segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Greve geral na UNIR (RO) expõe as precárias condições de trabalho e estudo nas Federais


No dia 14/09 estudantes e professores da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) entraram em greve para exigir mudanças nas condições de trabalho e estudo. Em carta aberta à sociedade, os grevistas denunciam condições em que se encontram a Universidade.

“as condições de trabalho na UNIR têm nos levado a uma condição de desânimo, insatisfação, vergonha, estresse, baixa estima etc. (...) As condições existentes são tão precárias que chegamos a trazer água e papel higiênico de casa e a usar, para fins institucionais, nossos próprios meios de comunicação (celular, notebook, internet móvel etc.); não há salas de trabalhos para docentes; não há espaço para convivência ou mesmo acervo bibliográfico suficiente para a demanda atual”. (Carta Aberta do Comando de Greve da UNIR à Sociedade, 14/09)

Abaixo segue uma nota do Comando Geral de Greve dos Estudantes da (UNIR), de 19/09

Estamos em greve desde 14/09, quando mais de 500 estudantes lotaram o auditório Paulo Freire no campus da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) de Porto Velho e aprovaram, por unanimidade, GREVE GERAL dos estudantes por tempo indeterminado. Os professores também entraram em greve no mesmo dia pela manhã.

Após a aprovação da greve, os estudantes se dirigiram à UNIR-Centro (REItoria) e lá fizeram uma grande manifestação para anunciar à sociedade que estão em GREVE e que não abaixarão suas cabeças diante dos desmandos do Governo Federal/MEC e da REItoria da UNIR.

No dia 15/09, os estudantes e professores do campus de Rolim de Moura aderiram à greve e paralisaram as atividades em todos os cursos. No dia seguinte (16/09), foi a vez dos estudantes do campus de Guajará Mirim. Em ato de protesto, fecharam a BR-425 e anunciaram adesão à greve estudantil em todos os cursos.

A UNIR está em RUINAS

Desde 2007, o governo federal, através do REUNI, vem aprofundando a precariedade nas universidades brasileiras. Na UNIR, os últimos 4 anos foram marcados pela criação de 17 novos cursos e ampliação das vagas já existentes, enquanto que a estrutura de salas de aulas, laboratórios, restaurantes, banheiros e bibliotecas continuaram praticamente as mesmas. Durante este período, a expansão irresponsável gerada pelo REUNI, fez com que o número de alunos na UNIR aumentasse em 55%, correspondendo a cerca de três mil novos estudantes.

Além disso, o número de professores não atende nem de longe às necessidades da Universidade. Existe uma defasagem de mais de 200 profissionais. Quanto aos técnicos, a situação é pior, pois de 2007 até 2010 foram contratados somente 14 novos funcionários.

Nossa universidade nunca esteve tão suja, abandonada, sucateada e jogada às traças. Falta tudo! Faltam salas de aula, faltam dezenas de laboratórios, livros, restaurante universitário, hospital universitário, moradia estudantil, bolsas de assistência estudantil, material de limpeza e higiene etc etc. Os banheiros, bebedouros, recolhimento do lixo e limpeza dos campi são vergonhosos e cada dia piores. Os campi se tornaram verdadeiros campos de obras, com construções abandonadas por todo lado, sendo que várias delas são do REUNI e dependiam de recursos que não vieram e não virão.

Pra piorar, no início do ano, o governo Dilma (PT) anunciou que não seria contratado nenhum servidor público em 2011, cortou do orçamento da educação, de 2011, o valor de 3,1 bilhões, reduziu em 50% os gastos com custeio (diárias, assistência estudantil e material de consumo) das universidades e proibiu a contratação de novos servidores. Seu discurso prega melhorias, mas no fundo retira verbas do ensino público, injetando estas no ensino privado.

Não descansaremos até a vitória!

CHEGA! Estamos cansados de esperar por algo que não virá sem luta. Exigimos todos os nossos direitos! Queremos e não descansaremos até conquistar todas as nossas reivindicações. Uma nova universidade é necessária e que essa sim tenha qualidade, seja de fato democrática, gratuita e que sirva ao povo trabalhador e não à interesses eleitorais, empresariais ou de grupos de poder.

Já estamos cansados das promessas deste REItor déspota que administra a universidade via ad-referendum, remontando ao o regime militar. Exigimos transparência, autonomia e participação equitativa na gestão da universidade, os estudantes não só podem como devem participar com maior peso nos conselhos superiores.

Fora REItor Januário do Amaral!

Abaixo à “reforma” universitária e os sucessivos cortes de verbas da educação!

Por uma universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade!


COMANDO GERAL DE GREVE DOS ESTUDANTES DA UNIR

Porto Velho, 19 de setembro de 2011.


Para entender mais sobre a greve, acessem os documentos abaixo.

Carta Aberta do Comando de Greve (14/09). http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-15964161.pdf


Pauta de Reivindicações do Comando de Greve (14/09). http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-22296661.pdf



Resposta da Reitoria da UNIR às reivindicações do Movimento Grevista, http://www.unir.br/noticias_arquivos/5030_resposta_greve_alunos__pdf_2.pdf

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