sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Recordações Pessoais Sobre Karl Marx - Parte 2

 Paul Lafargue

Marx sempre foi extremamente consciencioso em seus trabalhos. Não se utilizava jamais de um fato, uma cifra ou de uma data sem que se apoiasse nas fontes mais autorizadas. Não se satisfazia com informações de segunda mão, mas procurava sempre as fontes, qualquer que fosse o esforço que isso lhe custasse.


Era capaz de ir à biblioteca do British Museum para comprovar o mais insignificante fato. Seus críticos nunca puderam acusá-lo da menor inexatidão ou provar que, em alguma de suas demonstrações, se apoiasse em fatos que não resistissem ao mais rigoroso exame.


O hábito de ir às origens, levou-o a ler autores muito pouco conhecidos e por ninguém citados, a não ser por ele. O Capital contém tal quantidade dessas citações que não é de admirar ver-se alguém tentado a crer que o autor assim o fez por prazer ou vaidade de fazer brilhar seus conhecimentos. No entanto, nada mais injusto:


“Exerço a justiça histórica”, e, dizia Marx “e dou a cada qual o que lhe pertence”.



Considerou, com efeito, que era seu dever indicar o autor, por mais desconhecido ou pouco importante que fosse, que fora o primeiro a expressar uma idéia ou a fazê-lo da melhor maneira.


Sua consciência literária era tão severa quanto sua consciência científica. Não só jamais se basearia em fato de que não tivesse plena certeza, como não se permitiria abordar pontos que não tivesse estudado a fundo. Só publicava alguma coisa após refazê-la tantas vezes quantas julgasse necessário, até atingir a forma adequada. Não podia suportar a idéia de oferecer ao público um estudo insuficientemente trabalhado. Para ele, era verdadeiro martírio ser obrigado a mostrar seus manuscritos antes do último toque. Tão forte era esse sentimento, que, um dia, me disse que preferiria queimar seus manuscritos a deixá-los incompletos.


Seus métodos de trabalho impunham-lhe tarefas das quais seus leitores não poderão ter a menor idéia. Assim se explica que, para escrever aquelas vinte páginas de O Capital sobre a legislação trabalhista inglesa relativa à proteção do trabalho, se obrigasse a estudar toda uma biblioteca de “livros azuis”, que continham os relatórios das comissões de inquérito e dos inspetores de fábricas da Inglaterra e da Escócia. Leu todos esses livros, do princípio ao fim, segundo se pode atestar pelos numerosos sinais a lápis que neles fez. Achava que tais informes perfilavam entre os documentos mais importantes que existiam para o estudo do regime de produção capitalista e, a propósito, tinha opinião tão elevada dos homens que os elaboraram que duvidava que se pudesse encontrar em qualquer outro país da Europa “homens tão capazes e tão imparciais quanto os inspetores de fábrica da Inglaterra”. Não lhes regateou sua estima no prefácio de O Capital.


Foi considerável o material encontrado por Marx naqueles livros azuis. Muitos dos membros da Câmara dos Comuns, como da Câmara dos Lordes, para os quais eram distribuídos, não utilizavam esses livros a não ser, por assim dizer, como alvos, sobre os quais atiravam, para medir, conforme o número de páginas que a bala atravessasse, a força de percussão da arma. Houve quem vendesse tais livros a peso. Foi o melhor que fizeram, pois permitiram a Marx, pelo menos, comprá-los a baixo preço na casa de um comerciante de Long Acre, onde costumava ir de tempos em tempos para passar em revista livros e papeladas. Dizia o professor Beesly que Marx era o homem que mais utilizara os inquéritos oficiais da Inglaterra, oferecendo-os ao conhecimento do mundo. Beesly dizia isso porque, sem dúvida, não sabia que, antes de 1845, Engels extraíra numerosos documentos dos livros azuis, com que enriqueceu sua obra sobre a situação da classe operária na Inglaterra.


