terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Polícia X Futebol


Por Anderson Santos e Dijair Brilhantes
Extraído de Diário de Liberdade - 31/12/11

Na teoria, o Brasil é um país democrático, onde todos têm o direito à liberdade de expressão. Nos estádios de futebol tudo é diferente, nem mesmo o Estatuto do Torcedor, aprovado em 2003, que entende o torcedor como consumidor, só assim um possuidor de direitos, é respeitado.

A segurança pública prefere tomar suas próprias decisões, tendo total respaldo do Estado. Assim, a vida do cidadão fica na mão de policiais despreparados – e mal remunerados. Estamos às vésperas de sediar o maior evento esportivo do mundo e queremos saber como serão tratados os torcedores turistas: privilegiados ou como marginais, semelhante ao que ocorre com os brasileiros?

Polícia opressora

Os articulistas da Além das Quatro Linhas já frequentaram diversos estádios do Brasil, e em (quase) todos as cenas se repetem: a polícia tenta oprimir o que entende ser desrespeitoso, ou contra a lei. O problema é para nós, simples torcedores, sabermos o que os policiais entendem por isso.

No início deste ano, a PM carioca impediu a torcida do Fluminense de entrar no estádio com uma faixa que dizia "Muricy amarelão" - o técnico abandonou o clube alegando falta de estrutura em meio a Libertadores.

Em agosto, as torcidas de todo o Brasil organizaram um protesto contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A rodada foi batizada como o dia do "Fora Teixeira". Em alguns Estados a Polícia Militar proibiu a entrada de faixas e cartazes alegando que atrapalharia a visibilidade do jogo, ou que o material das faixas era tóxico, o que poderia causar um incêndio.

Em outubro, a torcida do Grêmio preparava uma grande manifestação contra Ronaldinho (Ex) Gaúcho no jogo Grêmio X Flamengo. A Brigada Militar proibiu a entrada de faixas contra o R-10, alegando ser um ato hostil e que em nada contribuiria para o espetáculo (?).

Torcedores do Grêmio foram diversas vezes agredidos pela Brigada Militar quando faziam protestos pacíficos contra o presidente do clube, Paulo Odone. Detalhe: o agora mecenas Odone – afinal, pagar R$ 500 mil só a um jogador... – é deputado estadual pelo PPS do Rio Grande do Sul.

A "segurança pública" parece ser contra qualquer tipo de manifestação popular.

(...)

Triste realidade

Vivemos uma triste realidade sobre o que diz respeito à segurança pública, por vezes chegamos a duvidar se ela existe ou, no mínimo, para quem ela existe.

Todas as vezes que vimos brigas entre torcidas, dentro ou fora dos estádios – cada vez mais fora, refletindo a falta de segurança geral –, quando a polícia chegou a violência aumentou ainda mais. Parece-nos que ao invés de tentar manter a ordem, opta-se por esperar a desordem ocorrer e combatê-la, primeiro batendo e só depois querer saber quem eram os culpados.

Não é raro ver no meio da torcida a polícia batendo em senhores de idade, em pais que tentam proteger seus filhos ou espalhando spray de pimenta para tudo o que é lado. Na prática, isso pouco serve para punir quem merecia.

O Estatuto do Torcedor, renovado ano passado, propunha que o torcedor preso não entrasse mais nos estádios, mas pouco é visto ou ouvido de algo de prático, para além das punições a entrar no estádio com símbolos das organizadas ou extinção das mesmas. Como se a faixa saísse batendo em todo mundo... Dificilmente alguém é preso ou punido mesmo nos casos mais graves – como a da Supercopa de juniores de 1995, entre São Paulo e Palmeiras.

Quando as empresas de mídia fazem campanhas para as famílias irem aos estádios, a nós fica a dúvida de quem lhes dará segurança, principalmente fora das arenas, em que mal temos isto no cotidiano.

(...)

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"A PAULISTA PRECISA DORMIR". Relato de um torcedor do Corinthians espancado gratuitamente pela PM.


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