quinta-feira, 19 de junho de 2014

Juventude Francesa se mobiliza contra avanço Fascista

Autor: Pedro Bernardes Neto

            Nas últimas semanas ocorreram as eleições para o Parlamento Europeu, que delibera politicamente e economicamente para os mais de 500 milhões de cidadãos do continente. Os resultados, como colocado na resolução do 30º Congresso da Esquerda Marxista em abril de 2014, apontam para o forte acirramento da luta de classes no continente e no mundo.
            É nesse contexto que a juventude, mesmo sem um programa claramente socialista, se mobiliza contra o avanço da extrema direita na Europa. Esse é o caso da juventude francesa que decidiu demonstrar que existe alternativa à Frente Nacional, partido de extrema direita na França, e vencedor das últimas eleições ao parlamento europeu no país.




            A população já não agüenta mais sofrer com os males do Capitalismo e começa a exigir outra sociedade. Como colocado na resolução do 30º congresso da Esquerda Marxista:



"Uma pesquisa realizada em dezembro de 2012 na Grécia revela que 63% das pessoas querem uma mudança fundamental na sociedade, enquanto 23% querem uma revolução. De fato, 86% olham para a revolução como o caminho a ser seguido."




Quando a luta de classes se acirra, inevitavelmente, os partidos de centro, tanto de esquerda ou direita, começam a perder voz e credibilidade. Neste momento a população começa a aceitar medidas mais radicais de transformação social. Isso quer dizer que tanto os partidos revolucionários, com um programa socialista de tomada dos meios de produção pela classe trabalhadora, quanto os de extrema direita, onde estão presentes aqueles com uma plataforma neo-nazista de destruição das organizações dos trabalhadores, comecem a ganhar força. O caso da Ucrânia foi o mais desastrosos para a classe trabalhadora nesse sentido, onde uma o Fascismo de expressa de modo mais contundente.
            É exatamente isso que temos visto na Europa. Em países como a Grécia, os partidos mais radicalizados à esquerda ganharam a simpatia do povo. O Syriza com programa mais a esquerda obteve maioria dos votos para o parlamento europeu com 26,7% dos votos, consagrando sua primeira vitória, mesmo “endireitando” o programa nos últimos tempos, com medo de perder apoio popular. Contudo, a organização grega neonazista Aurora Dourada, obteve pouco mais de 9% dos votos, resultado que deve ser pensado com cuidado pela classe trabalhadora enquanto indicativo de avanço fascista no mundo. (1)
            O dado mais assustador foi a vitória do partido de extrema direita, a Frente Nacional, na França, que conquistou a maioria das cadeiras francesas no parlamento europeu, com 25%. Essa vitória da França também se reflete no resultado da Inglaterra, onde outra organização de extrema-direita, o Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP sigla em Inglês) conquistou a maioria com 22% dos votos. (2)
            Trotsky analisou quais os fatores que determinavam o avanço do fascismo na Alemanha na década de 30:

“O crescimento gigantesco do nacional-socialismo é uma expressão de dois fatores: a crise social profunda, jogando as massas pequeno-burguesas fora de equilíbrio, e a falta de um partido revolucionário que seria considerado pelas massas do povo como um líder revolucionário reconhecido. Se o Partido Comunista é o partido da esperança revolucionária, então o fascismo, como um movimento de massa, é o partido do desespero contra-revolucionário. Quando a esperança revolucionária abraça toda a massa proletária, ele empurra inevitavelmente no caminho da revolução consideráveis ​​e crescentes da pequena burguesia. Precisamente nesse plano a eleição revelou a imagem oposta: desespero contra-revolucionária abraça as massas pequeno-burguesa com uma tal força que chamou atrás dele muitas seções do proletariado” (GRIFO NOSSO) (3)

            Ou seja, Trotsky descreveu há mais de 80 anoso que se mostra verdadeiro ainda hoje, que quando os partidos mais radicalizados se colocam de modo consistente com um programa de revolução socialista ele tem sim apoio popular, como é o caso na Grécia. Contudo, sem um partido revolucionário existindo enquanto alternativa real às massas, abre-se a porta para a pequeno-burguesia e, a partir dela, os trabalhadores serem cooptados pelos grupo de extrema-direita, que oferecem, também outra forma de sociedade. É o que vemos na França e Inglaterra e, de modo mais destrutivo na Ucrânia, onde as organizações de esquerda estão sendo atacadas e destruídas pelo governo de Kiev.
            É nesse contexto que a juventude francesa decidiu ir às ruas para demonstrar que a classe trabalhadora e os estudantes aprenderam sim com o passado e que querem construir um novo mundo, mas um mundo Socialista, de igualdade, de liberdade e de fraternidade, não o regime ditatorial, racista e fascista que propõe os partidos Nacionalistas. (4) 


            Os estudantes franceses não se conformam com o resultado dessa eleição:

Respeitamos o resultado das eleições, da democracia, mas não aceitamos os valores da Frente Nacional” disse Silvio Phillippe, um dos organizadores do ato em Lyon e ele ainda alerta: “A DEMOCRACIA NA FRANÇA ESTÁ EM PERIGO”. (5)
            Mesmo aqueles que ainda acreditam na democracia burguesa, do capitalismo, consideram inaceitável o avanço Fascista. E o problema da adesão da população ao programa da extrema-direita vai muito além da França e começa a se alastrar por todo o mundo, como ocorre na Ucrânia. É exatamente por isso que na CMI também iniciamos nosso apoio à luta antifascista na Ucrânia e no mundo, a considerando essencial em nossa luta contra o avanço fascista.


            Saudamos os companheiros que lutam contra a extrema direita na França, mas é necessário deixar claro que somente um programa socialista revolucionário será uma alternativa real aos trabalhadores do mundo todo, para a derrota do Fascismo e a construção de uma sociedade socialista por todos os trabalhadores do mundo!

Fontes:



(3) https://www.marxists.org/archive/trotsky/works/1944/1944-fas.htm (trecho tirado do texto: THE FASCIST DANGER LOOMS IN GERMANY)




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