segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nenhuma aula até que a Polícia Militar saia do Campus USP Butantã!

No dia 17, foi realizada a Assembleia dos estudantes da USP que estão em luta contra a presença da polícia no interior do campus.

Abaixo segue o panfleto da Esquerda Marxista distribuído durante a realização da Assembleia que contou com mais de 3000 estudantes. A esmagadora maioria votou pela continuidade da greve.


Contribuição aos estudantes da USP em assembleia

Desde 2009 quando a PM entrou na USP para reprimir com violência manifestações e greve de estudantes e funcionários da universidade até os dias atuais, muito pouco foi debatido sobre a presença da PM no campus e sobre a fragilidade da autonomia universitária após os ocorridos naquele ano. Daí surge a questão: quem é que está à frente e para que serve a organização estudantil? Qual o papel das lideranças estudantis dentro da USP sendo que faltam ações diretas e concretas para os problemas deste espaço?

A PM na USP serve para fazer o que ela faz em qualquer lugar: reprimir. Associar a presença da polícia militar à segurança é um grande erro. A existência da PM está associada à defesa da ordem e da propriedade privada, que é contrária a qualquer manifestação ou luta dos trabalhadores e jovens. No caso da USP, o convênio da Reitoria com a PM vem no bojo do projeto de privatização da universidade pública (afinal quando as fundações privadas e parcerias público-privadas entram na universidade pública, é preciso que a polícia se faça presente para defender os interesses destes) e para reprimir o movimento estudantil e sindical dentro da Cidade Universitária.

Este convênio, assinado sem consulta à comunidade universitária, tem como único objetivo reprimir aqueles que se manifestam contra a falta de democracia na universidade. Isso gerou um confronto entre os estudantes de um lado e a reitoria do outro, que culminou com a ocupação da reitoria e a violenta reintegração de posse realizada pela tropa de choque.


No nosso entendimento, um dos grandes responsáveis por permitir que essa crise chegasse ao ponto em que chegou é a direção do DCE da USP. Desde a prisão dos nossos três colegas no estacionamento do prédio da História até a ocupação da reitoria, realizada por um grupo pequeno e à revelia da maioria, os representantes máximos do movimento estudantil em nossa universidade assistiram a tudo com uma passividade que não condiz com as posições para as quais foram eleitos. Se por um lado é verdade que a ocupação da reitoria não foi decisão do conjunto dos estudantes, por outro lado foi justamente a omissão da direção do DCE que possibilitou a um grupo minoritário do movimento agir “em nome” de todos os estudantes. Claro que os vacilos da direção do DCE não justificam uma atitude como essa. Mas a direção do DCE continuou vacilando quando, na grande assembleia que ocorreu após a reintegração de posse da reitoria, enquanto ainda dezenas de estudantes encontravam-se presos, essa mesma direção se contrapôs à greve imediata. Felizmente a maioria dos estudantes soube agir contra sua própria direção e aprovar a greve imediata – que era o mínimo que o movimento estudantil poderia fazer diante de tal situação.

Agora, o Comando de Greve eleito e o conjunto dos estudantes em cada nova assembleia devem tomar medidas para aprofundar e prolongar a greve estudantil. Nenhum estudante deve frequentar uma aula sequer enquanto houver PM dentro do Campus. A decisão dos estudantes do Campus de São Carlos de entrar em greve em solidariedade aos estudantes do Campus Butantã só nos mostra que isso é possível!

Mais que isso: o Comando de Greve deve receber mandato da Assembleia Geral dos Estudantes para se dirigir à Adusp e ao conjunto dos professores com a consigna: Nenhum professor da USP que defenda os preceitos básicos da democracia deve aceitar ministrar uma aula sequer enquanto o campus estiver sob o controle da PM – que nada mais é do que um bando de homens armados sob as ordens de Rodas. Greve dos professores já!

Se caminharmos nessa direção, sem recuar, podemos impor a anulação do convênio entre a reitoria e a PM. Mas para isso é preciso que o Comando de Greve não vacile como a direção do DCE o fez. A cada vacilo do Comando de Greve as assembleias devem reeleger seus membros para garantir que o movimento avance até a vitória.

É imprescindível ampliar a greve e apelar ao conjunto dos professores. Só assim seremos vitoriosos: Unindo professores, estudantes e funcionários pela retirada da PM da USP!

Célula da Esquerda Marxista da USP

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