sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

Manifesto do 7º Encontro Nacional da Juventude Revolução

“É hora de combater este sistema mundial de exploração e de opressão que não mais nos permite viver! É hora de combater pela revolução!”.

Esse foi o grito de, 150 jovens de dez países que há um ano e meio atrás realizaram o Encontro Internacional de Jovens pela Revolução. Desde então, jovens de vários países, incluindo a Juventude Revolução no Brasil batalham pela construção da Internacional Revolucionária de Juventude (IRJ)

O 7º ENCONTRO DA JUVENTUDE REVOLUÇÃO (JR), que reuniu 119 companheiros, de 11 Estados, nos dias 10 e 11 de agosto de 2002, se realizou dois dias depois do anúncio do novo acordo do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o maior da história. Para que sejam emprestados esses 30 bilhões de dólares, as medidas exigidas desse e do próximo governo são claras: privatizar, cortar mais verbas da educação e saúde, arrochar ainda mais os salários...

Fruto desta política do FMI, mas também do Banco Mundia, lOrganização Mundial do Comércio (OMC), banqueiros, multinacionais e governos, uma verdadeira guerra contra os povos, está em curso, no Brasil e no mundo, na qual a juventude é a mais afetada. Constatamos que o imperialismo tem como política a destruição de nosso futuro, e que portanto é preciso organizar a resistência para derrubá-lo!

“Desde o início da última intifada, mais de 1300 palestinos foram assassinados, na sua maioria jovens. Casas foram destruídas, e várias cidades estão ocupadas pelo Exército Israelense” (O Estado São Paulo, março-2002).

“O Brasil é o campeão mundial em homicídios de jovens. Estima-se que nesse ano, cerca de 80 mil jovens morrerão assassinados” (O Estado São Paulo, abril-2002).

Esta guerra se dá em vários aspectos.

No Brasil, uma guerra contra a educação está em curso. O último pacote de Fernando Henrique para “acalmar” os mercados promoveu cortes de 14% a 25 % nas Universidades Federais, através do decreto 4231.Uma conseqüência direta disso é a falta de luz por falta de pagamento, da maior delas, a Federal do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, cinco projetos de emenda constitucional em trâmite no congresso ameaçam quebrar a gratuidade do ensino público superior. O sucateamento e a municipalização do ensino médio fazem com que hoje 1 milhão de jovens entre 7 e
14 anos milhões de jovens estejam fora da escola, e 2 milhões de jovens até 18 anos sejam analfabetos. Entre os poucos que conseguem chegar ao ensino superior, a grande
maioria é obrigada a estudar em faculdades pagas, sem dinheiro para pagar a mensalidade, com muitos sendo expulsos por inadimplência. Notamos uma guerra contra o direito ao emprego. Diversos companheiros jovens trabalhadores presentes ao nosso
encontro, relataram a sua realidade que é a de milhões: desregulamentação, estágios sem direitos, trabalho precário, salários indignos. Sim, juventude sendo a camada mais
explorada da classe trabalhadora!

Trata-se de uma guerra contra o serviço público, que está cada vez mais destruído e privatizado. E isso, ao mesmo tempo que Organizações Não Governamentais (ONGs) recebem dinheiro público para substituir as tarefas que o governo deveria fazer, colaborando com a privatização e a precarização destes serviços. E o pior, ainda buscam realizar essa política buscando cooptar as comunidades através de políticas como o “voluntariado”.

Trata-se de uma guerra contra a nossa vida e dignidade. No Brasil 60% da população carcerária é de jovens de 18 a 25 anos. Convivemos com a repressão da polícia nas periferias, e com o racismo que condena Mumia Abu-Jamal À morte nos EUA e que no Brasil faz com que apenas 2% dos universitários sejam negros.

