terça-feira, 9 de agosto de 2011

Enem cresce e se torna um novo vestibular: universidade pública continua realidade para poucos

O Enem se transformou no vestibular oficial das universidades federais e da maioria das faculdades particulares e estaduais

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação, divulgou há poucos dias que o número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aumentou consideravelmente de 2010 para este ano. O Enem teve mais de 6,2 milhões de inscrições, segundo informações do MEC. O exame anterior teve 4,6 milhões de inscritos.

As provas ocorrerão em 22 e 23 de outubro e serão realizadas em 12 mil locais, 140 mil salas de aula em 1.599 municípios. Dos inscritos, 5,4 milhões foram considerados aptos a participarem do exame, ou seja, pagaram a inscrição e preencheram corretamente o formulário. O processo de isenção da taxa de inscrição, que custa R$ 30, é muito burocrático e deixa muitos jovens que não têm condições de pagar, sem este benefício.


No site do Inep assim é explicada a tarefa do exame: “O principal objetivo do Enem é avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica (...). Desde a sua concepção, porém, o Exame foi pensado também como modalidade alternativa ou complementar aos exames de acesso aos cursos profissionalizantes pós-médio e ao ensino superior”. O Enem se transformou no vestibular oficial das universidades federais e da maioria das faculdades particulares e estaduais.

Mas o que mudou para o jovem? Ficou mais fácil entrar na universidade pública? Não, quanto a isso nada mudou. Pelo contrário, o funil é cada vez mais estreito. O crescimento das vagas oferecidas pelas instituições públicas não acompanha o ritmo de expansão na procura de vagas.

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), sistema que seleciona os alunos das universidades federais e que usa a nota do Enem, ofereceu neste ano apenas 83 mil vagas para um milhão de inscritos! Ou seja, 917 mil estudantes se inscreveram para estudar em uma universidade pública, mas tiveram seus sonhos abortados por falta de vagas! A maior parte desses jovens terá que pagar as altíssimas mensalidades das instituições privadas.

O problema de fato está na falta de vagas, não adianta criar novos sistemas de seleção e dizer que isso democratiza o acesso, como faz o MEC com o Enem. Enquanto não se criar um programa audacioso de construção de universidades públicas e vagas em quantidade suficiente para atender a todos que querem estudar, o Enem vai ser o velho funil do vestibular, para selecionar alguns e excluir a maioria.

Para nós da Juventude Marxista uma das principais batalhas do movimento estudantil é levantar bem no alto a bandeira de universalização do ensino superior. Intervimos nas entidades estudantis, desde os grêmios e CA’s até os DCE’s, explicando que a UNE e a UBES precisam retomar essa luta e exigir do governo Dilma vagas para todos nas universidades públicas!

Fábio Ramirez
Militante da Juventude Marxista (JM)

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