segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lutas contra os aumentos das tarifas colocam Brasil no roteiro dos movimentos de protesto pelo mundo

Por Johannes Halter
Membro da Comissão Nacional da Juventude Marxista


São Paulo: R$ 3,20; Recife: R$ 3,45; Porto Alegre: 3,05; Goiânia: R$ 3,00; Curitiba: R$ 2,85; Rio de Janeiro: R$ 2,95. Esses preços são apenas uma amostra dos novos valores da tarifa de ônibus que tiveram aumento em todo o Brasil neste primeiro semestre de 2013. Eles despertaram o sentimento de indignação presente nos milhares de usuários dos sistemas de transporte coletivo. Mas será que, em um contexto de crise mundial e de resistência popular em vários países, a indignação que as manifestações estão mostrando dizem respeito apenas ao transporte coletivo?

As condições econômicas de vida dos trabalhadores brasileiros têm sido ameaçadas permanentemente diante da crise econômica mundial. As pessoas não são bobas como alguns acham. Elas pensam sobre a situação da sociedade quando chegam no supermercado e olham o novo preço da margarina, quando vão comprar o sofá precisando comprometer seu salário por meses, quando vão pagar a conta de telefone. Fazem ligações entre o que está acontecendo na economia, com o aumento da inflação, com a queda do país no ranking econômico e com as peripécias do Ministro da Fazenda sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

Para entender o porque das mobilizações em São Paulo, em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em todo o país contra o aumento nas tarifas é esclarecedor analisar o que despertou a Primavera Árabe. Na Tunísia, o suicídio de Mohamed Bouazizi, em 17 de dezembro de 2010, foi a faísca do movimento árabe. Ele ateou fogo ao próprio corpo protestando contra a apreensão de suas mercadorias. Isso provocou alguns movimentos contra a situação dos preços dos produtos no país. Porém, o movimento começou a agregar outras pautas econômicas além daquela, ganhando um caráter de massas, com as pessoas se identificando com a multiplicidade de pautas que o movimento passou a levantar.

Fenômenos semelhantes de espontâneidade surgiram depois na Espanha, com os Indignados da Puerta del Sol, em Portugal, com a Geração à Rasca, e na Grécia, com a ocupação da praça Syntagma. Outro exemplo semelhante foi dado pelos vizinhos chilenos, que estão saindo aos milhares por educação pública e gratuíta para todos. A condição psicológica dos jovens e trabalhadores em todo o mundo está chegando a condições de esgotamento.

Há um pano de fundo em todas essas mobilizações: uma crise social, econômica e financeira em escala mundial. Essa situação funciona como um fio de ligação entre todos os esses movimentos, provocando impactos na consciência dos jovens e trabalhadores do mundo todo.

Em março, milhares foram às ruas da capital gaúcha, resistiram à polícia e derrubaram o aumento. Neste mês de junho, as ruas de várias cidades, como as da capital paulista e fluminense, foram tomadas contra os aumentos das tarifas. Mas será que as pessoas não estão se mobilizando por algo maior, que neste momento está concentrado na bandeira da luta contra o aumento?

Quando a tarifa do transporte aumenta, os 99%  da população sabem que as coisas estão ficando mais difíceis. Mais difíceis porque o regime capitalista já provoca uma situação ruim nos setores da educação, da saúde, do emprego, da cultura e demais. Neste momento, as manifestações em todo o país estão reunindo alguns milhares de corajosos pelo aspecto do transporte. E se o movimento experimentasse o que fizeram os tunisianos, os espanhóis ou o que estão fazendo neste exato momento os turcos: integrar na sua pauta as lutas de todos os oprimidos e chamá-los para as ruas. Isso poderia desencadear um movimento de massas, com reivindicações peculiares, mas com consciência de solidariedade mútua.

As manifestações que estão anunciadas para a próxima semana, por todo o país e pelo mundo, em solidariedade aos movimentos contra a tarifa que estão sendo reprimidos mostram que a juventude está disposta a lutar. Os movimentos internacionais de rebelião estão cumprindo um papel fundamental nessa postura. Em todo o Brasil, seria muito bem visto todas as reivindicações dos movimentos sociais tremulando nas manifestações. O combate é contra os aumentos da tarifa. Sim. Mas não precisa limitar-se a isso.


A juventude entá entrando em cena, de forma praticamente expontânea. Isso tem um porque: os aumentos da tarifa são um símbolo da situação em que o poder econômico colocou os trabalhadores e, especialmente, a juventude. Um símbolo de algo muito maior. Símbolos como os aumentos da tarifa estão sendo questionado por movimentos em vários cantos do mundo. Por que não colocar em xeque mais representações desse sistema em crise? Mas uma coisa é certa: estamos entrando no roteiro de protestos que acontecem mundialmente.

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