Ao mesmo tempo, a droga que enche os cofres dos banqueiros em todo o mundo, é também em muitos casos o primeiro emprego oferecido à juventude. Ao mesmo tempo
em que destrói largas camadas da juventude, a droga serve como capital para a ciranda do capital financeiro, sendo que o próprio imperialismo hipocritamente defende sua “legalização”

Trata-se da guerra contra o povo palestino, que como em dezenas de conflitos armados em todo o mundo, revelam a disposição do imperialismo de ir até a guerra, aos assacres, de forma manter seus lucros e sua dominação.

E, tendo como exemplo resistência a brava luta do povo palestino, a qual apoiamos e nos solidarizamos, discutimos em nosso encontro que não podemos aceitar esta situação.
Queremos educação pública de qualidade para todos, queremos empregos dignos! Queremos verbas para os serviços públicos e não para as ONGs. Queremos o fim da repressão e do racismo ! Queremos o fim da guerra e da opressãosobre os povos! Queremos arte e cultura e não as drogas!

Dizemos não para a política do imperialismo que destrói a juventude através das drogas!
Por isso tudo isso queremos Revolução. É o capitalismo, o regime da propriedade privada dos meios de produção, o responsável pelo caos em que vivemos. A JR, organização
autônoma de jovens, combate por cada um dos direitos da Juventude, tendo claro que só a Revolução, só a luta pelo socialismo pode garantir um futuro. Ao mesmo tempo, sabemos que os ataques contra nossos direitos são internacionais e que portanto nossa luta também deve ser internacional.

Por isso, nos somamos aos companheiros da Espanha que ajudaram recentemente À organizar uma greve geral contra a desregulamentação de direitos trabalhistas
em seu país, aos companheiros do Togo na África que lutam em pelo direito à Educação, e à centenas de jovens de diversos países que apontam a Internacional Revolucionária
de Juventude como uma perspectiva comum de resistência.

Por último, deliberamos em nosso encontro que nesse ano de eleições, não podemos aceitar que o imperialismo continue mandando e desmandando no Brasil! E em primeiro lugar acreditamos que é urgente rechaçar este último acordo com o FMI. Em nome da “estabilidade” dos mercados, querem afundar ainda mais o país para o pagamento de uma dívida injusta que os trabalhadores e a juventude não fizeram. Em nome de um chamado “realismo”, querem acentuar a exploração e a miséria da maioria, a destruição do ensino público. Querem nos fazer pagar ainda mais pela crise, que os banqueiros e especuladores criaram! Trata-se do “realismo” que desencadeou toda a crise econômica na Argentina, que agora se expande ao Uruguai com o confisco das contas bancárias da população!

Abaixo o acordo com o FMI! Os trabalhadores e a juventude podem sim expulsar o imperialismo do país, repre-sentado pela política de FHC e o FMI! A JUVENTUDE REVOLUÇÃO é uma organização independente de partidos e governos. Ao mesmo tempo à dois meses das eleições presidenciais, sabemos que milhões de trabalhadores e jovens esperam um governo Lula para ver suas reivindicações de saúde, educação e emprego, atendidas.

Não nos separamos da classe trabalhadora nesse combate Pelo contrário, sob a base desta força social estamos por um governo do PT que rompa com o FMI e o imperialismo.
Por um governo do PT que se retire das negociações da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).

Ao mesmo tempo, o aval da direção do PT ao último acordo com o FMI é inaceitável, contraditório com a aspiração dos trabalhadores e jovens de mudar de vida. Romper com
o FMI e o imperialismo é urgente. Da mesma forma, nesse governo que defendemos não
há lugar para um “bom patrão” como Alencar , favorável à ALCA e contra o MST- ou ainda para o PL que quando no governo ataca nossos direitos, como em Manaus onde o
prefeito reprimiu e prendeu companheiros que lutavam pela garantia do passe escolar.
Essas são posições que gostaríamos de expor com esse manifesto!

Por tudo que foi exposto, convidamos você, jovem, estudante e trabalhador a se somar Às lutas e atividades da JUVENTUDE REVOLUÇÃO. Participe das plenárias que
estão sendo realizadas depois do nosso Encontro. Não temos nada a perder, apenas as cadeias da miséria, exploração e massacre que o imperialismo nos impõe.

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