sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

POEMA: Caem corpos em Pinheirinho

Moradoras com crianças no colo fogem das suas casas em chamas durante ação policial de desocupação

Caem corpos em Pinheirinho
Caem corpos em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!
Caem casas em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!

Cabo Oliveira
Veste o uniforme antes do sol raiar
Não é terça-feira
E nem é dia de alguém trabalhar
Mas recebeu ordens

Leva balas de borracha
Que destino elas terão?
Leva bombas, gás pimenta
Pra que tanta munição?

Ana dos Santos
Tenta dormir apesar da pressão
Ela é só espanto
Quando às seis horas ouve uma explosão
Acode as crianças

Moradores despejados
Que destino eles terão?
Lá vem a tropa de choque
Pra que tanta munição?

Jennifer Souza
Sonha em poder ser uma bailarina
Mas ela não ousa
Pela manhã bailará na chacina
Sem saber porquê

É arrancada de seus pais
Que destino eles terão?
Ela só tem sete anos
Pra que tanta munição?

Governador
Se olha no espelho sem se assustar
Já se acostumou
Pensa que o povo sempre aceitará
E manda invadir

Levem balas de borracha
Blindados e um canhão!
Levem bombas, gás pimenta
Levem toda a munição!

Caem corpos em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!
Caem casas em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!

Sargento Santos
Veste o uniforme antes do sol raiar
E nem é dia de alguém trabalhar
Mas recebeu ordens

Maria Souza
Tenta dormir apesar da pressão
Quando às seis horas ouve uma explosão
Acode as crianças

Kelly Oliveira
Sonha em poder ser uma bailarina
Pela manhã bailará na chacina
Sem saber porquê

E a Juíza
Se olha no espelho sem se assustar
Pensa que o povo sempre aceitará
E manda invadir

Caem corpos em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!
Caem casas em Pinheirinho!
Viva Naji Nahas!

Poema escrito por Caio Dezorzi, autor do Blog Fundo da Gaveta. Janeiro de 2012, dois dias após a ação hedionda da Polícia Militar de SP na ocupação do Pinheirinho em São José dos Campos.


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