quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Eleições para reitoria na UFSC: vitórias são possíveis.



Nesse final de ano, os estudantes, técnicos-administrativos e docentes participaram do pleito para eleger o novo reitor da UFSC (Universidade federal de santa catarina). O resultado consagrou a forte campanha dos estudantes e elegeu Roselane Nackel, candidata de oposição. Podemos destacar vários elementos dessa eleição e de seu resultado, a participação estudantil, a vitória da chapa de Roselane, a perspectiva de mudanças para o próximo período, as propostas da nova reitora eleita, porém, é válido destacar, a princípio, o modelo paritário de eleição, onde docentes, técnicos-administrativos e estudantes participam com o mesmo peso de decisão no processo.

Nos últimos meses o movimento estudantil pode acompanhar a intensificação das políticas privatistas e dos ataque a autonomia universitária em várias universidades públicas do país, terceirização de serviços e cursos, diminuição de vagas e investimento, abertura das portas para empresas, investidores e para coerção e repressão por parte da Polícia Militar. Tais decisões são levadas adiantes por gestões que são escolhidas praticamente de forma arbitrária. na USP, onde a conjuntura tomou notoriedade nacional, o atual reitor João Grandino Rodas, ficou em segundo lugar em uma lista triplice eleita a margem da participação estudantil e, mesmo derrotado, foi escolhido a dedo pelo governador do estado José Serra. Ano passado na UDESC a polícia militar, com o aval da reitoria, invadiu e prendeu estudantes que se mobilizavam contra o aumento da tarifa de ônibus dentro do próprio campus da Universidade entre outros vários exemplos.


O exemplo dado pela UFSC, onde os estudantes participaram e foram decisivos para vitória de Roselane, deve ser seguido. Entre os técnicos-administrativos e docentes, o candidato da atual gestão, Paraná, foi vitorioso, mas a esmagadora vitória entre os estudantes (6518, contra 3214 do adversário Paraná), foi decisiva para dar pontos finais ao pleito. A participação estudantil de forma paritária significa democracia e o exemplo deve repercutir nos campus onde os estudantes são obrigados a engolir a seco reitores que ferem a autonomia e atacam indiscriminadamente a universidade.

A vitória de Roselane e Lúcia significa o rompimento de anos de ligação com o Governo do Estado e com a maçonaria. Doutora em História do Brasil e diretora do CFH (Centro de Filosofia e Ciência Humanas), compromete-se, entre outras coisas, garantir a excelência do ensino, pesquisa e extensão em todos os campi, profissionalizar os serviços prestados à comunidade interna e externa da instituição, criar uma câmara de Assuntos Estudantis e de um comitê gestor junto a Pró-Reitoria de assuntos estudantis para discutir e decidir assuntos estudantis, discutir as políticas de ingresso e atentar-se aos problemas de permanência estudantil (construção de mais um RU e mais moradia no campus Florianópolis, construção de laboratórios, moradia e RU nos campus Aranguá e Curitibanos), além de ser favorável a estatização da FURB. Cabe agora ao movimento estudantil da UFSC, da mesma forma que participou ativamente das eleições, acompanhar a gestão, garantir a efetivação do que foi dito em campanha e caminhar, junto a reitoria, na direção de uma Universidade Pública mais justa e democrática. Já ao Movimento estudantil Nacional, cabe saudar Rosilane Neckel e Lúcia Pacheco e se inspirar no vitorioso exemplo dado pela UFSC.


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