quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sobre os presos nas manifestações contra o aumento da passagem em São Paulo

Por Fernando Cherot Nogueira*


Imagem: Occupy Brazil

Um dos presos do ato de hoje, que não quebrou nada e estava lá se manifestando por um transporte público melhor, como a grande maioria dos presentes, é meu irmão.

Se já não bastava a violência da polícia, que encurralou e agrediu covardemente os manifestantes desarmados, com bombas e espingardas de borracha, agora o filha-da-puta do delegado quer cobrar fianças de até 20mil para que os presos possam receber seu julgamento em liberdade.
É um absurdo que o delegado seja quem determine "na hora" essas fianças, sem apuração nenhuma dos diferentes casos. É bizarro que seja esse o valor.


É um absurdo a PM prender as pessoas por se manifestar no espaço público, sem discernimento nenhum entre quem está quebrando os ônibus e quem não está.

É um absurdo a normalização da violência praticada cotidinamente pela Polícia Militar - braço armado do fascismo paulista - tanto no centro como nas periferias pobres da cidade.

É um absurdo ver apenas fotos de ônibus pegando fogo nos sites da grande-mídia, usadas para representar um ato onde compareceram mais de 10 mil pessoas, que na sua maioria protestaram pacificamente.

É revoltante ver a cidade e o povo sendo tratados dessa forma pelos governantes.

Ainda assim, há esperança. Num contexto de crescente opressão por parte do Estado, seja pelo preço de ir-e-vir, seja pelos cassetetes, vejo a juventude se levantar por seus direitos.

Somadas as manifestações dessa semana, foram mais de 30mil pessoas nas ruas de São Paulo, lutando pela liberdade e por uma cidade mais justa. Paramos a cidade, e isso é histórico!

Vamos às ruas, camaradas! Quinta-feira tem mais!

Em relação ao meu irmão, vou agora à delegacia, acompanhado de vários amigos e familiares, e sugiro que o movimento se organize para tirar os presos políticos de lá. 



*Reproduzimos nesse blog a opinião literal do autor divulgada na internet. Leia aqui


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