quarta-feira, 18 de abril de 2012

Somos Todos Feijões


 Qual, afinal, é o sentido da vida? Dentre as muitas possibilidades, acredito que o sentido da vida seja não ser um feijão. Alguém já parou pra se perguntar como se sente um feijão? Se ele está satisfeito com aquilo que lhe dão? O valor que lhe agregam?

Pensemos sobre o pobre feijão. Ele é plantado e cultivado com tudo que o capitalismo pode proporcionar. De repente tudo muda, ele é colhido e sem nenhuma explicação racional ele é jogado dentro de um saco enorme com outros milhares de feijões igualmente confusos. Eles estão com medo, o futuro é incerto e nada daquilo faz sentido. Então eles são processados e escolhidos, aqueles que não são bons o suficiente são jogados fora, sem perguntar, são excluídos, abandonados. E solitários eles ficam a espera da morte em um mundo o qual eles nunca serão aceitos.

Mas, para os qualificados, a jornada continua de alguma forma, mesmo que em completa inércia devaneada, eles acreditam que são bons porque já superaram outros feijões. Esquecendo os que para trás ficaram, nota-se que é muito fácil para um feijão aceitar a desigualdade. Depois de toda aquela luta para serem os melhores sem moléstias e sem problemas de sanidade, tem fim essa difícil etapa. E agora tudo parece bem de novo, embalagem limpa, organizada, uma nova vida os aguarda. Sim, eles agora têm valor e sabem disso. As pessoas dão dinheiros por eles! Todo aquele sacrifício, afinal, valeu a pena.


Mas, de repente, alguma outra coisa está errada, por que outros pacotes de feijão vendem e o dele continua lá? Mofando no tempo e no espaço. O feijão começa a questionar-se sobre a real causa dele estar ali, se o que ele “escolheu” foi mesmo o melhor (sempre é bom para os feijões iludirem-se com a idéia de que escolherem algo). Essa injustiça de ter sido deixado, por que os outros são melhores? Ele também é um feijão, certo? Como os outros…

SOMOS TODOS FEIJÕES, ele pensaria em gritar, mas nesse momento alguém pega o seu pacote e o joga em um carrinho de supermercado. Sim! Ele está dentro do jogo de novo, danam-se os outros feijões, eu vou pra um lugar melhor. Quando se está por cima é difícil olhar para baixo. E o feijão feliz chega a um novo lugar. Lindo e com grandes promessas, mas então ele é guardado de novo, nesse ponto o pobre feijão já começa a sentir-se um objeto. Fazem o que querem dele, talvez seja hora de reclamar com alguém. Mas, coincidentemente, durante essa ideia ele é tirado do seu pacote e jogado em uma panela enorme cheia de água. Ele é cozido, temperado, junto com pedaços de cadáveres de outros animais, aquilo é horrível, estressante e torturante. E não faz nenhum sentido. Ele, um feijão bom, saudável e no auge da vida ser cozido daquele jeito. Isso vai fazê-lo se desgastar muito rápido, por que alguém sugaria toda a vida dele em questão de minutos? Será que alguém é tão defeijoano a esse ponto?

Cozido e já perto do seu fim ele percebe o quanto sua vida foi fútil, abandonado por uma criança que o odeia e não tem medo de demonstrar, ele fica esquecido até que esfria. Frio murcho e solitário ele é jogado fora, nesse momento ele se lembra dos outros feijões que ele deixou pra trás, e talvez finalmente entenda, que devia ter feito mais, só que agora é tarde. Ele é jogado dentro de uma lixeira e sua vida expira.

E esse tal de sentido da vida? Provavelmente é isso: não ser um feijão, só com os pobres feijões o sentido da vida é construído e desconstruído por quem é maior e tem poder sobre ele. E é um sentido e tanto. De uma coisa eu estou certo, se o feijão soubesse dizer “POR QUE?” provavelmente ele estaria escrevendo esse texto.

*Autoria de Eubio Prieto

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