quinta-feira, 12 de junho de 2014

Entrevista com o Coordenador da Federação de Estudantes Marxistas da Grã-Bretanha.

Pedro Bernardes Neto

Ben Gliniecki é membro da seção inglesa da Corrente Marxista Internacional (CMI), a Socialist Appeal, e coordenador da Federação Marxista de Estudantes na Grã-Bretanha.

Nesta breve conversa ele divide sua experiência com o Marxismo desde antes de pensar em política até sua experiência atual enquanto coordenador da Federação de Estudantes Marxistas. Neste movimento os camaradas britânicos  têm reunido milhares de estudantes para debater e agir prol um programa revolucionário na Grã-Bretanha, pela criação de Sociedades Marxistas em cada escola e Universidade de seu país. Além disso, essa entrevista proporciona elementos importantes para melhorarmos nossa própria atuação e mesmo perspectiva de ação enquanto Marxistas no Brasil e no mundo.

Para conhecer mais sobre a Federação de estudantes Marxistas acesse o site: http://marxiststudent.com/


Como você conheceu o marxismo?

Em 2010, na Universidade, durante a luta contra o aumento das taxas para as Universidades. Conheci os Marxistas da Socialist Appeal na ocupação.

Como você decidiu entrar na organização?

Nesta ocupação havia muitos grupos diferentes, mas as idéias foram explicadas de forma muito clara pelos nossos camaradas e a prática era tão objetiva quanto as idéias que era expostas. Ele conseguiu ter uma perspectiva melhor especialmente depois de nossos camaradas colocarem dentro da ocupação os sindicatos e a comunidade dentro, tornando-a mais do que um movimento estudantil.

Em quais lutas você esteve quando entrando na CMI?

Na ocupação em 2010, como dito. Antes ele somente lia livros, ele não estava envolvido com outras coisas. Coloca que frequentou a Sociedade marxista de sua universidade algumas vezes também.

Em quais atividades marxistas você esteve envolvido?

Na Federação de Estudantes Marxistas. Lá eles têm uma reunião semanal para discutir idéias marxistas: analises de questões atuais, fatos históricos e teoria marxista (classicals). Alguns desses encontros são debates com outros grupos como o Partido Trabalhista, anarquistas etc Tudo isso em nível local.

No nível nacional aponta que já organizaram um debate entre Alan Woods e Orlando Figes sobre a Revolução Russa; e eventos da Campanha Tirem as mãos da Venezuela e da Campanha de solidariedade com a resistência anti-fascista na Ucrânia.

Como é o formato desses debates e encontros semanais?

Debate: 10 min cada um, em seguida, o público se coloca com tempos de fala divididos, em seguida, cada orador tem a chance de responder no final.

Encontros semanais: Informante inicial introduz o tema em 30 min - então a discussão é aberta ao público, que pergunta e contribui para a discussão. No final, o orador fecha o ponto respondendo a tudo que foi colocado.

Você tem um periódico especialmente sobre o trabalho de juventude na Grã-Bretanha?

Nós produzimos uma revista e um jornal falando principalmente da teoria: anualmente em setembro. Ambos são feitos por estudantes marxistas. Eles estão avaliando o grau de sucesso para decidir se no próximo ano farão mais ou menos eemplares.

Se sim, como os jovens do seu país podem obtê-lo?

Nós o vendemos no site e nas reuniões da Federação de Estudantes Marxistas.

Após a crise da economia, estão os jovens mais abertos ao Marxismo?

Sim, certamente isso é um exemplo. Desde a crise o povo começou a reconhecer que há um problema no capitalismo, mesmo que o socialismo não seja a solução imediata para todos eles. Mas isso faz o nosso trabalho mais fácil. Muito mais pessoas estão abertas para as idéias do marxismo hoje.

Você tem alguma campanha sobre especialmente jovens?

Federação de Estudantes Marxistas nas Universidades, o nosso foco. E o número de  jovens agora com origem proletária é muito maior do que 50 anos atrás, o que facilita o trabalho. 

Como é a atuação em outras frentes de intervenção para a Federação de Estudantes Marxistas?

