segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Comitês de luta são formados em todo o Brasil

Johannes Halter


Apesar da iniciativa de milhões de pessoas até então apáticas diante das questões sociais do Brasil, a situação política tranquilizou-se com relação às manifestações de junho de 2013. Os políticos de Brasília já estão mais calmos e a presidente Dilma Rousseff, também. Porém, um clima de incertezas sobre 2014 recai sobre todos. É nesse contexto que surge a campanha “Público, Gratuito e ParaTodos: Transporte, Saúde e Educação! Abaixo a Repressão!”

A raiva desencadeada em 2013 significou o início da compreensão, por muita gente, de que o capitalismo não consegue garantir suas vidas. Ao invés de oferecer uma saída para a crise despertada em 2008, o governo continuou a gastar quase metade de seu orçamento com a dívida pública interna e externa. Ao mesmo tempo, realizou medidas para dar impulso para a indústria e demais setores econômicos.

Para quem não tem a vida garantida, a situação foi de cada vez mais redução das já frágeis condições de vida. O transporte coletivo está nas mãos de empresas privadas, com o objetivo de lucro refletido em preços altos, poucas linhas e superlotação. Serviços públicos como saúde e educação recebem dinheiro insuficiente para garantir um atendimento de qualidade. Ao mesmo tempo, vários projetos encobrem o fato de não haver vagas para todos e cobra-se por atendimentos.

A quem se recusa a aceitar a situação calado, o governo está ensaiando a resposta: repressão. É dessa forma que a prática de terrorismo estatal aplicada nas periferias do país pela Polícia Militar está sendo dirigida a quem também decide protestar contra as injustiças. Tratam como criminosos aqueles que apontam as falhas desse sistema social e a necessidade de sua superação.

Programa de reivindicações

Essas questões resumem problemas práticos vividos pela maioria dos trabalhadores brasileiros. A indignação dos que saíram às ruas cobrava o fim dessas contradições, todas relacionadas. Elas são fruto de uma mesma crise central, que não é econômica, mas sim de civilização.

O modo capitalista de produção da vida desencadeou uma situação em que o Estado protege os ricos e criminaliza os trabalhadores e a juventude. A sociedade tem o potencial de alimentar toda a humanidade, mas a fome, a miséria e a exploração imperam. Quem sai beneficiado são multinacionais, bancos, a especulação e grandes empresários. Tudo isso exige a superação do capitalismo para se solucionar os problemas existentes.

A questão da ausência de um programa de reivindicações claro nesse sentido evidencia-se em situações excepcionais como em junho de 2013. As pessoas começam a agir, interessar-se por política e desejar tomar o controle sobre suas vidas. O manifesto “Público, Gratuito e Para Todos: Transporte, Saúde e Educação! Abaixo aRepressão!”, lançado em novembro, tem o objetivo de servir como esse programa. Em seis pontos, o documento sintetiza as cobranças levantadas em junho e tem o potencial de unir milhares para alcançá-las.

Comitês de luta

Para alcançar esses itens, a Juventude Marxista está impulsionando a criação de comitês de luta em todo o país. Eles estão sendo formados por jovens dispostos a entrar em movimento para mudar a realidade de forma revolucionária. O objetivo está sendo multiplicar os comitês em escolas, universidades e espaços públicos, difundindo um abaixo assinado, direcionado à presidente Dilma Rousseff, cobrando as reivindicações do manifesto.

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