II


Para conhecer e amar o coração que batia no nobre peito do sábio, era preciso vê-lo, nas tardes de domingo, quando, fechados os livros e cadernos, ficava entre os seus, rodeado de amigos. Nesses momentos, revelava-se o companheiro mais agradável que se podia imaginar. Estava sempre disposto a rir, cheio de alegria e bom humor. Seus olhos negros, sombreados por espessas sobrancelhas, brilhavam de contentamento e jovial ironia, toda vez que ouvia uma boa frase espirituosa ou alguma réplica pertinente.

Era pai doce, terno e indulgente. “Os filhos deviam educar os pais”, costumava dizer. Nunca fez sentir aos filhos, que o amavam com loucura, a mais insignificante partícula de autoridade. Não lhes dava ordens, mas pedia-lhes as coisas por obséquio, persuadindo-os a não fazer aquilo que fosse contrário aos seus desejos. Apesar disso, era obedecido como poucos pais o seriam. Suas filhas viam nele um amigo e o tratavam com camaradagem. Não o chamavam de “pai”, mas sim de “Mouro”, apelido que lhe haviam dado por causa de sua cor mate, de sua barba e cabelos negros. Em compensação, desde antes de 1848, os membros da Liga dos Comunistas chamavam-no de “pai Marx”, apesar de ele ainda não ter 30 anos nessa época.

Muitas vezes acontecia passar horas inteiras brincando com as filhas. Elas não esqueciam as batalhas navais travadas dentro de um barril, com os incêndios de frotas inteiras de barcos de papel, que Marx construía e queimava, com enorme entusiasmo das pequenas.

Suas filhas não lhe permitiam trabalhar aos domingos. Era um dia reservado para elas. Quando fazia bom tempo, toda a família ia passear no campo. Detinham-se nas pousadas do caminho para beber cerveja de gengibre e comer pão e queijo. Quando as filhas eram pequenas, procurava distraí-las, durante o passeio, contando-lhes intermináveis histórias de fadas, para que o caminho lhes parecesse mais curto. O próprio Marxinventava tais estórias enquanto andavam, que se tornavam mais longas na razão direta da extensão do caminho. De maneira que as meninas, atentas aos contos, esqueciam as fadigas.


Marx possuía incomparável veia poética. Foram poesias os seus primeiros trabalhos literários. Sua mulher guardava, cuidadosamente, as obras que ele traçara na mocidade. Porém, não as mostrava a ninguém. Os pais de Marx haviam sonhado encaminhar o filho na carreira de homem de letras e de professor. Eles estimavam que Marx estava reduzindo suas possibilidades ao consagrar suas energias à agitação socialista e ao estudo de economia política, ciência, na época, muito pouco admirada na Alemanha.

Marx prometeu às filhas que lhes escreveria um drama sobre os Gracos. Infelizmente, não pôde cumprir a palavra. Seria interessante ver como ele, a quem chamavam “o cavaleiro da luta de classes”, trataria aquele trágico e grandioso episódio da luta de classes do mundo antigo. Marxalimentou grande números de projetos que não pôde realizar. Propunha-se, por exemplo, escrever uma Lógica e uma História da Filosofia, que haviam sido, quando jovem, seus estudos favoritos. Precisaria viver cem anos para executar seus projetos literários e dar ao mundo uma parte dos inumeráveis tesouros guardados em seu cérebro.


Durante toda sua vida, sua mulher foi uma companheira na verdadeira acepção da palavra. Conheceram-se crianças e cresceram juntos. Marxainda tinha 17 anos, quando ficaram noivos. Tiveram que esperar nove anos para se casar, o que fizeram em 1843, não se separando mais desde então. A senhora Marx morreu pouco tempo antes do marido. Embora nascida e educada no seio de uma família de aristocratas alemães, ninguém mais do que ela tinha o sentimento da igualdade. Não existiam para ela diferenças ou categorias sociais.

Em sua casa e à sua mesa, recebia e fazia sentar operários com suas roupas de trabalho, tratando-os com a mesma cortesia com que trataria um príncipe. Grande número de operários, de todos os países, gozaram de sua amável hospitalidade e, hoje, estou mesmo persuadido de que nenhum deles jamais desconfiou que quem os recebia com tanta simplicidade e franca cordialidade descendia, pelo lado materno, da família dos duques de Argyll, e que seu irmão fora ministro do rei da Prússia. Ela abandonara tudo para acompanhar o seu Marx e nunca, mesmo nos dias da mais extrema miséria, lamentou o que fizera.

