segunda-feira, 2 de agosto de 2010

DECLARAÇÃO FINAL DO 13º ENCONTRO NACIONAL DA JUVENTUDE MARXISTA

Como explicávamos na convocatória do 13º Encontro Nacional da Juventude Marxista - ENJM “o mundo de harmonia e felicidade prometido pelos capitalistas desmoronou com a crise internacional. A crise desmascarou aos olhos de todos a podridão desse sistema de exploração, ficando mais claro que nunca: o capitalismo não pode garantir um futuro para os trabalhadores e para a juventude.” Para enfrentar essa situação nos reunimos (40 jovens de 7 estados) no Centro Cultural Mário Pedrosa em São Paulo, nos dias 24 e 25 de julho, e também para trocar experiências e discutir como continuar a luta por um mundo mais justo, pelo socialismo.

Foi um vitorioso encontro, no qual o centro das discussões foi a intervenção dos jovens marxistas nas eleições de 2010 e o trabalho sindical no Movimento Estudantil. Também fizemos um importante debate sobre o papel das drogas na destruição da juventude, além da discussão de importantes atividades organizativas para a Juventude Marxista, como por exemplo confecção de cartilhas sobre o ME e a impulsão de reuniões abertas.

CONTINUAR O COMBATE PARA ENTERRAR O CAPITALISMO
O capitalismo é cruel para com os trabalhadores. Enquanto milhões perdem seus empregos os governos dos países aplicam rigorosamente a cartilha imperialista para tentar salvar os seus negócios. Foram despejados trilhões de dólares para tentar salvar o capitalismo. Salvaram muitas empresas, evitaram momentaneamente o pior, mas não conseguiram estabilizar o monstro capitalista. A burguesia saiu de uma cova cavando sua próxima cova. Os governos endividaram os estados de forma jamais vista antes, essa é a receita para uma nova e mais cruel crise: destruição das conquistas dos trabalhadores e da juventude.

MILITÂNCIA ORGANIZADA
É preciso lutar! Mas não podemos enfrentar e derrotar os capitalistas com cada um travando sua luta pessoal. Por isso, a Juventude Marxista compreende que é necessária a organização, essa é a principal arma que temos. Esse foi o 13º Encontro Nacional da JM, o primeiro com o nome de Juventude Marxista (antes chamada Juventude Revolução). O novo nome da organização de jovens da Esquerda Marxista traduz nossa orientação política de intervir concretamente na luta de classes, baseando-se nas ricas experiências históricas do movimento operário, no marxismo. Daí vem nosso método, daí vem nossa orientação de estarmos juntos dos trabalhadores e de suas organizações de massas para enfrentar o capitalismo.

QUEREM QUE PAGUEMOS A CONTA
Após o auge da crise os estados ficaram endividados e retomaram com força os cortes nos gastos públicos. Nesta situação os jovens, filhos dos trabalhadores, são duramente afetados com a precarização dos serviços públicos, como saúde e educação.

Na Europa uma ofensiva feroz tenta acabar com o ensino público, através de reformas educacionais que aprofundam ainda mais as privatizações. Na África, milhões de jovens morrem sem mesmo terminarem os estudos, vítimas de doenças consideradas simples que poderiam ser evitadas com tratamentos básicos. Nos EUA, segundo o censo do governo americano, 38,9 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema! No coração do capitalismo milhares de jovens saíram às ruas neste ano contra os cortes de verbas na educação pública e contra os aumentos de mensalidades nas universidades.

QUEREMOS EDUCAÇÃO PÚBLICA
No Brasil, mais de 50% dos jovens que entram na 1º série não terminam o ensino médio. Dos que terminam, a maioria não consegue cursar uma universidade. Dos que cursam, a maioria é obrigada a pagar as abusivas mensalidades das faculdades privadas, que seguem aumentando ano-ano. Somente 1% dos estudantes consegue estudar numa universidade pública! Tentando tapar o sol com a peneira, o governo aplica as cotas raciais dizendo que vai democratizar o acesso à universidade. Mas, ao contrário do que diz e defende o governo, as cotas fazem parte da política imperialista de racializar o país, dividir os trabalhadores e a juventude em “raças”, que nada mais são do que cores diferentes de pele, pois raça só existe uma, a raça humana. Além de não resolver o problema da falta de universidades, pois não cria novas vagas, as cotas jogam o estudante branco contra o estudante negro na disputa das poucas vagas existentes, estimulando o racismo. A única divisão existente é a divisão de classes, e a única forma de incluir os filhos dos trabalhadores na universidade pública é por meio da luta por vagas para todos nas universidades públicas.

