segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pesquisa em frigoríficos comprova: o capitalismo mata

Publicado em 21.07.2011 – Brasil de Fato
Vito Giannotti

A base do sistema capitalista é uma só: a exploração máxima dos trabalhadores e da natureza visando unicamente o lucro, ou seja, a multiplicação do capital nas mãos dos donos das empresas. O resto é conversa mole. Se o capital puder dispensar milhares de trabalhadores e deixá-los na sarjeta, não há problema nenhum. Uma empresa capitalista não é uma entidade filantrópica. Não tem nenhumíssimo objetivo social, humano, humanitário. Se puder acelerar o ritmo de trabalho até o extremo ela vai fazer. Quem morrer que morra. Há sempre milhões à espera de uma vaga.

Enquanto isso, iludidos ou enganadores falam de “responsabilidade social” das empresas. Outros fazem poesia com a tal “responsabilidade ambiental”. Balelas. Para qualquer empreendimento capitalista não entra na contabilidade a saúde, a vida dos trabalhadores dentro ou fora da empresa.

A pesquisa da Confederação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação (CNTA), junto com a UFRGS vem comprovar isso. Você sabia que em frigoríficos de cortar frangos, os trabalhadores têm que fazer até 90 cortes por minuto? Você acredita nisso? É possível isso? Sim, possível e real. É daí para pior.

Vamos ver alguns tópicos da pesquisa da CNTA divulgada no Jornal NOSSA LUTA de Maio/2011, do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Pelotas.

Vida útil de cinco anos

A "vida útil" dos escravos que viviam na época de Zumbi dos Palmares (1655-1695) e trabalhavam nas lavouras de cana era de 20 anos. Hoje, os trabalhadores dos frigoríficos do Rio Grande do Sul têm uma "vida útil" em média é de apenas cinco anos. Em cinco anos estão destruídos, acabados.

O estudo da CNTA feito no ano passado e publicado agora mostra que 77,5% dos trabalhadores da indústria da carne sofrem de alguma doença relacionada ao trabalho. 96% precisam tomar medicação para suportar a dor.

Mais: 99,5% dos 640 trabalhadores entrevistados dos frigoríficos de Capão do Leão, Bagé, São Gabriel e Alegrete são empregados de um mesmo grupo: o Marfrig.
Dor por todos os lados

O grupo Marfrig se orgulha de ter 151 unidades espalhadas por 22 países.

É grande, sim é verdade, mas tão preocupado com a saúde e o bem estar de seus empregados, quanto os donos de escravos de séculos atrás. Prova disso é que 78% dos seus trabalhadores admitem sofrer dores constantes no corpo, principalmente nos ombros, braços, costas, pescoços e pulsos, causadas pelo esforço repetido feito por horas e horas, sem qualquer interrupção e em condições insalubres de frio externo e umidade intensa.

Os principais efeitos disso se revelam fora do ambiente de trabalho, quando as mãos ficam dormentes, os braços tremem e a dor aparece ao se fazer coisas simples como abotoar a camisa ou escovar os dentes. A pesquisa revelou que ao final de um dia de trabalho 43,9% sentem um "cansaço insuportável" que afeta o sono, causa depressão e prejudica a convivência familiar.

Sintomas apresentados pela pesquisa

Eis alguns dos sintomas que os trabalhadores apresentam:

. 24,3% têm dificuldade para abrir portas

. 30,4% têm dificuldade de escovar os dentes ou pentear o cabelo

. 35% deixam cair copos ou outros objetos

. 61,1% sentem as mãos dormentes sem motivo

. 32,5% têm dificuldade para abotoar roupas

. 61,8% têm dificuldade para dormir

. 51,4 % sentem tremedeiras em braços e pernas.

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