terça-feira, 13 de março de 2012

A primavera em Valência

Evandro José Colzani




Uma onda de revoltas se espalhou por toda Espanha após a atuação violenta da polícia contra estudantes do instituto Lluis Vives que protestavam contra os cortes na educação e a repressão policial.

Na semana passada, enquanto tentavam se reunir em um protesto pacífico fora do prédio escolar, estudantes do instituto Lluis Vives, colégio secundarista de Valência, cidade situada ao leste da Espanha, foram repreendidos pela polícia que feriu e prendeu alguns jovens.

A manifestação ocorreu devido aos cortes de gastos na educação, os quais inviabilizaram o funcionamento adequado das escolas. Algumas entidades ficaram sem aquecimento, outras sem materiais básicos e, em alguns casos, até sem eletricidade.

Atualmente a comunidade valenciana é uma das mais endividadas do país e vem atendendo às exigências do governo central espanhol para a redução do déficit orçamentário.

Valência, além de ser afetada pela crise, sofre os reflexos da política do PP (principal partido de direita) que tem obras faraônicas inacabadas ou inutilizadas, aumentando ainda mais a dívida pública. Uma política de benefício, sem limites, dos empresários locais e especuladores imobiliários.


As manifestações se intensificam

No dia 20/02, mais uma vez, os estudantes saíram às ruas para reivindicar seus direitos e dizer não ao plano de austeridade. Neste dia, uma nova bandeira surgiu, além das reivindicações iniciais, os estudantes também pediam o fim da brutalidade policial e exigiam a libertação de oito alunos mantidos sob custódia desde a última semana.

Assim que os manifestantes começaram a se reunir, no início da tarde de segunda-feira, a polícia agiu com violência novamente, usando cassetetes, prendendo manifestantes e pessoas que passavam. “Vocês são tão valentes, estão batendo nas crianças”, gritavam os transeuntes.

A repressão policial só aumentou a indignação dos estudantes que, em algumas regiões, defenderam a necessidade de uma greve geral da educação, em nível nacional. A ideia era unificar com sindicatos e organizações estudantis dando uma resposta imediata à brutalidade policial.

Manifestações de apoio se espalharam por toda Espanha nos dias que se seguiram. Em Madri, por exemplo, cerca de 3 mil estudantes usando palavras de ordem e cartazes, se reuniram no centro da cidade para defender as mesmas bandeiras de luta levantadas em Valência.

A criatividade também teve seu espaço nas manifestações, o que é muito comum quando se trata estudantes, um ativista madrilenho usava um capacete de ciclista com a seguinte frase: “Na cabeça não, pois estou estudando”, para ironizar a repressão.

A crise econômica e o plano de austeridade

O governo central espanhol aprovou uma reforma da lei trabalhista que dá aos patrões o direito de contratar e demitir à vontade, reduzir os pagamentos compensatórios, prolongar o período de experiência, eliminar a necessidade de autorização do governo e dos sindicatos para as demissões temporárias, dentre outras (Veja mais no texto Espanha: Dois milhões de pessoas marcham contra as contrarreformas trabalhistas, de Jorge Martin)

Já na região de Valência foi anunciado no início de janeiro um plano de austeridade que inclui aumentos de impostos, cortes dos salários dos trabalhadores do setor público, nos gastos de saúde e educação, somando mais de um bilhão de euros em cortes.

Todos esses ataques servem a um único propósito, fazer com que os trabalhadores e estudantes paguem com o seu sangue e suor a crise capitalista. O povo espanhol está cansado de só assistir a tudo isso.

As ocupações de praças do ano passado, a manifestação contra cortes na educação em 21/01, com 120.000 alunos, professores e pais marchando em Valência e Alacant e o ato massivo com mais de 2 milhões de trabalhadores no dia 19/02 contra as “reformas trabalhistas” são exemplos práticos do atual estado de ânimo da classe operária e dos estudantes.

Para o marxista Alan Woods, “O presente período é o período mais tempestuoso e convulsivo da história. A chamada “Globalização” agora se manifesta como uma crise global do capitalismo”. Woods completa, “O cenário está propício para um renascimento geral da luta de classes, e de fato, esse processo já começou.”

Movimentos de massas surgiram no mundo inteiro no último período, desde a Revolução Árabe, passando pelo Chile, Estados Unidos até a atual situação revolucionária na Grécia e explosões populares por toda a Europa. Os últimos acontecimentos ocorridos na Espanha são apenas uma indicação do que a classe trabalhadora e a juventude podem e estão dispostas a fazer.

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