ESSE SISTEMA CAMINHA PARA A BABÁRIE
Nas grandes cidades um verdadeiro genocídio é organizado pela burguesia, as drogas se tornaram um instrumento imperialista que dizimam milhares de jovens, tirando-os qualquer perspectiva de luta. A mesma burguesia que organiza o milionário mercado das drogas envia exércitos de policiais para reprimir e massacrar. Em nome do “combate ao trafico” a burguesia tem imposto o ‘toque de recolher’, que ao invés de punir os donos dos bares que comercializam bebidas aos menores e os traficantes que oferecem as drogas, a polícia reprime ferozmente os jovens, particularmente os jovens dos bairros periféricos.

A continuidade desse sistema só pode levar a humanidade à sua destruição. A única saída é a luta organizada da juventude junto aos trabalhadores do campo e da cidade, em uma aliança operário-estudantil. Como dizia a revolucionária alemã, Rosa Luxemburgo: “Socialismo ou Barbárie”!

SINDICATO DE ESTUDANTES
Parte do 13º ENJM foi dedicada à discussão de como organizar os Sindicato de Estudantes - grêmios estudantis, diretórios e centros acadêmicos de luta a serviço das reivindicações dos estudantes em aliança com a classe trabalhadora e suas organizações na luta de classes. Discutimos e tiramos importantes encaminhamentos sobre como ajudar a juventude a lutar por suas reivindicações. Encaminhamos a confecção de cartilhas sobre as cotas raciais, sobre as drogas e a destruição da juventude, manual de como organizar o grêmio estudantil, cartilha sobre a luta de classes de classes no ME entre outros textos. Discutimos e trocamos experiências sobre a luta em defesa da pauta de reivindicação em cada escola ou faculdade.

NENHUM VOTO NA BURGUESIA
Temos grandes batalhas pela frente. As eleições de 2010 se aproximam e a direita pretende voltar com força à presidência. Para enfrentá-la e derrotá-la votamos e chamamos o voto nos candidatos do PT para barrar a direita. Explicamos pacientemente que para termos as reivindicações atendidas é preciso um governo socialista dos trabalhadores, sem partidos e ministros da burguesia.

As eleições são um momento importante, no qual os jovens revolucionários devem se somar aos trabalhadores para que expressem soberana e independentemente, por meio de suas formas de organização, suas reivindicações e lutas. O centro de nossa ação é nossa intervenção na campanha dos candidatos marxistas do PT, reunindo e agrupando jovens para o combate revolucionário.

O Encontro também reafirmou importantes campanhas: a luta pelo Passe-livre, o combate às drogas, a solidariedade à revolução venezuelana, a luta pelo retorno das tropas brasileiras do Haiti e a luta para por fim ao capitalismo para erguer uma nova sociedade, a socialista, que garanta aos jovens o direito à cultura, educação, trabalho, diversão e arte!

  • Educação pública, laica e gratuita, da pré-escola à universidade! Mais verbas para a educação!
  • Cotas não! Queremos vagas para todos nas universidades públicas!
  • Redução das mensalidades nas universidades privadas! Estatização das universidades pagas que recebem verbas públicas!
  • Drogas não! Queremos emprego, cultura e educação!
  • Em defesa do petróleo 100% estatal! Reestatização de tudo que foi privatizado! Estatização da Flaskô sob controle operário!
  • Abaixo a Criminalização dos Movimentos Sociais! Reforma Agrária já!
  • Fora tropas brasileiras do Haiti! Solidariedade à revolução venezuelana!
  • Queremos educação, cultura, diversão e arte!
  • Abaixo o capitalismo, viva o Socialismo!

13º Encontro Nacional da juventude Marxista
São Paulo, 25 de julho de 2010

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