sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Basta às oscilações pessoais e de mercado no Ielusc

  É preciso dar um basta às medidas administrativas e pedagógicas que oscilam ao ritmo do mercado e de interesses pessoais. Queremos ter ensino e formação de qualidade! (Francine Hellmann - Jornalista e Militante da JM).


Francine Hellmann é formada em jornalismo no Bom Jesus Ielusc e militante da Juventude Marxista, no período em que estudou nessa instituição participou das lutas que ocorreram e concorreu ao diretório acadêmico do curso.

  Com o adiamento das bancas de monografia de Jornalismo e Publicidade e Propaganda que deveriam ocorrer na semana entre os dias 9 e 13 de agosto, a crise do ensino superior do Bom Jesus/Ielusc chega a níveis insustentáveis. Há cerca de uma década do início das atividades, essa não é a primeira vez que a instituição dá sinais de dificuldades financeiras, mas, certamente, é o momento em que mais demonstra falência pedagógica.

  O início da crise transpareceu à sociedade em 2007, quando o vestibular de turismo foi cancelado. Antes disso, em 2005/2006, o corpo docente já trabalhava na busca de soluções para as dificuldades enfrentadas. Há cerca de dois anos, o Ielsuc abriu diálogo com a Univille, temendo perder mercado para as grandes corporações de ensino que se instalavam em Joinville. O processo foi estagnado quando o medo passou e a parceria acabou resumindo se ao vestibular unificado e ao acesso mútuo às bibliotecas – muito burocrático, diga-se de passagem.

  Porém, a verdadeira proporção do iceberg só veio à tona no último semestre, com a demissão de inúmeros professores qualificados, corte de carga horária do corpo docente restante e diminuição dos projetos de extensão como a Revi e o Necom.

  Em meio a tudo isso, algumas questões se configuraram: Como nossa instituição “comunitária” não consegue pagar suas despesas se as mensalidades sobem religiosamente a cada ano? Como não haver inadimplência com preços tão exorbitantes em um curso onde 80% dos estudantes trabalham de dia para pagar a faculdade à noite? Será que as contas estão realmente negativas ou os lucros é que estão insatisfatórios?

  As medidas de corte de custos também contrariavam o Projeto Político Pedagógico zelosamente construído por docentes no decorrer de mais de dez anos. Elas foram criticadas na Carta Aberta, subscrita por 19 ex-professores e publicada no jornal Notícias do Dia, nos dias 23, 24 e 25 de julho.

  Em um Curso de Comunicação Social, a crítica em um espaço livre de opinião da imprensa “ofendeu” a direção geral da instituição, que penalizou os alunos. A semana de monografias foi adiada e, sem o conhecimento dos monografandos e docentes, dois professores de outras instituições convidados a avaliarem e dois orientadores (!) – que acompanharam toda a elaboração dos trabalhos e foram demitidos no final do primeiro semestre – foram “desconvidados” a comparecerem às apresentações. O motivo: eles haviam assinado a Carta Aberta.

  Com a mobilização dos alunos contra tamanho despotismo, o clima de repressão e terror se alastrou pelos corredores do Ielusc, fala-se em processos judiciais, demissões, expulsões e fechamento do curso. Com esse cenário, o Ielusc chega a uma encruzilhada: seria melhor cessar toda a movimentação que busca resgatar a qualidade do Ielusc e assisti-lo descer ladeira abaixo ou continuar a guerra e correr o risco de ver o curso ser fechado por caprichos e má administração?

  É preciso dar um basta às medidas administrativas e pedagógicas que oscilam ao ritmo do mercado e de interesses pessoais. Queremos ter ensino e formação de qualidade! A solução nesse momento passa pelo resgate ao diálogo com a Univille – a começar pela união das representações estudantis – até a real incorporação dos cursos, para que, juntos, os alunos lutem pela federalização de todo o sistema Acafe.

Agosto de 2010.

Um comentário:

  1. A Mercantilização da educação, que segue os mesmos métodos do capitalista explorador do proletário, deve ser abolida. O que precisamos é de Ensino Superior Gratuito e de qualidade, torcendo para que essas instituições Privadas tornem-se obsoletas, assim como o Sistema Capitalista...

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