quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O apartidarismo e a democracia

Daison Roberto Colzani
Militante da JM Jpinville - SC



Os grandes partidos operário-burgueses (PS´s e PC´s) já não tem a mesma força de outrora, estão em grande parte desmoralizados e sua influência na classe operária é pontual e limitada. A falência desses partidos tem consequência direta na organização da classe, pois embora se encontrem estas organizações a serviço do capital, não é de se esquecer que também foram a referência para os trabalhadores de todo o mundo. Deparamos-nos, portanto, com uma situação em que há um vácuo a ser preenchido, que deve ser ocupado por um partido operário independente que represente os anseios do proletariado, que esteja a serviço da revolução e trabalhe para derrubar o capitalismo, construindo em seu lugar o edifício do socialismo.


Mas nada acontece do nada. É preciso fazer nossa tarefa, é preciso organizar e construir o instrumento que derrubará o sistema capitalista e esse instrumento é o partido, um partido revolucionário que esteja profundamente ligado à classe operária, aos camponeses e à juventude. Não há vitória sem organização.

Lamentavelmente, o que assistimos em alguns meios acadêmicos é uma forte contracorrente que prega o apartidarismo como saída. Fazem esse discurso sob a base da “democracia” onde qualquer organização partidária está fadada a fracassar, onde qualquer indíviduo filiado a uma organização/partido é alvo de campanhas difamatórias e de descredibilização, como se o fato de ser filiado a um partido (seja qual for ele) o condenasse a ser incapaz de participar das entidades estudantis. Refiro-me a entidades estudantis, pois é no Movimento Estudantil que este preconceito está impregnado. Além disso, esse discurso sempre é “justificado” pela defesa da democracia, mas que democracia é essa onde quem tem partido deve ficar alheio aos rumos das entidades estudantis, onde dependesse da vontade desses indivíduos o estudante que tem filiação partidária estaria excluído do processo eleitoral.

Em outubro de 1929 Trotsky escreveu uma importante contribuição intitulada de A Concepção Marxista do Sindicato, neste texto o revolucionário russo dizia: “A autonomia real, prática e não metafísica, da organização sindical não se vê perturbada nem diminuída, um mínimo que seja, pela batalha do Partido Comunista para influir sobre os sindicatos.

Trotsky escreveu sobre os sindicatos, mas o que são as Entidades Estudantis senão Sindicatos dos Estudantes. Os CA´s, DCE´s, UEE´s a UNE e a Ubes tem que ter esse caráter de Sindicato, de defender os interesses dos Estudantes, de levantar as reivindicações e organizar a luta, isso é um Sindicato e é isso que devem ser nossas Entidades.

Para Trotsky devemos levar em consideração outro fator: “Os fatos demonstram que não há, em lugar nenhum, sindicatos politicamente “independentes”. Nunca houve. A experiência e a teoria nos dizem que nunca haverá”.

De 1929 para cá nada mudou em relação a isso o prognóstico de Trostky se mostrou correto. Seguimos com Trotsky: “O proletariado não deve acreditar às cegas em nada. Deve julgar cada partido e cada organização por seu trabalho. Os operários devem desconfiar duplamente dos aspirantes a dirigentes que atuam disfarçadamente, pretendendo lhes fazer acreditar que não necessitam de nenhuma direção” (Grifo meu). Segue Trotsky: “Não se deve negar a um partido político o direito de lutar para ganhar influência nos sindicatos, mas deve-se colocar em dúvida: Em nome de que programa e de que tática luta essa organização?” (Grifo meu). Em seguida afirma: “A ideologia da independência sindical não tem nada em comum com as ideias e sentimentos do proletariado como classe. Se o partido, por meio de sua direção, é capaz de garantir uma política correta, clara e firme nos sindicatos, não ocorrerá a nenhum operário rebelar-se contra a direção do Partido. Prova disso é a experiência histórica dos bolcheviques”.

Enquanto combatemos para construir uma sociedade socialista que destrua as classes, os signatários do apartidarismo baseiam seu combate em destruir qualquer tentativa de organização, ou seja, sua “construção” é a desconstrução do movimento, isso se manifesta de diversas formas, mas seu pilar central é a calúnia e difamação de dirigentes e suas organizações.

Isso é essencialmente fruto da sua incompreensão do papel do partido e da direção revolucionária, acabam agindo em defesa do capital e da burguesia.

Torna-se dessa maneira o apartidarismo um elemento de atraso, conservador e reacionário. É preciso combater essa tese do apartidarismo. A realidade será modificada à medida que a classe trabalhadora estiver organizada, e ela só estará organizada dentro de um partido que combata pela derruba do sistema capitalista, responsável pelos males que há tempo assolam a humanidade.

2 comentários:

  1. Parabéns Daison, o texto ficou muito bom. Contudo existem alguns problemas. A politica não tem obrigação de ser partidária. A organização da sociedade não precisa se dar por conta de um partido. É a sociedade organizada que se desejar deve mobilizar-se em torno de um partido político, o partido é quadjuvante e não estrela. O próprio estado deveria ser a represetnação da vontade da sociedade civil organizada, e não a autocracia do poder financeiro. Não percebo que um partido, qualquer que seja, tenha mais condição que a sociedade civil organizada de propôr e implementar as mudanças necessárias para o nosso país, os rumos econômicos e o manejo dos mananciais brasileiros. Muito obrigado! Artur Júnior dos Santos Lopes - www.arturlopes.pro.br - artur.lopes@arturlopes.pro.br

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  2. Caro Artur,

    Agradeço a observação, mas me permita apresentar alguns pontos que baseiam a minha posição.

    O Partido é o instrumento de organização da classe, deve ser o órgão que direciona que aponta para onde ir. Tenho acordo quando você afirma que o partido é coadjuvante, pois o Partido nada mais é do que a ferramenta da classe operária para sua organização, a estrela é o conjunto do Partido, são os seus membros são aqueles que se organizam a sua volta e aplicam a política dos oprimidos contra os opressores.

    Do ponto de vista prático é possível observarmos um movimento muito recente, o movimento Ocupe Wall Street que se espalhou pelos EUA, mas como não havia uma ferramenta que desse coesão ao movimento, a mobilização que poderia ter chutado a burguesia do poder, passou. Deixou marcas é claro, mas poderia ter ido mais longe, poderia ter modificado os rumos da sociedade norte americana e do mundo por consequência, mas faltou um Partido, faltou essa ferramenta que fosse o centro de unidade na ação de todos que fizeram parte do movimento, do ponto de vista prático pudemos ver que sem partido as coisas são muito mais difíceis, tornando a possibilidade de uma revolução quase nula.

    Entendo que tenhas desacordo com o que afirmo, pois não há Partido no Brasil ou no mundo que justifique a confiança de que essa seja a ferramenta da mudança, é necessário construir esse partido é preciso que a classe operária se identifique com ele e isso não é um processo que construiremos do dia para a noite, pois não basta criar um Partido e declarar defesa incondicional aos trabalhadores e chama-los a compor as fileiras desse partido, a classe operária não confia em um grupo de “iluminados” de dita os rumos, a classe operária confia em um Partido quando se sente parte dele, quando se identifica com este instrumento, que hoje assim como você, parte significativa da classe operária não percebe a sua existência no Brasil e no mundo. Na construção deste instrumento contamos com você e todos os que combatem este sistema que nos oprime. Saudações.

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