domingo, 1 de janeiro de 2012

Eu não preciso de Soma


Imaginemos uma sociedade futura, em que não tivéssemos preocupação alguma. A começar pelo desemprego ou pelo próprio emprego. Nenhum dos dois existiria. Afinal,  seríamos condicionados desde o nascimento a ter uma função e a gostar do que fazemos.

Sem problemas com tédio. Nosso condicionamento incluiria gostos por determinados esportes e divertimentos que teríamos, após o trabalho e em dias de folga. É importante lembrar que todas as funções, sejam elas de trabalho ou diversão, estão condicionadas a manter a sociedade funcionando.

Nossa vida seria pré-moldada. O molde seria dividido em classes superiores e inferiores. Sorte se for superior, azar se for inferior. Mas sem problemas! Para as duas classes você está condicionado para gostar do que é, ou seja, você tende a não se deprimir por limpar banheiros ou administrar o mundo.


A menos que algo dê errado, enquanto lhe faziam. Aí azar o seu, pois ter consciência disso tudo, não significa que poderá mudar de função.

Falando em mudança, ela também não existe. Afinal as mudanças prejudicam a estabilidade da sociedade. Se nascer para mandar ou obedecer, fará isso até morrer.
A solidão é algo inexistente, todas as atividades são em grupos. Nosso sentimento de isolamento não existe. Nada de se divertir ou trabalhar sozinho. O amor é algo que também não existe, ou seja, nenhuma frustração ou vínculo que o deixe preso a alguém.

Todos fazem sexo com todos, mas por prazer, não para se reproduzir. As crianças não nascem, são feitas. Logo, se não existe amor nem vínculo, não existe família. Sem pais e mães as crianças estão livres de todos os traumas que família lhes produzia.

Tudo isso lhe dará uma vida mais sadia e não precisará de asilo, nem lugar para descansar quando envelhecer, pois seu organismo terá sempre a mesma jovialidade até o fim da vida.
Caso tudo isso ainda não lhe faça feliz, você poderá usar soma. Uma droga, muito eficaz. Não lhe causa nenhum problema de saúde. A única coisa que ela faz é servir como fuga da sociedade, lhe ajudando a relaxar. Assim, todos teriam estabilidade e segurança em sua felicidade.

Admirável Mundo Novo, escrito Aldous Huxley é um ótimo livro. Listei acima algumas coisas que me chamaram a atenção em minha leitura. Espero que isso lhes desperte interesse.
É uma ótima sátira das utopias[1] e ao clima que vivia sociedade, na década de 30. Nazistas, comunistas, psicanalistas e capitalistas são criticados pelo autor.

O que mais me chamou atenção no livro são as drogas. Elas são tratadas como um mecanismo de controle ou fuga. Não existe bebida alcoólica na história, nem arte, nem TV. Há cinema, mas diferente do que temos.
Logo o governo produz drogas e distribui livremente. Pode se tomar o quanto precisa, pode se tomar o dia inteiro e viver no mundo da lua! Sem preocupações. Assim o governo mantém todos sobre seu controle, pois além dos condicionamentos que impedem de questionar a realidade as droga ajudam as pessoas a “relaxar”.

O sonho dos empresários, trabalho sem reclamação, mas por enquanto isso ainda é utopia. 

João Diego
Militante da Juventude Marxista de Joinville (SC)
Autor do Blog Crítica da Crítica 


[1] Entendo utopia como algo que ainda não existe, não como algo impossível. 



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