terça-feira, 27 de maio de 2014

Greve na USP: Lutar até o fim!


Arthur Penna


No histórico dia 21 de Maio deste ano, as três categorias que compõem a Universidade de São Paulo (USP), que são professores, funcionários e estudantes, paralisaram suas atividades e realizaram assembleias, que reuniram milhares de pessoas. Ao final do dia, os três setores deliberaram greve geral na USP a partir da próxima terça-feira. Dessa vez, os ataques promovidos pelo governo estadual e pelas fundações privadas através da reitoria foram de tal ordem que conseguiram arrastar os professores mais desinteressados para as mobilizações.


Desde o começo deste ano, quando o novo reitor da USP, Marco Antonio Zago, anunciou cortes de até 30% no orçamento da universidade, estava claro que essa era apenas a primeira de uma série de medidas destinadas a preparar o terreno para uma privatização mais ampla e generalizada. Portanto, a tal “crise financeira da USP” não passa de um pretexto para mascarar a real intenção da reitoria e do próprio governo estadual, sendo que a maior universidade do país dispõe de um fundo de bilhões de reais para investir no que quiser.

Mas Zago foi mais além e acabou desferindo golpes contra aqueles que, em sua maioria, sempre se mantiveram neutros em relação aos atos da reitoria ao anunciar que os professores também teriam um aumento de 0% em relação à inflação, o que na prática significa a diminuição dos salários. A declaração quase imediata de greve por parte das duas categorias profissionais da universidade e o apoio total que recebeu dos estudantes é um sinal de que a situação política mudou de vez também na USP. Nunca antes os três setores agiram de forma tão coordenada e unificada contra os desmandos da reitoria.


Por toda a parte, a burguesia desfere golpes contra a classe trabalhadora, em uma tentativa de fazer com que ela pague por sua crise. Todos os setores serão atingidos. Para os estudantes, o essencial é retomar as pautas de construção de moradia e permanência estudantil, além de combater a crescente privatização da universidade representada pelas diversas fundações ali instaladas. É importante retomar a mobilização até então resfriada devido à greve do ano passado com comissões de mobilização e próximas comissões de greve que devem ser bem articuladas entre o conjunto dos estudantes e uma clara visão de universidade pública, gratuita e, de fato, para todos.

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