segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Selvagem

Luiz A. Devegili
Militante da JM Joinville - SC



A história de uma das maiores bandas do rock brasileiro começa com a amizade de infância de Herbert Vianna (guitarra e vocal) e Bi Ribeiro (baixo), vizinhos na então nova capital Brasília, onde o pai de Herbert era militar e o de Bi era diplomata. Porém, Os Paralamas do Sucesso surge no Rio de Janeiro, onde os amigos se reencontraram em 77, Herbert foi para o Rio fazer o colégio militar e Bi foi fazer o 3º ano. Idas e vindas de integrantes, a banda se estabelece com Herbert, Bi e João Barone (bateria), e lança seu primeiro álbum, “Cinema Mudo”, em 1983. Um ano depois lançam “O Passo do Lui”, com os sucessos "Óculos", "Me Liga", "Meu Erro", "Romance Ideal", "Ska".

Selvagem, música do álbum homônimo lançado em 1986, terceiro álbum da banda, é uma crítica ao sistema repressor da polícia, à inconsistência do governo e a desigualdade social, presentes ainda hoje na sociedade brasileira. Na primeira estrofe da letra, a banda demonstra o repúdio à polícia, onde a mesma usa seus instrumentos com “a determinação de manter tudo em seu lugar”, frase de impacto que nos lembra de episódios como Carandiru, Eldorado dos Carajás e, mais recentemente, Pinheirinho.

O grande chefe da polícia, o governo, não escapa das críticas dos Paralamas. Com a incapacidade de representar a classe trabalhadora, o governo, com seus discursos reticentes e novidades inconsistentes, toma decisões que, além de não representá-la, corta seu direito de mobilização e liberdade, agonizando na hipocrisia entre discurso e ação. A desigualdade social, apresentada no final da letra, é mostrada como resultado de um sistema que usa de seus governantes e sua polícia para fazer com que ela cresça cada vez mais, como um “grande monstro a se criar”.

Selvagem – Os Paralamas do Sucesso

A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar

O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard

A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar

Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar

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