Seu espírito era vivo e jovial. Manejava a pena com facilidade. As cartas que escreveu aos seus amigos são verdadeiras obras de arte e revelam originalidade e vivacidade espiritual. Receber uma carta da senhora Marx era uma felicidade. Jean-Philippe Becker publicou muitas delas. Henri Heine, o impiedoso satírico, se temia a ironia de Marx, era, por outro lado, grande admirador da inteligência fina e penetrante da mulher. Na época em que o casal Marx vivia em Paris, Heine visitava-o com assiduidade. Marx tinha opinião tão elevada a respeito da inteligência e do espírito crítico da mulher, que – dizia-me em 1866 – sempre a punha a par de seus escritos e dava grande valor às suas observações. Era a senhora Marx quem passava a limpo os manuscritos de Marx, preparando-os para a impressão.

A senhora Marx teve muitos filhos. Três deles morreram na infância, durante o período de privações que a família atravessou depois da revolução de 1848, quando, refugiada em Londres, teve que se abrigar nos casebres de Dean Street, perto de Soho Square. Eu só conheci as três filhas. Quando, em 1865, fui, pela primeira vez, apresentado em casa de Marx, Leonor, a mais moça, que se tornou a senhora Aveling, era uma jovem encantadora, com temperamento de rapaz. Marx costumava dizer que a esposa se equivocara quanto ao sexo dessa filha, ao apresentá-la ao mundo como mulher. As outras moças constituíam o mais belo e harmonioso contraste que se possa imaginar. A mais velha, a senhora Longuet, tinha, como o pai, a cor mate e negríssimos cabelos e olhos. A segunda, senhora Lafargue, era loura e tinha a pele clara. Sua opulenta cabeleira brilhava como se, nela, o Sol fizesse seu ocaso; parecia-se muito com a mãe.


Além das pessoas a que acabamos de nos referir, a família Marx contava com mais uma pessoa importante: a senhorita Helena Demuth. Procedia de uma família de camponeses e era bem nova quando entrou para o serviço da senhora Marx, ainda muito antes de ela se casar. Helena Demuthnão quis abandonar a patroa mesmo depois do matrimônio com Marx. Era tão devotada à família Marx que esquecia de si mesma. Acompanhou a senhora Marx e seu marido por todas as suas viagens pela Europa e compartilhou das expulsões e vicissitudes.


Ela era o gênio bom da casa e sabia atravessar as situações mais difíceis. Graças à sua habilidade e medidas de ordem e economia, a família Marx não se viu obrigada a privar-se do mínimo necessário à existência. Sabia fazer tudo: cozinhava, arrumava a casa, vestia as crianças, costurava com o auxílio da senhora Marx. Era, ao mesmo tempo, a economista e a governanta da casa que dirigia. As meninas queriam-na como segunda mãe e Helena, por sua vez, exercia sobre elas uma autoridade maternal, porque lhes tinha uma afeição maternal. A senhora Marx tratava Helena como amiga íntima, e Marx tinha por ela especial consideração: disputavam partidas de xadrez, as quais Marx, muitas vezes, perdia.

A dedicação de Helena para com a família Marx era cega. Tudo que os Marx faziam estava certo e nada a convencia do contrário. Quem criticasseMarx já podia contar com a inimizade de Helena, como podia contar com sua maternal proteção quem merecesse as simpatias da família. Tutelava, por assim dizer, toda a família Marx. Helena sobreviveu ao casal. Em seguida, passou a trabalhar na casa de Engels, a quem conhecera na mocidade e a quem dedicava o afeto que sentia pelos Marx.


