sexta-feira, 27 de junho de 2014

1º aniversário das jornadas de junho: nosso bloco na rua!

Caio Dezorzi

O último dia 19 de junho marcou 1 ano da histórica luta que revogou o aumento de 20 centavos das tarifas de transporte público em São Paulo e pelo menos outras 100 cidades pelo Brasil. E nada melhor pra comemorar isso do que reivindicar a tarifa zero. Assim fizemos! E ainda aproveitamos para exigir a readmissão dos 42 metroviários demitidos durante a recente greve da categoria.

Fruto do que ficou conhecido como “as Jornadas de Junho”, depois de muitas manifestações de rua nas semanas anteriores, depois de milhões de pessoas caminharem quilômetros pelas cidades e depois de muitos sofrerem muita repressão policial, com muitos feridos, presos e algumas mortes, Alckmin e Haddad recuaram em São Paulo e foram seguidos por prefeitos de muitas cidades.


O movimento acabou refluindo e só não foi além, conquistando passe-livre estudantil ou tarifa zero, ou mesmo derrubando o Governo de SP ou do RJ, em parte por responsabilidade da direção do movimento operário brasileiro (PT e CUT) e em parte pelas limitações do próprio movimento, em particular do MPL (como já analisamos em diversos artigos, como neste, neste outro e mais este).

Um ano depois, o MPL-SP convoca um ato para comemorar o aniversário deste importante evento, no dia 19/06/2014. A princípio, o ato deveria sair da Praça do Ciclista e marchar até o Largo da Batata (local da concentração do histórico ato de massas de 17/06/2013). Entretanto, 3 dias antes, o MPL decide mudar o percurso e destino do ato, planejando fazer a festa em plena pista da Marginal Pinheiros.

Aparentemente, o MPL aprendeu algumas lições com as jornadas do ano passado. Mas só algumas. Desta vez divulgou o trajeto da manifestação antes (coisa que nunca tinha feito). Em seu novo site, embora continuem sendo adeptos do “método do consenso” para questões de princípio, avançaram quando colocam: “nas deliberações não referentes a princípios, deve-se buscar propostas consensuais, na impossibilidade, deve-se ter previsto o recurso à votação”. Entretanto, sua prática antidemocrática persiste: não foi aberto nenhum espaço para apresentação e votação de propostas na concentração do ato; nada de som amplificado, apenas a leitura de uma carta do MPL no jogral e “sigam-me os bons”.

Também continuam se recusando a formar um Comitê de Frente Única com todos favoráveis à luta pela tarifa zero, o que permitiria planejar e organizar as manifestações de maneira mais coletiva e democrática, inclusive organizando um Serviço de Ordem Unificado, para impedir certos desenvolvimentos desastrosos e infiltração de provocadores da P2 e outras forças obscuras.

O resultado todos sabemos: a falta deste espaço democrático antes e no início do ato, a falta de uma direção com som amplificado, a falta de um Serviço de Ordem Unificado do ato, permitiram mais uma vez que indivíduos e/ou pequenos grupos impusessem sua vontade sobre a maioria.

Essas medidas que propomos ao MPL há vários anos, não são apenas uma reles proposta da Esquerda Marxista, senão a síntese dos métodos de combate do proletariado mundial acumulados em séculos de luta de classes.

O fato é que, mesmo durante a Copa (e em dia de jogo da Copa em São Paulo), com a cidade sitiada pelas forças de repressão, conseguimos realizar um ato e uma passeata, impondo nosso direito à livre manifestação, pelo menos por algumas horas. Isso já foi uma grande vitória! Entretanto, mais uma vez, a imprensa preferiu mostrar a ação minoritária e individual de alguns (que não sabemos se eram infiltrados da P2 disfarçados de manifestantes mascarados, ou apenas idiotas úteis), quebrando vitrines de lojas de carros e bancos, enquanto quase 2 mil pessoas faziam uma bela manifestação pela tarifa zero.

Não havia policiamento acompanhando a manifestação como de costume – apenas um helicóptero observando e tropas se deslocando fora da vista dos manifestantes, em vias paralelas. Havia rumores de que o MPL teria pedido ao comando da PM para não realizar policiamento ostensivo. Mas isso caiu como uma luva para a repressão. Queimada perante a opinião pública por conta dos exageros que feriram jornalistas internacionais no dia da abertura da Copa, a PM queria mostrar agora que “sem repressão é pior”: manteve os fardados distantes da manifestação e infiltrou a P2 disfarçada de Black Bloc para “tocar o terror” quebrando bancos, agências de automóveis, etc. A imprensa nacional e internacional se aglomerava em volta das depredações como urubus cercam a carniça, enquanto a massa marchava desapercebida no centro da avenida.

O MPL até ensaiou um cordão humano para impedir que Black Blocs fizessem as depredações, mas sem experiência e sem uma organização coletiva com todos os blocos componentes do ato, foi muito ineficiente.

Nos parecia bastante óbvio que dentre os Black Blocs haviam policiais e agentes provocadores infiltrados. Os Black Blocs cada vez mais são utilizados e manipulados pela repressão. Servem para “legitimá­-la” perante a opinião pública, não somente contra eles, mas contra todos! São inúteis para a luta contra o capitalismo e fazem muito mal aos movimentos de massa organizados.

Foi a primeira vez que a recém-nascida campanha “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!” pôs seu bloco na rua. Com uma bateria, faixas e bandeiras o bloco animou manifestantes de diversas colorações políticas durante o ato. Com palavras de ordem e canções próprias, surpreendia os manifestantes acostumados a repetir apenas os cânticos do MPL. O bloco também organizou um serviço de ordem para garantir a integridade física de seus membros, da bateria e a organização da atividade. Foram distribuídas centenas de cópias do manifesto da campanha e abertos novos contatos.

No final, o MPL decidiu encerrar o ato com uma festa que bloqueava as pistas da Marginal Pinheiros. Na hora o bloco da campanha se reuniu para discutir, considerou uma irresponsabilidade e falta de senso de proporção (Se tivéssemos dezenas de milhares poderíamos bloquear a Marginal, mas com menos de 2 mil? E com qual objetivo?), e decidiu se retirar da “festa”. Nos parecia que o MPL queria provocar a repressão para criar um “fato político”.

Uma festa no Largo da Batata, como planejado pelo próprio MPL inicialmente, poderia propiciar uma verdadeira confraternização popular, com interação entre os ativistas do movimento de diferentes agrupamentos que dificilmente se encontram em outros espaços. Usando o calçadão do Largo da Batata não haveria “pretexto” para a repressão.

De qualquer forma, a situação segue favorável. É a primeira vez que um ato convocado pelo MPL reúne tanta gente em São Paulo sem ter havido aumento das tarifas. De nossa parte, seguimos nas escolas e universidades construindo a campanha nacional “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde, Educação! Abaixo a Repressão!”. Junte-se a nós!

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