segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Universidades britânicas triplicam taxas e estudantes prometem contra-ataque


Este artigo aborda o anunciou do Governo da Inglaterra de cortar 40% do orçamento destinado ao ensino superior até 2015 e o aumento das taxas cobradas nas universidades. E os protestos que estão sendo preparados pela associação estudantil NUS (National Union of Students), equivalente à UNE britânica. 

A política de austeridade e os cortes no Reino Unido já começaram a afetar a Educação, causando desânimos e protestos entre os estudantes e todos os que trabalham no setor. De acordo com o independente Institute for Fiscal Studies, a tesoura do governo do premiê David Cameron vai cortar 40% do valor destinado ao ensino superior até 2015. Depois do aumento de 2006, que elevou as taxas das universidades inglesas de um mil para três mil libras esterlinas (aproximadamente 8,5 mil reais) anuais, o governo deu carta branca para que as universidades possam até triplicar o valor.


A partir do ano que vem, o britânico que quiser estudar em uma universidade de seu próprio país pode ter de pagar até nove mil libras por ano (cerca de 25 mil reais). A justificativa dada para o aumento foi a necessidade de se criar "um setor dinâmico", em que as instituições de ensino superior busquem "competitividade". Termos que tradicionalmente não faziam parte do vocabulário da academia inglesa – No Reino Unido, cada país possui seu próprio sistema educacional. 

A estudante inglesa Eleanor Cusack, residente na região sul da ilha, testemunhou ao Opera Mundi que, pelo fato de não ter tirado notas “excelentes" no ano passado, perdeu sua vaga para um estrangeiro que pagaria mais pelo curso. "Imagine que você fez uma poupança a vida toda para pagar sua universidade e que, de uma hora para outra, você só tem um terço do que é preciso", lamentou, citando outros exemplos ocorridos com muitos de seus amigos. Muitos, como Eleanor, não pretendem fazer empréstimos e contrair dívidas. O medo é não encontrarem emprego no futuro e ficarem inadimplentes durante boa parte da fase profissional de suas vidas. 

Para entrar no mercado, as universidades britânicas terão de compilar e publicar dados comparativos em 16 áreas – desde o valor das taxas de acomodação até faixa salarial de ex-alunos por curso. Mas como podem cobrar até nove mil libras, e não sabem exatamente qual seria o preço ideal no "mercado aberto", elas fazem pesquisas internas entre os atuais alunos. 

A University of London, por exemplo, pergunta se o estudante escolheu seu curso "em virtude do valor ou da reputação" e se "a reputação da universidade atende ao preço pago". O governo quer que, com a divulgação dos dados, os futuros estudantes consigam escolher a universidade em que pretendem estudar pela relação entre custo e benefício. 

Segundo pesquisas do governo realizadas em julho, as universidades pretendem cobrar, em média, 8.393 libras ao ano, valor bem próximo do máximo permitido. Na época, 47 instituições, como Cambridge e Oxford, anunciaram a intenção de cobrar as nove mil libras como padrão. 

Enquanto isso, o desânimo se reflete em números entre os futuros universitários britânicos. Uma pesquisa recém-publicada do órgão que gerencia o ensino superior nas ilhas, o Ucas (Universities and Colleges and Admissions Service), mostra que as novas taxas estão afugentando quem queria tentar uma graduação. Até o dia 15 de outubro, havia uma queda de 12% no número de matrículas para o ano que vem. São sete mil britânicos a menos entrando na universidade. 

Ao mesmo tempo, estudantes estrangeiros, que em determinados casos já pagam o triplo do britânico para estudar no Reino Unido, continuam vindo em busca do status e da tradição do ensino. A mesma pesquisa mostra um aumento de 8% no número de matrículas de visitantes de fora da União Europeia, especialmente da Austrália e das Américas. Eles são atraídos pela grande possibilidade de estudar em uma renomada universidade britânica pagando mais pelo curso. 

Contra-ataque dos estudantes 

Especialistas ouvidos pelo jornal The Guardian afirmam que ainda é cedo para avaliar se essa queda no número de estudantes britânicos continuará a ocorrer nos próximos anos. A associação estudantil NUS (National Union of Students), equivalente à UNE britânica, principal voz crítica aos cortes e ao aumento das taxas, considera que as mudanças no ensino superior são "incoerentes". Em protesto, articula uma grande manifestação marcada para o dia 9 de novembro em defesa da Educação e contra a privatização do ensino superior britânico. 

Será a National Campaign Against Fees and Cuts (ou Campanha Nacional Contra Taxas e Cortes) que, ao lado do movimento Occupy LSX (Ocupe a Bolsa de Londres!), ainda acampado em frente à catedral de São Paulo, no centro de Londres, vai levantar a voz contra a "especulação" e a "mercantilização" do ensino e o derretimento do estado de bem-estar social. 

Há ainda uma articulação de greve geral de estudantes e funcionários para o dia 30 de novembro. 

Por Opera Mundi - 31/10/11

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