sábado, 28 de janeiro de 2012

O mundo mágico dos sebos

Este não é um artigo produzido pela Juventude Marxista. Mas decidimos publicar por parecer ser bem interessante para aqueles amigos que são amantes dos livros e frequentadores dos sebos. Boa leitura!



Estou aproveitando bem estas minhas "férias forçadas". Como sou um cara bem ativo, e que gosto de ver e conversar com gente, não paro em casa. Todo dia arrumo um programa diferente para fazer. E hoje não foi diferente, resolvi fazer uma visita aos sebos aqui de Santo de André na intenção de rever e trocar ideias com alguns amigos e de garimpar e comprar muitos livros.

Tenho um carinho muito especial por sebos, pois foi em um deles, o Sebo General (que infelizmente não existe mais), que comprei o meu primeiro livro: um exemplar caindo aos pedaços do "Morte no Nilo" da rainha do suspense Agatha Christie. Isso em 2002, paguei apenas 2 reais, na época nem passava pela minha cabeça que um dia fosse trabalhar com livros, comecei neste ramo em 2004. Um dia conto a história pra vocês.

Mesmo depois de iniciar na atividade editorial trabalhando em livrarias, editoras e distribuidoras, onde o desconto para funcionários, em alguns casos, chega a 50%, sempre que passo por um sebo, não resisto, entro para fuçar nas prateleiras e em 100% dos casos, saio com pelo menos um livro nas mãos. O meu acervo pessoal hoje deve estar na casa dos 2000 livros, calculo que 30% deste volume foi adquirido em sebos.

Os profissionais que trabalham em sebos, são livreiros na mais alta concepção da palavra, pois não contam com a estrutura de uma livraria convencional, e mesmo assim, dão de dez a zero em muitos vendedores de livrarias famosas que nunca ouviram falar de Dostoiévski. Outro dia contarei esta história.

Geralmente são pessoas que já tiveram experiência em alguma editora ou livraria tradicional, e talvez por desencanto e para fugir da rotina das burocracias existentes neste meio, resolveram, por amor aos livros e a profissão, abrirem seu próprio negócio, na intenção de poderem ficar mais perto do público e compartilharem todo o conhecimento adquirido ao longo dos tempos, colocando em prática às suas ideias. Se você pensa que eles fazem isso por dinheiro, está enganado, dificilmente você vai ver um dono de sebo rico, o que conta e vale para estas pessoas, é a paixão pelos livros. Sempre que tenho a oportunidade e tempo, passo horas conversando com estes livreiros, e ao final de cada conversa saio um profissional mais completo, pois aprendo muito sobre o mercado e os livros de uma forma geral.

O que poderia ser considerado uma utopia em um passado não tão distante, hoje tornou-se realidade, aproveitando o crescimento da internet, os sebos também se modernizaram; uma boa parte hoje tem sistema de busca, sinalização, cafés e alguns têm o seu site próprio, ou mantém o seu acervo a disposição do cliente no portal Estante Virtual ou no Livronauta, que no momento são as duas maiores plataformas de indexação de livros usados do Brasil.

O papel dos sebos é muito importante, pois movimenta o mercado editorial, fazendo com que obras esgotadas e sem previsão de uma nova tiragem por parte das editoras, se movimentem e continuem a disposição dos leitores. E com a internet... ficou muito mais fácil pesquisar aquele livro que o professor da faculdade passou e você não consegue encontrar em nenhuma livraria. Bastam alguns cliques, e pronto, ele está ali ao alcance das suas mãos.

E para finalizar, eu não poderia esquecer do principal atributo de um sebo, que é o de vender livros mais baratos, em alguns casos chegam a ser 1/4 mais em conta que o preço de capa de uma livraria convencional. O papel que os sebos exercem na movimentação do mercado editorial é super-importante, pois possibilitam o acesso a leitura para quem não pode ir, frequentar ou comprar livros em uma livraria de "grife", fazendo com que estas pessoas possam se instruir, entreter e distraírem-se com a "degustação" de um bom livro, e o melhor, sem gastar muito.

Ah, e antes que me perguntem, o saldo das visitas de hoje foram 28 livros, sendo a coleção quase completa da Clarice Lispector (eu tinha a coleção completa, mas me roubaram), todos que consegui encontrar do Oswald de Andrade, e mais alguns que eu ia batendo o olho, folheando e pegando.

Se você, assim como eu, também gosta de visitar e comprar livros em sebos, deixe um comentário compartilhando a sua experiência e opinião conosco.

Espero que tenham gostado!

O vendedor de livros
Blog http://www.ovendedordelivros.com.br
22/11/11


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Um comentário:

  1. Olá, gostei muuito do artigo e concordo com ele. O prazer de passar algumas horas apreciando obras esquecidas em prateleiras infindáveis de formidáveis sebos é gratificante. Um livro usado em um sebo, além do odor característico, parece carregar consigo um pouco de cada leitor que o manuseou, parece portar uma aura especial que um livro novo ainda na embalagem não pode possuir.
    Comecei a ler na biblioteca pública Milton Santos, um exemplar bem deteriorado de Contos Escolhidos de Edgar Allan Poe e desde então sou um amante dos livros, principalmente dos usados e já esgotados.
    Eu também raramente saio de um sebo sem ao menos um exemplar nas mãos.
    A propósito, essa foto do artigo parece o interior de um sebo no centro de São Paaulo, proximo à Liberdade.

    Até mais.

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