domingo, 30 de outubro de 2011

“ENEMganados”: Passeatas contra o ENEM uniram estudantes de escolas públicas e particulares no CE e RS


Estudantes revoltados com o ENEM protestaram nesta sexta-feira 28/10/11 contra o 3º ano consecutivo de falcatruas no ENEM. Além do sentimento de muita indignação com a falta de respeito do MEC, outro aspecto comum nas duas manifestações foi a unidade entre estudantes de escolas públicas, particulares e cursinhos preparatórios nos protestos.

Em Fortaleza-CE o ato reuniu cerca de 300 estudantes e recebeu o nome “Enemganados”, o local escolhido foi a famosa Praça da Imprensa. A convocação se deu por meio das redes sociais. A principal bandeira levantada foi contra a decisão do MEC de anular o exame apenas para os alunos do colégio de Christus (Fortaleza). Eles dizem que alunos de outros colégios também tiveram acesso a apostila com as 13 questões idênticas entre aquelas que caíram no concurso do ENEM no final de semana passado. Por isso pedem a o cancelamento do concurso para todo o Brasil. A manifestação foi considerada bem sucedida pelos participantes, pois tomou uma proporção maior do que a esperada. E para continuar a mobilização os alunos pediram ajuda aos DCE`s da Universidades Federal (UFC) e Estadual do Ceará (UECE) .

Em Santa Maria (RS), a manifestação reuniu cerca de 600 alunos e se realizou na Praça Saldanha Marinho. Alguns estudantes falavam de cima de um carro de som. Uma das palavras de ordem cantadas foi: "Ei MEC, cadê o respeito? Não se trata estudante desse jeito". Os manifestantes reivindicaram o retorno do modelo de vestibular das federais ou a criação de ENEM`s regionais, em substituição a uma prova para todo o Brasil.

Como vimos, o ponto forte dos protestos é a unidade do movimento estudantil e o fato deles terem acontecido praticamente de forma espontânea, sem maiores planejamentos das organizações estudantis. Apesar disso, um questão precisa ser elaborada melhor, a escolha das reivindicações. Existe uma opção muito melhor do que somente cobrar a anulação ENEM ou pedir o retorno ao modelo antigo de Vestibular quando cada universidade realizava seu processo seletivo. A melhor saída para a situação a qual nos encontramos deve ser uma saída política. Indicamos isso porque o direito de livre acesso ao ensino público está muito longe de ser um probleminha acadêmico ou administrativo de organização do concurso. O que queremos dizer é que estas manifestações, apesar de terem grande potencial para crescerem ganhando fôlego e milhares de novos aderentes, precisam ter clareza de quem cobrar e o quê cobrar. Se a gente se limitar a exigir melhor organização na realização das provas, na prática continuará sendo uma medida paliativa e não resolverá o nosso grande problema: POUCAS VAGAS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS (foram mais de 5 milhões de candidatos para menos de 100 mil vagas). Esse é o X da questão.

Nesse sentido os estudantes tem nosso apoio para continuar cobrando do MEC mais seriedade e organização com o concurso. Mas acreditamos que juntamente a isso deve-se exirgir de forma enérgica o aumento da quantidade de vagas nas faculdades públicas. De modo que amanhã ninguém precise nunca mais atrapalhar sua vida com a camisa de força que é o funil do ENEM e do Vestibular. E dinheiro pra isso a gente sabe que o Brasil tem, basta cessar a sangria que é o pagamento dos juros da dívida pública que segundo o próprio Banco Central devorá mais de 50% do nosso orçamento.

Precisamos cobrar da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) que ocupe seu papel de direção organizando os protestos e orientando nossa luta em todo o Brasil pela universalização do ensino superior público. Democratização do acesso ao ensino superior somente com vagas para todos.

Protesto de Fortaleza (CE): uma imagem em anexo e o vídeo abaixo.

Protesto em Santa Maria (RS): uma imagem em anexo e o vídeo abaixo.

Um comentário:

  1. Já falando de uma forma MARXISTA e bem DIALÉTICA, não preciso NEM FALAR O QUE DEVE SER FEITO , não é ???

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