quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A hipocrisia da imprensa e o mau trato de animais



Eu tenho pena dos cachorrinhos. Acho que todas as crueldades feitas contras os animais devem ser punidas. Bater neles ou enterrá-los vivos são coisas realmente desumanas. Mas não acho que por isso devemos entrar em uma onda de condenação do ser humano.

Também não vou deixar de comer carne, devido a isso. Gosto muito de carne, ainda mais acompanhada de vinho.

Agora, o que venho aqui discutir é o comportamento da imprensa em geral. Todo o dia cedendo espaço sobre essas crueldades, seja para relatar como o cachorro foi morto, o que acontecerá com a pessoa e o que virá depois etc,...

Eu realmente fico com pena dos cachorrinhos, por isso. Mais pena ainda eu tenho dos brasileiros que sofrem com o trabalho escravo. Recentemente vi, em alguns blogs e jornais, de maneira muito tímida, matérias sobre os 52 empregadores de mão de obra escrava, incluídos na "lista suja" divulgada do governo. A denúncia anuncia um novo relatório de 294 nomes empregadores.

Não me impressiona a maneira tímida que o fato foi noticiado. Afinal, noticiar de maneira excessiva os maus tratos contra os cachorrinhos não agride ninguém e sensibiliza a todos. É uma noticia sem conteúdo de classe social. A senhora da elite burguesa ficará tão chocada, quanto a estudante universitária ou a dona de casa. E no final todos se unirão à imprensa burguesa para que se faça justiça.

Agora, pensem bem! Quem vai querer lutar contra o trabalho escravo e fazer uma campanha? Que vai se engajar num movimento contra estas empresas? Sim, pois o escravo é uma propriedade de um Senhor, ou seja, nossa luta contra o trabalho escravo será pelo direito de essas pessoas serem reconhecidas como ser humanos. E pela denúncia dos seus exploradores.

Em seis de janeiro foi noticiado o assassinato de uma criança indígena. Quem quer saber disso, quando os pobres cachorrinhos sofrem com o mau trato? Foram só alguns madeireiros que tocaram fogo em uma criança indígena! E afinal índio não precisa de terra por não produzir nada para o mercado, não é mesmo? Isso na visão da nossa ideologia dominante, é claro.

Sabem, existe um tipo de que sinto mais pena que do índio e do escravo, é do jornalista! Sim aquele coitado, que ganha mal, trabalha de domingo a domingo e ainda acha que vai mudar o mundo falando de cachorrinhos.

Novamente ressalto que a crueldade contra os animais é um absurdo e deve ser punida. Mas a imprensa burguesa trata esse problema de maneira absurda! Parece que o mundo vai acabar.

Acredito que a razão para esse comportamento é que existe uma escolha política dessa imprensa por não lutar pela transformação social, mas por manter a sociedade da maneira que se encontra atualmente. Por isso, a imprensa escolhe o que enfatizar e priorizar dentre um leque de possibilidades de notícias. Fala um dia do escravo, outro do índio e o ano inteiro no rádio, na TV e no jornal impresso dos pobres cachorrinhos.

Já sabemos que demasiada informação faz muito mal e coloca em risco o sistema que sustenta esses jornais. O Wikileaks, que junto com a crise financeira ajudou a divulgar informações comprometedoras que fortaleceram o desencadeamento das revoltas no mundo árabe é um mau exemplo! Eles não querem uma primavera árabe no Brasil. Então, falamos dos cachorrinhos e não estragam o dia de ninguém noticiando e discutindo nossa revoltante rotina de exploração do homem pelo homem.

João Diego Leite
Graduando em Jornalismo
Coordenador Nacional da Juventude Marxista
Autor do Blog Crítica da Crítica 
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Um comentário:

  1. Muito interessante a sua intenção de colocar em questão a contrariedade da lógica em que a mídia está inserida. Mas acho válido chamar atenção não pelo fato de notícias de cachorros serem mais difundidas do que crimes com humanos ( que estes têm, sim, que serem noticiados ). É necessário que a população em geral se atente ao especismo que estamos inseridos desde quando nascemos. Quantas indústrias alimentícias e têxteis fazem parte do controle do sistema e, além se apropriarem do trabalho humano, se apropriam das vidas de animais não humanos?

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