Por outro lado, Engels era como um ramo da família Marx, cujas filhas chamavam-no de segundo pai. Era o alter ego de Marx. Durante muito tempo, esses dois nomes gloriosos, que a história reunirá para sempre, viveram ligados na Alemanha. Realizaram os dois, em nosso século, essa amizade ideal que os poetas antigos celebravam. Desde a juventude se desenvolveram juntos e paralelamente, vivendo na mais íntima comunhão de idéias e sentimentos. Participaram da mesma agitação revolucionária e, tanto tempo quanto puderam, permaneceram e trabalharam juntos.

Seria provável que trabalhassem em comum a vida inteira, se os acontecimentos não os obrigassem a viver separados cerca de vinte anos. Depois do fracasso da revolução de 1848, Engels viu-se forçado a seguir para Manchester, enquanto Marx era obrigado a permanecer em Londres.


Continuaram, entretanto, a comunicar-se quase diariamente, emitindo opiniões sobre o que ia acontecendo, política e economicamente, assim como dando conta de sua atividade intelectual. Logo que foi possível, Engels trocou Manchester por Londres, passando a morar a uma distância de apenas dez minutos da casa de Marx. E, desde 1870 até a morte do amigo, Engels não passou um só dia em que não o visse e, cada um, alternadamente, era encontrado na casa do outro.


No dia em que Engels anunciou sua vinda para Londres, houve verdadeira festa na casa de Marx. Não se falou noutra coisa muito tempo antes e muito tempo depois de sua chegada. Marx ficou tão impaciente que nem podia trabalhar. Os dois permaneceram a noite inteira bebendo e fumando, sendo pouco o tempo para contarem reciprocamente os fatos ocorridos desde a data em que haviam se separado.


A opinião de Engels estava, para Marx, acima de qualquer outra, pois era o único homem que considerava com capacidade de ser seu colaborador. Para ele, Engels era uma audiência completa. Para persuadi-lo, para ganhá-lo para suas idéias, nenhum trabalho lhe parecia demasiado longo.


Vi-o, uma vez, revolvendo livros e manuseando-os, de ponta a ponta, até encontrar referência a certos fatos, que eram necessários exumar, para modificar a opinião de Engels no que se referia a um ponto sem importância, de que já me esqueci, da cruzada política e religiosa dos albigenses. Para Marx, era um triunfo conquistar a aquiescência de Engels.


Marx orgulhava-se do amigo. Descrevia-me com satisfação todas as qualidades morais e intelectuais de Engels. Levou-me a Manchester exclusivamente para me apresentá-lo.


Enchia-se de admiração pela extraordinária variedade de conhecimentos científicos de Engels. Estava sempre a temer que o amigo fosse vítima de algum acidente.


“Tenho medo”, dizia-me, “que lhe ocorra alguma desgraça, durante uma dessas caçadas em que tão apaixonadamente toma parte e que o levam a cavalgar e transpor os campos a galope.”


Marx era tão bom amigo quanto esposo e pai. Mas é preciso também dizer que ele teve a felicidade de encontrar na mulher, nas filhas, emHelena e em Engels criaturas que mereciam ser amadas por um homem como ele.


III


Marx, que começara como um dos chefes da burguesia radical, viu-se, logo após, abandonado, no momento em que sua oposição se tornou decisiva, e tratado como inimigo desde que se tornou comunista. Depois de o insultarem, caluniarem e expulsarem de sua terra natal, organizaram contra ele e seus trabalhos a conspiração do silêncio. O 18 Brumário, que demonstrou que, de todos os historiadores e homens políticos do ano de 1848, Marx foi o único que compreendeu e expôs claramente as verdadeiras causas e conseqüências do golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, permaneceu completamente ignorado. Nenhum só jornal burguês noticiou o aparecimento desse trabalho, apesar de sua atualidade.


O mesmo aconteceu com Miséria da Filosofia, resposta à Filosofia da Miséria, de Proudhon, assim como com a Crítica da Economia Política. Mas essa conspiração do silêncio, que durou quinze anos, não deu em nada com a criação da Internacional e o aparecimento do primeiro volume do O Capital. A partir dessa ocasião, Marx não podia mais ser ignorado. A Internacional progredia incessantemente e o eco de seus atos repercutiam no mundo inteiro. Marx se colocara em último plano, deixando outros ocuparem a cena principal, mas logo se descobriu que era ele o verdadeiro dirigente e criador de tudo aquilo.


