segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Amanhã será maior! Lições da vitoriosa ocupação da reitoria da UFF


Dia 06 de setembro, após 06 dias de ocupação do edifício da Reitoria, o protesto estudantil na Universidade Federal Fluminense terminou vitorioso! Recuado e sem saída, o Reitor Roberto Salles se comprometeu com 80% das reivindicações dos estudantes. Foi uma enorme mobilização que estampou a UFF na primeira página da grande mídia, denunciando a precariedade da expansão do ensino superior federal.

O que é uma ocupação de reitoria?

Todos sentem a rotina de opressão da sociedade burguesa, mas só em alguns momentos é que o conjunto dos estudantes entra em ação política. Nessas horas em que a paciência se arrebenta, uma Assembleia Geral lotada torna-se impotente para expressar a revolta; nessas horas percebe-se que reclamar dos políticos do Congresso Nacional é algo completamente inútil; chega o momento de FAZER POLÍTICA! Necessidade que faz as ideias passarem à ação direta; com essa vontade os estudantes buscam uma participação mais ativa nas entidades estudantis com o objetivo de construírem seus próprios instrumentos de poder dentro da universidade. As ocupações das reitorias são exatamente isso, um método eficaz que o movimento estudantil desenvolveu para ser ouvido, ocupando com o próprio corpo o espaço da ordem. E anunciando “agora é minha vez de falar o que e como deve ser feito”.


A origem e o desenvolvimento do protesto na UFF

Em cenários de crise, pequenos conflitos podem surgir e se generalizar. No caso da UFF, a surpresa está na reivindicação que desencadeou o processo. Foi um acordo, por parte da Prefeitura de Niterói e da reitoria, de construção de duas vias expressas para beneficiar luxuosos condomínios na orla da Baía de Guanabara. A construção destas vias necessitaria distanciar-se a apenas 8 metros de salas de aula e desalojaria uma pequena comunidade pobre. Contrários a isso, algumas dezenas de alunos decidiram ocupar a reitoria ao fim de agosto junto a outros que tiveram seu laboratório de agroecologia tratorado pelas máquinas da construção civil usadas em obras de novos edifícios. Como eram poucos alunos, a REItoria logo chamou a polícia e os fez encerrar a manifestação sem qualquer diálogo. Porém, no dia seguinte, 31 de agosto, no Conselho Universitário tiveram de enfrentar a ira de 500 estudantes presentes que reivindicavam uma extensa lista de demandas mais. Como não foram atendidos, seguiram para a REItoria e permaneceram acampados 6 dias. Por sua vez, estudantes de todos os campi da UFF do RJ também seguiram para Niterói com suas próprias demandas. Foram dias em que os olhos atentos ao que se passa em Santiago e Sevilla, também observaram a primavera chegar mais cedo em Niterói.

A participação direta dos estudantes foi decisiva. Com centenas durante a ocupação e milhares nos momentos cruciais, eles deixaram as aulas para lutar ombro a ombro ao DCE e aos DA`s. Eles cobraram nada além da obrigação do Estado: Alojamento para os acadêmicos que residem distante da cidade. Em Niterói a obra foi iniciada, mas está longe da conclusão; ampliação do bandejão; gratuidade no ensino, contra a cobrança de taxas na Pós-Graduação; infra-estrutura decente, já que nos campi do interior há salas e laboratórios precariamente instalados em containers (!); admissão de novos professores e servidores etc.

Amanhã vai ser maior!

A heróica luta dos estudantes chilenos já dura 4 meses; os protestos na Grécia já perdeu a conta das greves gerais; os indignados na Espanha; os protestos em Israel; Londres enfrenta um tsunami de lutas; por toda a Europa e o mundo árabe jovens se insurgem pelo direto a um futuro digno. No Brasil os trabalhadores começam a perceber que estão armando uma armadilha contra eles para que paguem a conta de uma crise criada pelos capitalistas. Não podemos aceitar a redução das verbas para a educação como foi feito em 2011 no corte de R$3,1 bilhões enquanto o pagamento de juros da dívida pública devora metade do orçamento.

A batalha para que o PT e Dilma, eleita pelo povo, rompa com os partidos de direta e destine 10% do PIB para a educação pública é uma campanha muito boa para ajudar a organizar a luta estudantil em escala nacional.

Ocupe a reitoria que existe dentro de você e venha fazer parte da Juventude Marxista.

Flávio Almeida Reis
reis.geografia@gmail.com
Estudante de Pós-Graduação em Geografia - UFF

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