- As escolas locais, onde atuamos vendendo os materiais da CMI e nos apresentarmos como uma Federação de Estudantes Marxistas na frente das escolas.

- É importante ressaltar o crescimento que estão tendo entre os trabalhadores jovens: Southhamptom é um exemplo de uma atuação apenas na Universidade, mas que tem atraído os jovens trabalhadores e os recrutando apenas pelas reuniões públicas que promovem.

Qual o Local de realização dessas reuniões?

            Na maior parte das vezes os encontros acontecem na Universidade, e às vezes na cidade. O ponto é: ter um encontro público em qualquer lugar. Os trabalhadores não são hostis às idéias do marxismo, ou de um debate dentro da Universidade. Queremos atrair pessoas que estão interessadas nas idéias do marxismo -, descobrimos que os jovens estão muito interessados ​​em  realizar reuniões nas universidades, e temos constatado os trabalhadores interessados não têm medo de chegando às universidades para discutir o marxismo.

Qual a forma de divulgação do Marxismo na juventude da Federação Marxista de Estudantes?

No geral folhetos e cartazes são o melhor caminho. Os lugares onde eles temos as reuniões maiores são os lugares onde temos os melhores folhetos e cartazes.

Qual o foco da Federação de Estudantes Marxistas?

            Nosso foco são os jovens, estudantes ou trabalhadores, interessados ​​em educar-se na teoria marxista.

Qual é a idade média dos jovens desse movimento?

20-21

De qual nível de ensino eles são majoritariamente?

Do nível superior.

No que diz respeito aos jovens da Universidade, de quais os cursos universitários eles fazem parte?

É uma mistura real. Muitos de Ciências, História, Direito, etc.

Qual a principal atividade da juventude na Grã-Bretanha hoje em dia?

Na Grã-Bretanha o movimento estudantil está bem morno no momento. Muito diferente que 2010. O importante é que eles estão crescendo e vão se preparar melhor para o próximo movimento.

Onde posso encontrar notícias sobre o movimento dos jovens em seu país e em Inglês?

O site da União Nacional dos Estudantes (NUS) é muito ruim - mas isso é um reflexo da fraca liderança do movimento estudantil na Grã-Bretanha. A "Campanha Nacional Contra Comissões e Cortes" tem um site que tem mais informações, mas este é um grupo ativista com autoridade limitada no movimento. É bastante difícil encontrar informações sobre os movimentos de jovens na Grã-Bretanha, no momento presente, porque o movimento está em um período de refluxo.


Em quantas Sociedades Marxistas você trabalha? Quanto tempo você gasta com elas?

Total: 20 sociedades marxistas.A primeira começou há cinco anos. Porém, apenas este ano eles conseguiram mais 6 sociedades marxistas. Há cinco anos não tínhamos um grupo de estudantes próximo do tamanho que temos agora. É um trabalho muito paciente. Muito cansativo e às vezes frustrante, mas, eventualmente, ele começa a crescer mais rápido e mais rápido.

Como vocês enfrentam os movimentos sectários?

Nós debatemos com eles, para provar ao nosso próprio companheiro que nossas idéias são superiores. Não é para ganhar ou convencê-los (embora, por vezes, ganhamos companheiros dos grupos sectários sobre as nossas idéias), é principalmente para convencer nossos próprios contatos. Nosso foco é o nosso trabalho e nós tendemos a ignorar grupos sectários.

Um exemplo de como essa conduta é efetiva é a nossa sociedade Marxista em Cambridge. Havia outros grupos 3, 4 quando a iniciamos e eles desaparecem, não porque temos forçá-los com métodos agressivos, mas simplesmente porque as nossas ideias eram melhores e continuamos a fazer o nosso trabalho. Foram recrutados os membros para nosso coletivo e eles não fizeram o mesmo.

Como foi a construção do Congresso da Federação de Estudantes Marxistas?

A melhor coisa foi ver todos os jovens de CMI executando o Congresso por si. Eles foram os únicos que falaram, que abriram e  encerraram as discussões.  É um grande campo de treinamento para nossa atuação no futuro. 

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