quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Hoje na História: 1902 - Morre o escritor francês Émile Zola


Aos 62 anos, o grande romancista francês, fundador do naturalismo, Émile Zola, cuja obra principal é um vasto afresco em 20 volumes, contando a história de uma família sob o Segundo Império, morreu asfixiado pelo gás em seu dormitório, em 29 de setembro de 1902. Correu o boato que tinha se suicidado ou havia sido assassinado. Alguns imaginaram que tinha sido vítima pelo seu engajamento em favor de Alfred Dreyfus. Os restos de Zola foram levados ao Panthéon em 4 de junho de 1908.

Nascido em 2 de abril de 1840 em Paris, Zola passou toda a juventude em Aix-en-Provence. A morte de seu pai, quando tinha 7 anos, mergulhou a família numa situação financeira instável. A partir de 1858, Zola se estabeleceu em Paris. Após ter sido reprovado duas vezes em francês ao tentar ingressar na universidade, levou uma vida incerta, sem dinheiro. Zola foi empregado na editora Hachette de março de 1862 a janeiro de 1866, como chefe da publicidade. Escreveu à época diversos textos em prosa, indo do conto de fadas à sátira política.

Ele conseguiu publicar em novembro de 1864 uma pequena coleção de contos, Contos a Ninon, que recebe favorável acolhida. Em 1865, conheceu aquela que viria a ser sua mulher, Alexandrine Meley. Decide então viver de sua pena. Em 1867, chega seu primeiro sucesso com Teresa Raquin, que anuncia o ciclo da Saga dos Rougon-Macquart. O livro apresentou uma abordagem inovadora, inspirado pelos estudos científicos da época, propondo não um simples romance, mas uma análise científica pormenorizada do ser humano, da hereditariedade, da loucura, da moral e da sociedade. A imprensa o tratou de ‘autor pornográfico’, de ‘homem do esgoto’ ou ainda partidário da ‘literatura putrefata’.


Após a guerra franco-prussiana de 1870, tornou-se jornalista parlamentar. Em 22 de julho de 1872, quando assinou com o editor Georges Charpentier, é que começa de fato sua carreira literária. Pouco a pouco, seus romances lhe valem a amizade de escritores como Flaubert, os irmãos Goncourt, Daudet e Turgueniev. Quando resolve empreender seu amplo afresco romanesco, preocupado com o método, montou um plano geral antes mesmo de escrever a primeira linha. Zola quis estabelecer diferença com um antecessor de peso, Balzac e sua Comédia Humana: “Não quero pintar a sociedade contemporânea como um todo e sim uma só família, mostrando sua saga modificada pelo meio. (…) Meu jeito é ser puramente naturalista, fisiologista.”

Obras

A fortuna dos Rougon (1871), o primeiro volume, é a base que sustenta todo o edifício. O romance relata o golpe de Estado de Luis Napoleão Bonaparte em 2 de dezembro de 1851, visto de uma cidade da Provence. Com a agitação política, ambições se desencadeiam. Dois ramos rivais de uma mesma família, os Rougon e os Macquart, se enfrentam. Os primeiros se revelam bonapartistas por cálculo, os segundos liberais por pobreza e inveja.

Entre os principais romances de A saga ds Rougon-Macquart estão: O Ventre de Paris (1873), A Terra (1887), Nana (1880) e, em especial, a obra máxima, Germinal (1885) que descreve as condições de vida subumanas de trabalhadores de uma mina de carvão. Após ter contato com idéias socialistas que circulavam pela classe operária européia, os mineiros revoltam-se contra a opressão e organizam uma greve geral, exigindo melhores condições de vida e trabalho. A manifestação é reprimida, entretanto permanece viva a esperança de luta e conquista.

Indignado pela degradação do capitão Alfred Dreyfus e a campanha de imprensa contra a república e os judeus, e convencido que o verdadeiro culpado do caso é o comandante Esterhazy, Zola publica no jornal L’Aurore o famoso artigo "J’accuse". Condenado a um ano de prisão e a 3 mil francos de multa, teve de deixar a França em 18 de julho de 1898. Em seu retorno, em 1899, injuriado, excluído da Ordem da Legião de Honra, abandonado por uma boa parte de seus leitores, morre, três anos depois, asfixiado em sua casa.

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