quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

Carta aos estudantes do continente americano

[ Download: Resoluções da Conferância Continental de Trabalhadores Contra ALCA ]

A Conferência Continental de Trabalhadores contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), reunida em São Paulo dias 12, 13 e 14 de dezembro, com a presença de 201 delegados de 8 países apresenta esta carta aos jovens e estudantes das Américas.


Discutimos e afirmamos que a ALCA representa uma política de ataque contra as conquistas da classe trabalhadora do continente. Não se trata, de forma alguma, de uma integração entre os povos de nossos países, mas sim um acordo que visa favorecer a política das multinacionais estadu-nidenses, as mesmas que apoiaram a guerra contra o povo iraquiano.

Nossas escolas e universidades correm perigo. De um lado,elas sofrem da falta de recursos e da preca-rização em função das políticas de “ajuste” do FMI, de outro lado o ensino pago e particular crescem, muitas vezes, alimentado de forma inaceitável com subsídio de dinheiro público. Para os grandes capitalistas a educação torna-se um negócio cada mais rentável.

Não é à toa que muitos desses capitalistas e seus representantes nos governos buscam levar a educação para o quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC) para facilitar o domínio do capital sobre a educação. Discutimos em nossa Conferência um documento de um sindicato patronal brasileiro que via com bons olhos a proposta de incluir a educação na OMC, na perspectiva de superara obstáculos trabalhistas e legais que não permitiam a total livre-circulação de capitais no campo educacional.

É importante ressaltar ainda que a ALCA caso concretizada significará um duro ataque às já precárias condições de emprego para a juventude de nossos países. Precisamos defender os nossos empregos atuais e futuros, como também os de nossos familiares.

Por isso, nos dirigimos a vocês para que realizem essa discussão nas escolas e universidades de vossos países, bem como propomos a criação de comitês de mobilização contra a ALCA. Uma mesma luta une a juventude de norte ao sul das Américas, na luta pelo nosso futuro, por educação, emprego e por um mundo sem guerra e exploração. Se por um lado os governos de nossos países concordam em implementar a ALCA em 2005, cremos que desde já, nossa mobilização pode sim render resultados. Propomos a todos vocês a organização de uma jornada continental contra a ALCA reunindo trabalhadores, estudantes e suas organizações a ser realizada em 20 de março de 2004.

Dizemos em alto e bom som: Não à ALCA, Não à qualquer ALCA! Achamos com toda sinceridade que podemos vencer esta batalha. Em nossa conferência ouvimos exemplos muito ricos de luta como a dos trabalhadores bolivianos que se insurgiram contra a entrega do gás às multinacionais, como a dos uruguaios e mexicanos na luta em defesa de seu petróleo e sua soberania, como os trabalhadores e estudantes dos EUA que colheram centenas de milhares de assinaturas em seu país numa petição contra a ALCA.


Não à ALCA!
Em defesa de nosso futuro!



São Paulo, 14 de dezembro de 2003

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