada como pano de fundo. Eles têm assim falhado em educar e organizar uma camada sólida de estudantes pelo país com a confiança para pregar o papel necessário.

Na hora da verdade, tais grupos não tinham nada a adicionar ao movimento estudantil de 2010/11 a não ser suas campanhas de frente única. No final das manifestações, tudo que faziam era chamar outra manifestação (a ser organizada por eles mesmos, não pela UNE), como a última. Eles não foram capazes de ascender o movimento a um nível superior utilizando o momento para transformar a UNE, o que não foi mencionado por essas organizações nestes eventos. Eles estavam, como em Novembro de 2012, mais interessados em usar o momento de início da manifestação da UNE para simplesmente chamar mais manifestações lideradas por eles mesmos. Eventualmente, ninguém foi a essas manifestações.

A razão para eles serem incapazes para fazê-lo é que eles não tinham se preparado; não tinham se educado na perspectiva de transformar a UNE em um sindicato de luta com um programa socialista. Diluindo a si mesmos em vagas campanhas de frente única por um curto período de sucessos, quando o movimento ficou pequeno, eles perderam a parte essencial, que era usar o movimento enquanto grande plataforma para ganhar a liderança da UNE.

Essa tática tem por trás dela uma falsa noção que, em simplesmente chamar sua própria manifestação e ocupação sem uma preparação política, nesses trabalhos de campanha aberta, bem intencionados militantes conseguem de alguma forma ser o “pontapé” inicial do movimento de massa. Claro que os ativistas podem e devem influenciar eventos, do contrário nossa inteira atividade seria uma perda de tempo.

Mas as camadas de militantes organizados em questão contam em suas categorias literalmente não mais que uma ou duas centenas de estudantes pelo país, quando isso, com somente alguns punhados ativos de universidade para universidade. Deve também ser adicionado que essa pequena camada está organizada muito livremente e mais frequentemente nem mesmo ter um claro programa ao qual eles adiram. O tamanho de sua força determina as táticas que uma organização deve perseguir. Devem tão fracas forças políticas serem utilizadas em uma vã tentativa de transformar a luta de classes através de ações diretas e separadas, pequenas, mas “combativas” manifestações?

Tentar gritar mais alto do que sua própria voz somente o fará rouco. É muito melhor concentrar seus esforços em educar mais e mais estudantes em idéias socialistas. Isso naturalmente envolve participar na política dos estudantes; de fato, fazer isso é uma parte integral da educação socialista. Mas se alguém está gastando a maior parte de seu tempo encontrando outros ativistas e, ao invés de discutir teoria socialista com eles, meramente discute os prós e contras da política estudantil, quando organizar a próxima manifestação, e a próxima depois dessa, e a próxima depois dessa, inevitavelmente falha na tarefa de construir uma força que pode eventualmente desafiar a liderança da UNE.

A chave para ser um Marxista bem sucedido é ver as coisas em sua correta perspectiva. Somos inteiramente favoráveis de mais, e mais numerosas, e maiores manifestações estudantis por educação gratuita. Suportaremos tais demonstrações sempre quando pudermos, mesmo que sejam pequenas. Mas isso não quer dizer que não teremos desacordo com o local de ênfase nas manifestações e atividade militante por seu próprio bem e independência de táticas envolvidas. Nós queremos lugar ao lado das massas de estudantes e trabalhadores para vencer mais e mais para um programa socialista em favor dos movimentos estudantil e operário, porque somente isso é suficiente para desafiar o sistema capitalista e substituí-lo com um sistema socialista.

Nós temos o máximo de confiança que podemos e iremos alcançar isso. Nos últimos anos os estudantes apoiadores da Socialist Appeal têm provado que a audiência para idéias Marxista genuínas está forte e crescendo. Centenas, se não milhares, de estudantes tem se inscrito em coletivos Marxistas em Universidades pelo país. Nós ajudamos a organizar encontros semanais em Glasgow, Edinburgh, New Castle, Leeds, Sheffield, Cambridge, SOAS, UAL, Kings College London, UCL, Queen Marys, Sussex and Southhampton, com a possibilidade de muitas mais sendo estabelecidas em outros lugares num futuro próximo.

Onde quer que esses coletivos existam, eles rapidamente se tornam um pólo para ativistas e tem frequentemente se transformado nas maiores coletivos políticos dos campi. Isso porque elas embasam a si mesmas em regulares, interessantes encontros que ajudam os estudantes a compreender o socialismo e qual programa o movimento precisa. Esse trabalho deve ser pacientemente construído. Hoje nós temos estabelecido iniciativas embrionárias. Amanhã nós devemos estabelecer as forças do Marxismo nas Universidades num nível superior. Não existem atalhos na luta de classes.

Quando a massa de estudantes surgir novamente à atividade política em oposição aos cortes, será maior e mais duradoura e num nível superior ao de 2010. Quando isso acontecer, os coletivos Marxistas irão, graças aos anos de trabalho paciente, estar em uma posição muito mais fortalecida para intervir e vencer mais e mais amplas camadas a idéias revolucionárias no movimento estudantil.

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