sábado, 15 de maio de 2010

Manifestação em Belo Horizonte/MG

UFMG ADOTA O NOVO ENEM E ESTUDANTES PROTESTAM. CONTINUA A LUTA POR VAGAS PARA TODOS!

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No dia 5 de maio os estudantes que se preparam para ingressarem na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG foram surpreendidos com a repentina notícia da adesão da universidade ao ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, mudando sua forma de seleção que já havia sido anunciada e divulgada.


O Enem, inicialmente, foi criado para avaliar a situação do ensino médio no Brasil e depois foi incluído no Sistema de Seleção Unificado - SISU, se tornando o novo vestibular das universidades federais. O SISU e o novo Enem pretendiam “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas de ensino superior” como explica o MEC em seu website. No vestibular deste ano de 2010 mais de 793.900 candidatos, participantes do novo sistema, concorreram a 47.900 vagas em 51 instituições de ensino superior público (dados do MEC). Ou seja, a missão de “democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas” deixou 746.000 estudantes fora da universidade pública! Essa é a democracia no acesso oferecido pelo MEC!

Em outras palavras, o Enem como substituição do vestibular não muda em nada a situação de muitos jovens querendo estudar para poucas vagas existentes, o funil e a exclusão continuam existindo.

Em Minas Gerais grande parte dos estudantes se revoltou com a notícia, pois a decisão foi tomada sem nenhuma discussão pegando muitos desprevenidos. Uma manifestação foi organizada no dia 11/05 cobrando a revogação da decisão e abertura de diálogo com a comunidade. O ato reuniu cerca de 2 mil estudantes em frente à reitoria da UFMG.

Em nota no site da UFMG o reitor Clécio Campolina justificava: “O Enem é um avanço em relação ao sistema convencional, por ser um exame nacional, progressista, de boa qualidade, que dá oportunidade a todos os estudantes secundaristas do Brasil. (...) Esperamos que essa seja uma etapa para que se elimine, em algum momento, o Vestibular”, acrescentando que “O Enem é democrático” .

Para a pré-vestibulanda Lilian Brandão, de Belo Horizonte, “Não defendemos o sistema anterior de seleção - o tradicional vestibular, pelo contrário, lutamos pelo fim de verdade do vestibular, que só pode acontecer com radical ampliação das vagas no ensino superior público, de modo a termos a universalização. Porém, não podemos ‘engolir’ o argumento de que o Enem é um avanço por simplesmente ser de boa qualidade, quando o problema da exclusão permanece. A democratização do acesso só pode ser conquistada de fato quando o estudante não for mais proibido de estudar por falta de vagas, isso sim será um avanço. Não dá para entender como o reitor Camponila considera democrático um sistema de acesso que deixa de fora mais de 90% dos vestibulandos”. Lilian é militante da Esquerda Marxista e organizou junto a outros estudantes a manifestação na UFMG.

Não combatemos o SISU e o Enem para reservar vagas, tidas como “nossas”, que não podem ser tomadas por estudantes de outros locais, como fazem os donos dos cursinhos de forma corporativista. E sim reivindicamos vagas para todos nas universidades públicas. Por isso não aceitamos esse sistema, que engana os estudantes com a falsa idéia de trazer democracia no acesso. Vagas para todos é a verdadeira bandeira do movimento estudantil e é a única forma de termos uma universidade, de fato, para todos!

Fonte: Lilian Brandão (MG) e Fábio Ramirez (SP)/Esquerda Marxista

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