terça-feira, 15 de maio de 2012

Professores da UFMT aprovam greve por tempo indeterminado a partir do dia 17

A decisão foi tomada hoje (14) à tarde no auditório da oca em assembleia geral convocada pela Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT S.Sind.).

 

Haverá outra assembleia, no dia 17, às 14 horas, também no auditório da oca, para marcar o ato inicial da paralisação e outros encaminhamentos.

Maioria dos professores da UFMT presente na plenária lotada votou sim pela greve. Foram apenas três votos contrários e cinco abstenções.

Das 56 seções sindicais ligadas ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), 36 estiveram presentes em reunião nesse final de semana em Brasília e dessas 33 votaram sim pela greve, o que reflete grande adesão das federais no Brasil.

Com a greve, a categoria cobra do Governo Federal que cumpra acordo assinado em abril de 2011. O acordo garante reajuste salarial de 4%, incorporação da Gratificação Específica do Magistério Superior (Gemas) e reestruturação da Carreira Docente.

Depois de um ano de cobranças, a categoria foi surpreendida hoje com a assinatura da MP 568, que autoriza o reajuste de 4% e a incorporação da Gemas. Porém a MP nem menciona a questão da Carreira.

Conforme o presidente da ADUFMAT S.Sind, professor Carlinhos Eilert, “essa MP é mais uma forma do Governo enrolar a categoria”.

“Se o Governo nos levasse a sério, teria feito isso há muito tempo”, destacou, na assembleia, o professor Maurélio Menezes, do Departamento de Comunicação Social.

Para o professor Cláudio Cruz, do Departamento de Engenharia, a MP tem apenas o objetivo de desmobilizar a greve, que está sendo articulada desde 2011.

O professor Dorival Gonçalves Júnior, do Departamento de Engenharia, avaliou há que há conjuntura nacional para uma greve forte. “Se a gente deixar, o Governo, encaminhando as coisas dessa forma, vai nos tirar tudo”.

A professora Marluce Souza, do Departamento do Serviço Social, avalia que a categoria tem motivos de sobra para entrar em greve e o desafio agora será construir um movimento forte. “Nós não temos mais nenhuma dignidade, precisamos resgatar isso”.

Os docentes dos campus de Sinop e Barra do Garças, que são da mesma seção sindical que Cuiabá, vão acompanhar o movimento grevista.

Além de melhores condições de trabalho, os professores das federais também querem, com essa greve, sensibilizar a opinião pública para a desvalorização dessa carreira que já teve status e respeito, mas há mais de 20 anos vem sendo negligenciada por todos os governos, por isso está no chão da pirâmide hierárquica do serviço público federal. O menor salário do docente federal hoje é R$ 557, 51, por 20 horas. A categoria quer o piso proposto pelo Dieese, que é de R$ 2.322,35.

Os professores da UFMT vão construir uma pauta interna, com especificidades locais. Eles reivindicam melhorias do Restaurante Universitário (RU) e da Biblioteca Central. Pedem investimentos nos cursos de pós-graduação, especialização, mestrado e doutorado. Criticam o modelo produtivista que contaminou a produção intelectual na UFMT, que está, muitas vezes, a serviço de empresas e não da sociedade. Critica também as terceirizações do trabalho na Universidade e as regras do estágio probatório aplicadas aos concursados. A categoria também cobra autonomia universitária, para que não fique atrelada a politicagens, e democracia nas relações internas. Quer ainda o respeito ao Estatuto da instituição, principalmente no ponto em que estabelece a realização de uma Assembleia Geral Universitária por ano, porém isso nunca foi cumprido.

A pauta interna é extensa e será mais elaborada caso ocorra de fato a greve.

Um dos pontos de reivindicação é também concurso público para o preenchimento de 176 vagas.

Fonte: Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa da ADUFMAT S.Sind.

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