terça-feira, 8 de novembro de 2011

SARESP: Avaliação do rendimento escolar ou avaliação da próxima eleição dos tucanos?

O SARESP (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) é uma avaliação (feita geralmente no mês de Novembro) dirigida a todas as escolas públicas do Estado de São Paulo “para monitorar as escolas públicas de educação”. Esse sistema foi implantado desde 1996, um ano após a eleição dos tucanos e durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso no governo federal. 

Aplicado no Ensino Fundamental (3º, 5º, 7º e 9º ano) e no Ensino Médio (3º ano), o SARESP é a base principal para o IDESP (Indicador do Desempenho do Estado de São Paulo). Segundo uma nota da própria secretaria de São Paulo, “Foi criado o Bônus por Resultados, que paga até 2,9 salários às equipes escolares que superam as metas definidas para as suas escolas. É um programa agressivo de premiação por resultados que mobilizou os professores para melhorarem o desempenho de seus alunos.” (EDUCACAOSP, 2010). 

Essa “meta” é a multiplicação de dois números: a nota dos alunos no SARESP e o fluxo de alunos. Traduzindo, o sistema de bonificação é baseado em um bom “desempenho” dos alunos no SARESP e um número baixo de alunos repetentes. Fazendo com que os professores e/ou a direção se sintam na obrigação (rs) de passarem seus alunos, independentemente do seu aprendizado. Além da possibilidade que há de algumas escolas escolherem os alunos “certos” para realizarem a prova. Deixando assim o péssimo ensino público ainda mais mascarado. E por que esse desespero do estado em dar bônus à escola? Porque para a escola receber o bônus, é necessária a obtenção de uma nota maior que a anterior, e esse aumento na nota é perfeito para divulgar na mídia de que as escolas estão melhorando cada vez mais. 


Outra crítica é em relação as escolas que não cumpriram a “meta”. Se a escola não tem um bom desempenho no SARESP, a escola não recebe a bonificação, ou seja, escolas mais carentes de apoio e verbas são simplesmente jogadas para de baixo do tapete, afinal quem interessa para o Estado são as escolas “com bom desempenho” as quais aparecerão nas propagandas eleitorais. 

E as críticas ainda não acabaram. Não há nenhuma transparência quanto aos resultados dos alunos na prova. A única forma de ele saber seu desempenho é secundária e superficial. Eles ficam sabendo apenas da porcentagem da melhoria. Sem falar da má formulação dessa prova. 

Todo esse descaso com o aprendizado e com o aluno só deixa mais evidente o quanto a educação é precária e o quanto o caráter desse SARESP é eleitoreiro. “Tal ponto de vista tem base na decisão do Governo Estadual de, a partir do ano passado (2009), realizar a prova também na rede de ETEs. Porém, essas escolas têm desempenho superior ao das escolas estaduais regulares, muito mais pelo fato de seus alunos terem passado por um processo seletivo, que por incentivo do governo, como José Serra gosta de fazer parecer em sua propaganda política. Ano passado, muitas dessas ETEs decidiram pelo boicote ao SARESP, já que nos opomos veementemente ao uso dos resultados das provas de algumas poucas escolas para mascarar a situação geral do ensino em São Paulo. Agora, os estudantes de várias ETEs têm sofrido pressão descabida por parte de seus núcleos de direção e coordenação, que impõem o SARESP como parte das notas finais (lembrando que não há divulgação de resultados individuais, e que os índices estarão oficialmente disponíveis somente a partir do ano seguinte) e “alertam” sobre a possibilidade de reprovação dos alunos que boicotarem a prova” (JORNALETE-ETESP, 2010). Fica então a frase do nosso querido Karl Marx, “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”. Afinal a educação de um ser e de um futuro é irrelevante quando comparado ao capital inserido numa eleição.

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