Na Alemanha, fundara-se o Partido Social Democrata, que cresceu rapidamente, a ponto de se transformar numa força que Bismarck se esforçou por conquistar, antes de passar à repressão. Schweizer, o partidário de Lassalle, publicou uma série de artigos muito apreciados por Marx e por meio dos quais O Capital se tornou conhecido do público proletário. Por proposta de Jean-Phillippe Becker, o Congresso da Internacional decidiu chamar a atenção dos socialistas de todos os países sobre O Capital, que ele chamava de “Bíblia da classe operária”.


Depois da insurreição de 18 de março de 1871, em que se quis ver o dedo da Internacional, e depois da derrota da Comuna de Paris, que o Conselho Geral da Internacional defendeu contra a campanha de calúnias da imprensa burguesa de todos os países, o nome de Marx tornou-se célebre em todo o mundo.


Ele foi, então, reconhecido como o teórico irrefutável do socialismo científico e como o organizador do primeiro movimento operário internacional.O Capital tornou-se o livro obrigatório dos socialistas de todos os países. Todos os jornais socialistas e os operários popularizaram seus ensinamentos. Na América, durante uma greve monstro em Nova York, publicaram-se trechos sob a forma de panfletos para encorajar os operários a resistir e para lhes demonstrar a justeza de suas reivindicações.


O Capital foi traduzido para as principais línguas européias: russo, francês e inglês. Publicaram-se resumos em alemão, italiano, francês, espanhol e holandês. Toda vez que, na Europa ou na América, os adversários da teoria de Marx tentavam refutar suas teses, os economistas-socialistas encontravam, imediatamente, a resposta adequada com que lhes fechavam a boca. O Capital é, hoje, realmente, aquilo que o Congresso da Internacional designava por “Bíblia operária”.


Os cuidados que Marx dedicava ao movimento socialista não lhe davam folga para levar adiante sua atividade científica. A morte da mulher e da filha mais velha, a senhora Longuet, exerceu influência funesta para a marcha de seus trabalhos.


Era profundo o afeto que Marx sentia pela esposa, cuja beleza lhe fora motivo de orgulho e alegria e cuja bondade e espírito de sacrifício o haviam ajudado a suportar as privações materiais, eterna companheira de sua agitada vida de socialista revolucionário. A enfermidade, que acabou levando a vida da senhora Marx, também terminou por abreviar os dias do marido. Durante o tempo em que durou aquela longa e dolorosa doença,Marx, esgotado pelas emoções, vigílias, falta de ar e de exercícios, contraiu uma bronquite que quase o levou.


A senhora Marx faleceu a 2 de dezembro de 1881, comunista e materialista, como ela foi durante a vida. Não se assustou com a morte. Quando sentiu que se aproximava o fim, exclamou: “Karl, as forças me abandonam”. Essas foram suas últimas palavras. Foi sepultada, a 5 de dezembro, no cemitério de Highgate, na seção dos “malditos” (unconsacrated ground, terra profana). De acordo com os hábitos de toda sua vida, em concomitância com os de Marx, evitaram-se solenidades no enterro. Só alguns amigos íntimos acompanharam os restos mortais à sua última morada. Antes de descer o caixão, Engels, o velho e querido amigo de Marx, pronunciou um discurso à beira do túmulo.


Desde a morte de sua companheira, a vida de Marx não foi mais que uma cadeia de sofrimentos físicos e morais, que suportou estoicamente e que se agravaram ainda mais com a morte da filha mais velha, a senhora Longuet, morte essa sobrevinda repentinamente, um ano mais tarde. Desde esse momento, Marx perdeu de vez a saúde. Morreu, em sua mesa de trabalho, a 14 de março de 1883, com 65 anos de idade.


Paul Lafargue


fonte:http://www.marxists.org/portugues/lafargue/ano/mes/marx.htm

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